Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1236
Hoje: 03/12/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO
O “Novo Ano Litúrgico” que iniciamos no domingo passado, exige de nós uma maior compreensão do seu significado. Muitos de nossos bons cristãos muitas vezes não sabem com clareza a distinção entre a “Encarnação de Deus”, na história humana e a crença na “reencarnação”. Ora, são dois aspectos completamente diferentes. Vejamos: O Mistério da Encarnação é Deus que sempre existiu e quis dar-se a conhecer aos homens e mulheres entrando na história humana. “(...) Eis a revelação fundamental para a Encarnação do “Logos”. Pode parecer estranho que se use a palavra en-carnar(literalmente: fazer-se carne) para designar a ação central de Deus em nosso favor. Pareceria melhor dizer “humanar”, como expressão mais clara para dizer que na realidade o Verbo se fez homem perfeito, com corpo e alma humanos. A razão principal dessa opção está na versão literal do vocábulo grego “sarx”=carne, que traduz o hebraico “bazar”, empregado também para designar o homem em sua totalidade. Com a palavra “Encarnação” acentua-se a realidade do corpo de Cristo”(cf.Kyrios – Kloppenburg, Frei Boaventura ofm – Ed.Ave Maria – 2000 – p.15). Para que acontecesse isso, Deus escolheu um povo, simples, pobre e nômade. Ora, Deus poderia ter escolhido outro povo, de outra nação, mas escolheu 1(um) e o preparou para ser o portador do Messias. Segundo Kloppenburg, “(...) nossa fé no mistério da encarnação do Unigênito Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, tal como é professa pela Igreja cristã de tradição católica, ortodoxa e reformada protestante, não teve sua origem em alguma especulação humana, filosófica ou religiosa natural, ela é simplesmente a “verdade revelada por Deus na Nova Aliança”(cf.ibidem p.11). E continua o autor: “(...) Nazaré foi a localidade da Galiléia escolhida como pátria do Verbo encarnado. Era um povoado insignificante que nenhuma vez é citado nem no AT e nem nos registros do historiador Flávio Josefo. Todo contexto humano imediato da encarnação é desconhecido, modesto e humilde”(cf.ibidem p.21).
E A “REENCARNAÇÃO”?
Pelo contexto explicitado acima, pode-se perceber que não há nenhuma coincidência com a Encarnação de Cristo na história humana. Caro leitor! observe, que a “Encarnação” é Deus que se rebaixa (Kenosis em grego), sem abandonar a sua condição divina. Ele se torna “Homem” sem deixar de ser Deus. “(...)Ele se assemelha em tudo ao homem, exceto no pecado”(cf.Heb. 4,15) e Kloppenburg diz: “(...) renunciou à glória externa, a que teria direito, conservando sua divindade “(cf.ibidem p.14). A expressão “despojou-se” a si mesmo revela “(...) uma decisão pessoal, mas um ato que afeta profundamente a pessoa como modelo de amor humilde para os seguidores de Jesus(cf.ibidem p.15).
Ora, a “reencarnação” é exatamente o contrário da “Encarnação”. Pois, na reencarnação é o homem mortal, pecador, afogado nas suas misérias e pecados que tenta “novas vidas” para se redimir de suas culpas. Na verdade esta crença e atitude é a recusa da “Salvação” oferecida por Deus em e através de seu Filho Jesus Cristo. É a busca da “auto-salvação”. É um círculo vicioso, triste, egoísta, orgulhoso e desesperador. Portanto, quem crê na “reencarnação” não aceita Jesus Cristo como Deus e Homem, o enviado do Pai, para salvar a todos nós. Nós em Cristo já estamos salvos, contudo, Deus respeita a decisão de cada um. Não posso ser cristão e reencarnacionista ao mesmo tempo. Ou aceitamos Jesus como Deus e Homem que veio para nos salvar ou não somos cristãos. A recusa é Deus quem julga e não nós.
A ESPIRITUALIDADE DO ADVENTO
O Tempo do advento nos convida a refletirmos e vivenciar o “Mistério da Encarnação”. As 4(quatro) semanas do advento nos apresenta textos bíblicos para aguçar nossa fé e esperança rumo ao futuro. Vejamos a dinâmica das semanas do advento: O 1ºdomingo do advento nos fala da segunda vinda do Senhor e nos exorta a vigilância(cf.Mt.24,37-44), o 2ºdomingo do advento contém a pregação da penitência de João. “Convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo” (cf.Mt.3,1-12); “fazei-vos batizar para receberdes a remissão dos vossos pecados”(cf.Mc.1,1-8). As leituras do NT proclamam a Cristo como Salvador(cf.Rm.5,4-9). O 3ºdomingo do advento nos convida a tomarmos parte na alegria do advento: “Alegrai-vos sempre no Senhor, alegrai-vos! O Senhor está perto”(cf.Fl.4,4s). O 4ºdomingo do advento nos coloca mais próximo da preparação para a festa do nascimento do Senhor. Neste domingo o evangelho nos chama a atenção do conflito interior de José e a mensagem que o anjo lhe transmite segundo a qual ele deve receber Maria, sua mulher, pois o Filho que ela espera, vem do Espírito Santo...e salvará o seu povo dos seus pecados”(cf.Mt.1,18-24). Por isso é que a bíblia sempre afirma que José era pai adotivo de Jesus. Por quê? Pense e reflita!
(continua no próximo número: tema: Como se deu a Encarnação e qual o motivo desta manifestação de Deus)
Pe. Ari Antônio da Silva
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela – RS

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