Deixemos a ironia de lado, porque crônica não é só isso. Vamos falar de uma terceira coisa certa na nossa vida: o amor – tão presente quanto o ar que respiramos e encravado entre a vida e a morte. Vai dizer: é uma das coisas mais certas na nossa vida, embora entre o início e o fim haja muito mais para se colocar – trabalho e estudo, por exemplo.
Bem... O amor nasce conosco e se manifesta desde que a gente nem se entendia como gente. Do ventre ao calor do seio da mãe, ele cresce até os desejos da adolescência. Aí, quando a namoradinha se vai, o mundo cai; ou seja: aquilo tudo não é eterno como se pensava, e o coração começa a trilhar um caminho tortuoso entre paixões e decepções – peças pregadas pela vida que devemos entender como crescimento.
Assim é que o amor continua a crescer: no construir e no desabar; no começar e no acabar em um mundo mole chamado coração. No início, a gente ri de qualquer bobagem dita por quem nos devota paixão; no final, as diferenças começam a sinalizar o naufragar do barco. É a inconstância do ato em si.
Finalmente, chega a idade adulta e o amor muda de figura. É pintado nos anos de dependência, no desejo, no tesão, nas loucuras e nos fiascos. Desmembra-se da paixão no avançar dos anos de aconchego a dois e se realiza no construir o dia-a-dia, no suportar da rotina.
Camões, ao dizer que o amor é fogo que arde sem se ver, entendeu-o como ninguém. Seria preferível, assim como ele, buscar uma definição exata e até ilógica a esse sentimento.
Exata, no sentido de que vai se amar melhor do que se amou hoje; ilógica quando, por exemplo, deixa-se na incerteza dos tempos um sopro de esperança num coração conquistado. Pode uma coisa dessas?
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