Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1235
Hoje: 03/12/2008

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Seção: Guia de Pesca

Olho por olho, dente por dente

Imagem da notícia: Olho por olho, dente por dente Enchemos o saco de viver em uma sociedade na qual nós, cidadãos de bem, somos os excluídos – privados de sair tranqüilamente na rua; enjaulados feito um animal nas grades da nossa própria casa; temerosos pelo que possa acontecer no dia-a-dia, que mais parece uma selva. Direitos humanos um pouco para nós, por favor! Por que só bandido tem abrandamento?
Ora, estamos fartos de leis em favor dos excluídos que matam e daqui a pouco passeiam no meio da gente. Se nós, cidadãos de bem, roubássemos uma galinha para saciar a fome, teríamos punição maior à de um estuprador ou à de um assassino. Sabem como é...
Gozado... Pra ser juiz, deve-se estudar; pra ser delegado, estudar; pra ser gari, estudar...
Só não é obrigado a isso quem faz as leis, pois a “vontade do povo” nas urnas deve ser respeitada – e nós, penalizados pelo voto ignorante e massivo, que permite a muitos pleitear cargos públicos através de eleições à custa de cachaça, de ranchos e de outros favores. Por isso, nada muda. Crime vai, crime vem e sempre seremos orientados a culpar tragédias como a recente em Canela contra uma criança, cometido por duas verdadeiras diabas, pela falta de educação, pela desestrutura das famílias e uma série de coisas. Quer dizer: qualquer ação radical é suprimida porque temos que pensar eternamente no que fazer socialmente. Quando acontecer algo a um parente de deputado ou de senador, talvez a coisa parta para a ação.
Mas nos tornar ativos com a pena-de-morte sem mais nem menos não é a solução. Como diz um provérbio, o castigo para um criminoso é continuar a viver, não morrer. Para isso, só um Código de Hamurabi através do qual o marginal fosse punido, na mesma moeda, pelo que proporcionasse à sociedade: dor. Afinal de contas, está mais do que na hora do olho por olho, dente por dente. Fez, pagou.
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