Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1237
Hoje: 03/12/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

O ENCANTO E O AMOR DE DEUS PELO SER HUMANO.

Deus criou o homem por um especial “encanto e amor”. Talvez o leitor desta coluna pergunte. Por quê? Observe! O texto bíblico que relata a criação do homem e do universo nos apresenta um quadro curioso. Foi um caminho longo que durou bilhões de anos (cf.Gn.1,1-26).
Os cientistas hoje, através de estudos de ponta, sabem que o processo de formação da terra é fruto de uma trajetória complexa, com muitos mistérios, perguntas, incógnitas e outros que nunca terão respostas, pois ultrapassa o limite da compreensão humana. Outro elemento que chama atenção é que o ser humano foi o último a ser criado. Após Deus ter criado todas as criaturas, fica explícito que foi preparado um verdadeiro “ninho” carinhoso para o homem. “(...) Deus criou o homem à sua imagem”(cf.Gn.1,27) e “(...) Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e subjugai a terra(cf.Gn.1,1-28). Caro leitor! Dentre todas as criaturas que Ele criou, nenhuma ele brindou com a seguinte afirmação: “(...) Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”(cf.Gn.1,26). Na verdade, é perceptível que o homem é o ápice da criação. De acordo com a versão da bíblia da editora vozes, nas notas de rodapé, o exegeta comenta: “Deus delibera consigo mesmo quando decide criá-lo semelhante a si. Esta semelhança verifica-se primeiramente quanto à inteligência e vontade, que o torna capaz de relacionar-se com Deus. Mostra-se também no domínio que Deus lhe concede em relação ao resto da criação” (cf.p.29). O homem recebeu a terra habitável e deu o presente da inteligência, do discernimento e da liberdade. Contudo, quando Deus disse “dominai” não significou que o homem era dono absoluto da terra, mas o “administrador”. Entretanto o homem não soube aproveitar desde o início e deixou-se perverter pela soberba, orgulho, a auto suficiência que teologicamente chamamos de “pecado original”. O orgulho sempre foi e é a mãe de todos os vícios. O texto bíblico fala da “arvore da vida”. Este é um antigo símbolo mítico da imortalidade, conhecido no Oriente Médio(cf.Pr.3,18). O autor sagrado identifica a “arvore do conhecimento do bem e do mal”(cf.2,17), que está no meio do jardim(cf.Gn.3,3) e cujos frutos são proibidos(cf.Gn.3,11), com a árvore da vida ou a juventude perene(cf.Gn.2,9; 3,22-24). Continuamos hoje ainda, com sérios problemas ecológicos em nome da “economia de mercado”, da ganância, da soberba e etc. Veja o que diz o texto após a atitude de auto suficiência do homem:”(...) Comerás o pão com o suor do teu rosto, até voltares à terra, donde foste tirado. Pois tu és pó e ao pó hás de voltar” (cf.Gn.3,19). Contudo, apesar do pecado de soberba, Deus não abandonou o homem. Pois o homem foi criado para ser feliz e Deus decidiu fazer algo.

QUAL O MOTIVO DA ENCARNAÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA?
O Catecismo da Igreja Católica nos fornece 4(quatro) razões do motivo de Deus entrar na história humana. São os números 457-460. Vejamos:
1-O “Logos” se encarnou para salvar-nos reconciliando-nos com Deus. “O Pai enviou o seu Filho como o Salvador do mundo (cf.1Jo4,14). “Este apareceu para tirar os pecados”(cf.1Jo3,5). A nossa natureza estava doente pelo pecado e precisava ser reerguida. 2- O “Logos” se encarnou para que assim conhecêssemos o amor de Deus. “Deus é amor”(cf.1Jo4,8.16). 3- O “Logos” se encarnou para ser modelo de santidade. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim...”(cf.Mt.11,19); “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”(cf.Jo15,12). 4- O “Logos” se encarnou para tornar-nos participantes da natureza divina(cf.2Pdr.1,4). Entretanto este quarto motivo não se coaduna com os princípios da Nova Era que quer colocar o homem no centro do universo em lugar de Deus. Nós apenas tivemos o privilégio de participar da divindade e a amizade de Deus, pois, sem Ele nada somos.

COMO DEUS SE ENCARNOU NA HISTÓRIA HUMANA?
Para responder lanço mão dos estudos do grande teólogo D. Boaventura Kloppenburg,ofm, perito do Vaticano II. “(...) a concepção virginal de Maria é obra divina, que ultrapassa toda a compreensão e toda a possibilidade humanas, (...) Jesus foi concebido do Espírito Santo, sem sêmen humano. (...) as informações não cabem em nossas categorias humanas normais e naturais. (...) aquele menino que nasceu em Belém não era nem “normal” nem “natural”. Era singular, caso único, sem categoria. (cf. Kyrios – Kloppenburg ofm – Ed. Ave Maria – 2000 – p.26). O autor observa que este fato o racionalismo iluminista não admite a priori e rejeita como mito ou lenda. Entretanto, Kloppenburg, lança mão da ciência biológica à luz da genética que estuda as leis da transmissão dos caracteres hereditários nos indivíduos. Todos sabemos que os pais ao gerar um filho(a) transmitem a este(a) traços positivos e negativos de ambos. Ora, se Jesus era o Verbo que se fez carne, significa que sempre existiu. Para sua inserção na história desde o 1ºinstante, quando ainda era zigoto, estava hipostaticamente unida ao Filho Unigênito do Pai, o Verbo, a Palavra e a 2ªPessoa da SSma Trindade. Seria sem nenhuma mancha nem herança de pecado, coisa que José, o esposo, por mais justo que fosse, teria sido incapaz de transmitir(cf.ibidem p.28). Conclui o autor: Assim iniciou o Senhor Jesus a mais pura existência humana que o mundo conheceu”(cf.ibidem p.29). É tão grandioso este mistério do amor de Deus a nós, que, podemos compreender as dúvidas de tantos.
Caro leitor! Pense e reflita. (www.catedraldepedra.com.br).
Pe. Ari Antônio da Silva - parisilva@hotmail.com
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela - RS

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