UM NOVO “ANO LITÚRGICO”
Caro leitor! Com a solenidade da Festa de Cristo Rei do Universo, celebrada no domingo passado, a Igreja concluiu as celebrações que chamamos de: O “Ano Litúrgico”. É importante observar, que o ano civil inicia no dia 1ºde janeiro e encerra-se no dia 31 de dezembro. Ora, o calendário litúrgico tem uma dinâmica um pouco diferente, ou seja, inicia com o 1ºdomingo do advento e termina com a Solenidade de Cristo Rei. O sentido é: CRISTO é o princípio e fim de tudo. Esta realidade é representada por duas letras do alfabeto grego: ALFA e ÔMEGA. A Igreja ao longo dos séculos na sua pedagogia, procurou organizar no período de um (1) ano, todos os principais acontecimentos que envolvem o Mistério da Salvação, para que os cristãos a partir deste calendário, pudessem vivenciar uma espiritualidade pessoal e comunitária, projeto este, que Deus tinha e tem para a humanidade. Para tanto, escolheu um povo e o preparou durante séculos para a “SUA” inserção no meio da humanidade, o que teologicamente chamamos de “Mistério da Encarnação”. Este povo era pobre e nômade inicialmente. Deus respeitou a cultura e conhecimento desta gente, suas grandezas e limitações. Dentro dessa realidade preparou o “ninho” para a vinda do Messias, esperado com tanto ardor por todos os povos. Curiosamente, todos os povos de então, tinham uma semente dentro de si dessa esperança, é claro sem muita clareza. A verdade é que muitos textos do Antigo Testamento, também vamos encontrar em outros povos.
A ORIGEM DA SOLENIDADE DO SANTO NATAL
Tomando como fonte o teólogo Adolf Adam, doutor em teologia da Universidade de Mongúcia na Alemanha e especialista na área, afirma: “Na Antiga Igreja dos 3(três) primeiros séculos, não havia outra festa além da celebração semanal do mistério pascal e sua celebração anual. Esta situação se modifica no início do século IV. A partir desta data a Igreja procurou organizar os momentos fortes do mistério da salvação, desdobrando parcialmente.(cf.Adam, Adolf – O Ano Litúrgico – Sua história e seu significado segundo a renovação litúrgica – Paulinas- SP – 1982 – p.121). Entretanto, continua o autor, no que toca às origens do Natal, foi introduzido a partir de uma causa “apologético-histórico-religiosa”, ou seja, o Imperador Aureliano no ano 274, introduziu em todo império a festa pagã do “deus-sol invencível”(=Natale solis invictus”, em honra do deus-sol sírio de Emesa e fixada no solstício do inverno, ou seja, 25 de dezembro. O objetivo era manter coeso todo o império e consolidá-lo. Ora, para imunizar os cristãos, desta conjuntura, e a força atrativa desta festa pagã, a Igreja de Roma contrapôs a “festa do nascimento de Cristo”na mesma data. Para isso alegou textos da Bíblia como (cf.Ml.3,20), onde chamava o Redentor de “O Sol da justiça”. No Novo testamento o próprio Cristo dá a si próprio o título de “luz do mundo”(cf.Jo 8,12) e segundo o prólogo de São João veio a este mundo como “a luz verdadeira que ilumina todo o homem”(cf.Jo 1,9)”. É claro, que a data correta do nascimento de Jesus não é 25 de dezembro, mas foi uma forma dos cristãos da época responderem aos seus concidadãos pagãos, mostrando que a única e verdadeira luz é “CRISTO”. Caro leitor! Por isso o conteúdo primitivo da festa do Natal é a “Encarnação do Homem-Deus” e sua manifestação ao mundo dos homens.
A PEDAGOGIA DO ADVENTO
Assim como no início da Igreja havia um tempo de preparação para a Páscoa, o Natal também recebeu um tempo de preparação. Aliás, após o Concílio Vaticano II, a Pastoral adotou o sistema das “Novenas de Natal” em família. O nome “advento”=vinda. Dentro da consciência popular cristã, acabou tomando um tempo especial na espera da festa do nascimento de Cristo. Dentro da evolução histórica do advento, encontramos indícios não na liturgia romana, mas na Espanha sobretudo na Gália, certamente por influência do Oriente que tinha uma estreita ligação. Para a Igreja Oriental a festa mais antiga era e é a do Natal. Em algumas Igrejas, também era uma data importante da administração do Batismo. Em Roma os primeiros indícios do advento aparece em meados do século VI. Roma adotou 4(quatro)semanas, mas outros tem seis semanas, é o caso hoje da Igreja de Milão na Itália, são 6(seis) semanas.
A CELEBRAÇÃO DO ADVENTO HOJE
A Igreja reforçou ainda mais este tempo, até porque, a economia de mercado desviou muito o verdadeiro sentido do Mistério da Encarnação de Cristo na história. No Brasil, se insiste nas Novenas em família, a busca da penitência, a oração e a reflexão em torno do autêntico significado teológico do Natal para a Salvação da humanidade. O desafio hoje, é combater a dessacralização e o fenômeno da secularização que quase conseguiram transformar o Natal do Senhor numa festa exclusivamente pagã e comercial. Ex.duendes, gnomos, papai-noel e outras coisas que nada tem a ver com o “Mistério da Encarnação”, só serve para confundir as crianças, os jovens e os cristãos menos avisados. É o dedo da Nova Era. Caro leitor! Pense e reflita!
(continua no próximo número – tema: O mistério da Encarnação)
Pe. Ari Antônio da Silva
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela – RS.
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