Comparações e definições
O folclore nos apresenta, seguidamente, expressões que, por si só, já “dão o seu recado”, das mais variadas maneiras e situações, desde simples comparações até advertências, alertas e, não raro, alguns “puxões de orelha”.
As comparações, vale dizer estão presentes no dia a dia de todos os povos, independente de língua, etnia, posição social, raça ou credo religioso...
Desanimado que nem baile sem cordeona - para o gaúcho autêntico, a cordeona, ou gaita de foles, é o principal instrumento musical. Assim, para ele, um baile sem cordeona não tem animação; é sem vida, sem entusiasmo. Daí a comparação. Diz-se de tudo o que for ou estiver desanimado: pessoa, festa, local etc.
Mais faceiro que guri em dia de Reis - antigamente, e mesmo até há pouco, no interior gaúcho, o dia de Reis ou dia dos Reis Magos (6 de janeiro) era o equivalente ao dia de Natal da atualidade, que o comércio popularizou e explora. Era o dia de alegria dos guris. Aplica-se a todo aquele que for ou estiver faceiro, satisfeito.
Mais seco que charque de um ano - charque é carne salgada e seca ao sol. Se em pouco tempo o charque fica bem seco, imagine-se depois de um ano... Diz-se das pessoas muito magras e de tudo o que apresentar-se ressequido, além de outras aplicações fáceis de vislumbrar.
Manso como gato de bolicho - por força das circunstâncias, o gato de bolicho (armazém, taberna, casa de negócio), que em muitos casos passa a maioria do tempo em cima dos balcões, torna-se imensamente manso e dado com todos. A comparação aplica-se a outros animais que sejam bem mansos, dóceis, submissos.
Mais quieto que cachorro embarcado em canoa – dispensa comentários, pois basta imaginar um pescador levando seu cusco junto.
Usos e costumes que sobrevivem à globalização e “teimam” ainda em fazer parte da vida principalmente do homem do interior do Rio Grande do Sul... a nossa terra!
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