Sob a sombra do rabo-preso
A cada amanhecer, tem gente que desperta não somente com as tarefas rotineiras, mas sim com a sombra do rabo-preso – aquela perseguição cruel cuja revelação pode revelar os podres de cada um. É que qualquer sujeito tem seu rabo-preso de cada dia, em todos os gêneros e tamanhos.
Isso não significa unicamente a gravidade do rabo-preso mas, da forma como se vive, é impossível não se encontrar assim em algum momento da vida. Namoro, trabalho, estudo, família... Fácil demais para um engate tão cotidiano e, por vezes, muito perigoso. De tão comum, há respeito mútuo, pois alguém sempre sabe da vida alheia. É como estresse: pega qualquer um.
Certas amarras são medonhas que são dignas de parábolas. Há quem adore posar de “pavão” para se revelar a ovelha defensora do pastor na frente dos outros, por exemplo. Nos bastidores, porém, poucos sabem de certos (hãã...), digamos assim, hábitos de um passado nem tão distante, como promover rodas de chimarrão em meio a um banho coletivo, dinâmicas de toque e tal... Frustração, desequilíbrio... Sabe como é...
Daí vale até contar o milagre e não anunciar o santo do pau oco. Afinal, “à noite nem todos os gatos são pardos” e a gente não precisa estar lá para o babado aparecer. Sempre tem alguém, “sob um céu de blues”, a mostrar que nem todas as ovelhinhas do rebanho têm a pele alva como a neve.
Pois é... Dá pra sentir que rabos-presos existem em todos os níveis. Há quem pense em aliviar o fardo com a ajuda de “bambans” e se esquece de que cada um cuida do seu. O pior, ainda, é que esse alívio imediato cria uma corrente, um ciclo. É como se o nó ganhasse ares de coletividade – um pedaço por cabeça.
Não adianta, pois é assim: no momento em que Eva surgiu, Adão passou a seguir boas regras de convivência. Ninguém vive na anarquia desde a formação da mais pré-histórica civilização. E aí, com a complexidade das relações, surgiu o rabo-preso para entregar qualquer pessoa, na mais clássica comparação de “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”.
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