Símbolos do RS: O Laço
Instrumento indispensável na lida campeira, o laço guarda em suas rodilhas, toda a história desta terra. Conforme o Dicionário de Regionalismos (Zeno e Rui Cardoso Nunes), “é uma corda trançada de tiras de couro cru, de comprimento que varia de 8 a 18 braças, ou seja, de 17 a 40 metros; é constituído da “argola”, “ilhapa”, “corpo do laço” e “presilha”.
O mais típico dos utensílios campeiros usados no dia a dia no campo, o laço é citado, de há muito, em prosa e verso...
Quadrinha popular:
“O tatu foi encontrado / no cerro de Viamão;
de bola e laço nos tentos / repassando um redomão”.
Romanguera nos diz: “O Laço, arma de que fizeram algum os rio-grandenses em diversas guerras em que se tem empenhado, foi encontrado, segundo Nicolau Dreys, nas mãos dos indígenas; porém ignora-se de quem o receberam. O gaúcho faceiro carrega o laço com variada e requintada elegância. Além de ser uma arma de valor para prender o inimigo, serve para o campeiro em qualquer lugar, segurar o cavalo para seu uso ou a rês poara sua alimentação”
No Dicionário de Moraes, temos: “ O laço quando não está sendo utilizado é conservado enrodilhado e guardado sobre o chão ou assoalho e, jamais, suspenso na parede ou cabide, porque assim, se tornaria ressequido. Não se deve também lubrificá-lo com sebo ou outra graxa, e sim passar-lhe um pedaço de carne verde, especialmente fígado de rês. Ou então, cobri-lo por alguns momentos com a bosta existente no bucho da rês, quando ainda quente, após a morte...”.
Cyro Gavião in, “Querência Xucra”:
“... mais tarde, quando eu morrer, / velho traste de galpão,
ao parar o coração / que tão alegre hoje soa,
laço velho, guasca à toa, / eu te quero enrodilhado,
no meu caixão de finado / fazendo vez de coroa!”.
O Laço, em cada tento, em cada palmo, em cada rodilha, podemos ter certeza, conta um pouco da história do Rio Grande do Sul... a nossa terra!
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