A FESTA DE PENTECOSTES E A IGREJA.
Todos nós, cristãos, temos consciência que após a grande festa da Páscoa da Ressurreição, há um espaço de cinqüenta (50) dias em que vivemos a alegria do Tempo Pascal. Neste tempo também nos preparamos para a vinda do Divino Espírito Santo, ou seja, a festa de PENTECOSTES. (At.2,1-12). O grande mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é a marca mais importante da nossa fé.
Muitos acham que o maior acontecimento do cristianismo é o Natal. Na verdade, o Natal não deixa de ser importante, até porque é através dele que Deus se insere na humanidade assumindo a condição humana e com isso nos elevando a participarmos de sua divindade. Entretanto, o que realmente marca a nossa fé é a Páscoa da Ressurreição (1Cor.15,12-20), é o que dá sentido à nossa fé.
O Catecismo da Igreja Católica, citado pelo teólogo D. Frei Boaventura ofm, no seu livro “KYRIOS”(Senhor), no nº727, diz que: “...toda a missão do Filho e do Espírito Santo se resume no fato de o Filho ser o“Ungido do Espírito do Pai”, desde a sua Encarnação; e ainda afirma: “ Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do Espírito Santo”. Aqui volto a afirmar a DIVINDADE de Jesus. O que caracteriza a messianidade de Jesus é o adjetivo “CRISTO” (ungido), o escolhido do Pai. Aliás, a inserção de Jesus na história humana é um gesto de grandeza de Deus Pai para com o ser humano. O filósofo francês Jean Ladrière diz: “...Cristo é o nosso referencial”. Desde o batismo Jesus recebe a Unção do Espírito Santo para poder cumprir sua missão messiânica (At 10,38). Durante a vida pública de Jesus, em muitos momentos Ele disse que mandaria o Paráclito. “...quando Ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade”(Jo 16,12-15ss). O Espírito Santo é a “promessa do Pai” (Lc.24,49; Ef.1,13); ele virá, nós o conheceremos, ele estará conosco para sempre; nos ensinará tudo e nos lembrará tudo o que Jesus disse; Dele dará testemunho; ele nos conduzirá à verdade completa; ele glorificará a Cristo... Dele receberemos a força do alto, em virtude da qual seremos capazes de produzir frutos: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio.;
Sempre que alguém me procura desorientado, depressivo, desanimado, costumo dizer: invoque o Divino Espírito Santo e ele dará uma luz no fundo do poço. O Espírito Santo é aquele que fortalece a Igreja através de seus dons, a saber: o dom da sabedoria, que é aquela verdade que nos torna felizes; o dom do entendimento pelo qual aceitamos as verdades reveladas por Deus, mesmo não compreendendo tudo, entendemos que ali está a certeza de nossa salvação; o dom do conselho, que é a luz que o Espírito Santo nos dá para distinguir o certo do errado, orientando acertadamente nossa vida e a de quem nos pede um conselho; o dom da fortaleza, com o qual obtemos coragem para viver fielmente a fé no dia-a-dia, em quaisquer circunstâncias, mesmo as mais adversas; o dom da ciência, por meio desse dom, o Espírito indica-nos o caminho a se seguir na realização de nossa vocação; o dom da piedade que nos dá o prazer de amar e servir a Deus com satisfação, o Espírito oferece-nos o “sabor” das coisas de Deus; o dom do temor de Deus que é o respeito a Ele por reconhecermos seu amor tão grande. Entretanto, é bom esclarecermos que: “...o Espírito Santo não é o Cristo glorificado. Embora o dom do Espírito Santo venha de Cristo glorificado não podemos identificá-lo com o Senhor Ressuscitado. O Espírito Santo é o continuador da obra salvífica de Jesus Cristo. Como bem diz Frei Boaventura, é uma espécie de “alter ego”(outro eu) de Cristo ou seja, “recebe do que é de Cristo”( Jo16,14.15) quando conduz os discípulos à Igreja, é clara: garantir e prolongar a missão que o Filho, Jesus Cristo, recebeu do Pai, mas sem substituí-lo. Portanto segundo o mesmo autor: “...a liberdade” do Espírito Santo em sua missão na Igreja é limitada por aquilo que o Filho ensinou e determinou, como o Filho encontra seus limites naquilo que o Pai lhe mandou ensinar e fazer (Jo 7,16; 8,26; 12,44-50; O cristianismo sempre e com muita propriedade distinguiu a pessoa de Jesus e o Espírito Santo. Este será o assunto que vou abordar na próxima coluna: O Mistério da Santíssima Trindade como centro de todo o Cristianismo.
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, e Ele vivifica a Igreja, os fiéis, o mundo e a vida em geral. Por isso é que na Festa de Pentecostes precisamos tomar consciência da força que Deus nos deixou à disposição para orientar, clarear, animar a nossa vida. Que o Espírito Santo ilumine a todas as pessoas que a Ele se dirigem.
Pe. Ari Antônio da Silva
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela RS.
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