Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1234
Hoje: 03/09/2010

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

O LIMIAR DE UMA CIVILIZAÇÃO
Caro leitor! Nada que pertence à imanência da história tem um crescimento contínuo e infinito. Tudo tem seu começo, meio e um declínio. Por isso quem aposta no desenvolvimento econômico contínuo sempre se defrontará com grandes decepções. Portanto, cuidado! Volte seu olhar para a história e esta lhe mostrará a grande lição. Grandes civilizações, impérios suntuosos e de grande poder, emergiram, e, da mesma forma se desintegraram e normalmente, quando afrouxaram os princípios, os valores e a moralidade. Que o digam os “Historiadores”, expert nessas áreas. Através de apurados estudos, como a Arqueologia, a paleontologia, a geologia, a física e áreas afins, vem à tona um passado de grandes civilizações e o fim trágico de muitas que desapareceram de forma misteriosa e que são uma incógnita até hoje. Ora, isso vem comprovar a precariedade, como também a provisoriedade de tudo. Nada que existe dentro do tempo tem durabilidade infinita, tudo é imanente e relativo. Este quadro acima exposto deve nos fazer pensar e analisarmos nossa conduta individual e comunitária. Para onde estamos direcionando nosso olhar? Para o Absoluto Transcendente que é Deus ou absolutizando o mundo imanente das coisas?
OS RISCOS DOS “MESSIANISMOS” DO HOMEM PÓS-MODERNO.
Caro leitor! Uma das formas de manifestação da interioridade do ser humano é a cultura. A palavra cultura, do latim “cultus’= cultivar. Nela, o homem externaliza aquilo que permeia no seu interior. O avanço da tecnologia hoje é algo extraordinário e a rapidez com que se processa as mudanças, é algo que pessoas da minha geração, nos deixa atordoados, perplexos e desnorteados. A precocidade das crianças e dos jovens nos assusta. Os valores e contravalores se misturam de uma maneira que a vida em vez de facilitar, torna-se cada vez mais complexa e confusa. A prova disso, é a fuga daqueles que tem oportunidade de fazer o caminho inverso de alguns anos atrás. Em vez de migrar para os grandes centros urbanos, agora procuram retornar ao interior e viver em harmonia com a natureza, buscando sossego, paz e o encontro consigo mesmo e com Deus. Esta é uma das razões de muitos contemporâneos ocidentais terem fascínio pelas religiões orientais de natureza medidativa e contemplativa. Na Igreja Católica ocorre um fenômeno interessante: as Ordens Religiosas contemplativas, monásticas, bem como os seminários que têm uma vida de estudo sério, disciplina, oração e silêncio são os que têm maior perseverança. Este é o grande sinal de que os “messianismos da cibernética” de alguma forma frustraram as expectativas da atual civilização que centrou seu ideal na horizontalidade humanística, prescindindo o homem da Transcendência.
QUAIS OS “MESSIANISMOS” CONTEMPORÂNEOS?
Para responder a esta pergunta lanço mão do médico psiquiatra, Vicente Madoz. Observe o que ele diz: 1-os anseios desmedidos de poder, de um lado e de outro os estados de irritabilidade e de impaciência ligados a eles. Ambos são terrenos férteis para a manifestação violenta e para o abuso de outras pessoas. 2-o bombardeio constante de estímulos sem fim; os barulhos intermináveis e as luzes incessantes; o altíssimo nível de riscos compartilhados, seja no trânsito, no trabalho ou no lazer; a anulação permanente de nossa individualidade, o que nos deixa alerta para a defesa ou ataque.3-a inexistência de normas claras, universalmente partilhadas, que não contribui para dar segurança e tranqüilidade. Todo o mundo tem o direito de opinar e dá o mesmo valor para qualquer opinião, isto produz um clima de incerteza e desconcerto que eleva as cotas de irritação e a vivência de ameaça. 4-respira-se uma atmosfera de anomia e desaraigamento. Não sabemos onde ancorar, não temos refúgio protetor seguro, estamos desorientados como se estivéssemos em uma selva de riscos e inimigos ferozes.5-a técnica e a ciência, que nos prometeram certeza e solidez em nossos posicionamentos nos abandonaram e nos deixaram vazios de convicções e de esperanças. 6-temos os estados de violência social bem definidos, como o controle férreo das gestões, o dirigismo que uma grande parte dos humanos de hoje estão à beira de respostas agressivas. Tudo isso condimentado com o tempero de uma competitividade superestimulada e apresentada com a auréola do desejável. (cf.Madoz- pp.269-270).
HÁ PERSPECTIVA DE UM MUNDO MELHOR?
É diante deste panorama sinistro que aparecem os “pseudos-messianismos”. Em Lc.21,5-19 onde fala do fim dos tempos, Ele, nos chama atenção. “Não corram atrás dessa gente que fala do fim do mundo”.
Quando se desintegrou o grande império romano, os cristãos da época não ficaram inertes ante o colapso da civilização românica, mas se tornaram os grandes protagonistas de uma nova civilização, pois quanto ao fim do mundo disse Jesus: “(...)nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem sabe, somente o Pai”. Ora, todos os movimentos atuais que dizem que o fim do mundo será no ano de 2012, são falsos.(cf.Lc.5,37;At.5, 37). Precisamos é estar sempre preparados, mantermos fidelidade a Deus, pois é a Ele que cabe dizer quando será o fim dos tempos, Ele é o Senhor da História. Todos os livros, revistas, artigos, cálculos que pregam o fim do mundo são de falsos profetas. É perda tempo! Aproveite melhor este tempo!
Caro leitor! Pense e reflita!
Pe. Ari Antônio da Silva
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela – RS

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