Assim como a literatura, a pintura ou a escultura, a música tem seu lugar garantido como arte. Como co-responsável pela evolução do pensamento do homem, ela ultrapassou gerações, aperfeiçoou instrumentos, ganhou vez nas gargantas e pulmões de sopranos e tenores. Foi a arte de tudo o que se podia chamar de romântico – não só no sentido de paixão, mas na questão de gosto.
Foi. Passou por estilos dos mais variados. Contagiou, apaixonou e emocionou até partir do ápice à queda, ou seja, das letras de conteúdo para as composições pobres. Hoje, apesar de ainda cultivar a figura da arte, a música deixou para trás a melodia dos versos em letras que nos faziam pensar em troca de embalos e saracoteios. E a variação fica apenas na forma de se contorcer.
É tudo diferente da música dos anos 50, da Beatlemania dos 60 ou das discos de 70 e poucos. Não se vê nem a rebeldia da Tropicália da lacuna entre essas décadas, pois debaixo dos caracóis dos seus cabelos jamais voltará a ser o que era. Por isso, não espere o funk assumir ares de rebeldia em forma de poesia. Não há uma ideologia por trás da canção; há o simples alvoroçar de um rebolado sem sentido e vago – momentâneo.
Como o tempo não pára, como dizia Cazuza, é complicado tornar absolutos certos conceitos. Coitado de quem chamava a música dos anos 80 de pobre! Ou estagnou no tempo ou morreu antes da hora a ponto de perder a pobreza da atualidade, na qual o barulho, a mistura desordenada de instrumentos e as composições medíocres alimentadas pelo gosto popular dão o tom. Quem parou, na verdade, foi o pensamento em melodia.
Não leve em conta radicalismo ou apologia ao extremo gosto clássico ou gregoriano. Apenas é preciso conteúdo – remexer o cérebro, os sentimentos eternos e até o senso crítico nos raps do Gabriel o Pensador. Viva o samba, a MPB, a gaúcha, o rock e todos os estilos nos quais impere a riqueza musical! Conteúdo zero, nem pensar!
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