Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1238
Hoje: 03/12/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

A VIDA DE JESUS ATÉ OS 30 (trinta) ANOS
O tema desta semana tem o objetivo de abordar questões relativas ao Jesus histórico, a vida familiar em Nazaré, a inserção e a vivência na cultura dos seus contemporâneos e o gradual distanciamento dos laços familiares, para assumir a missão para o qual foi enviado pelo Pai, assim como a consciência de sua messianidade, ou seja, o “Deus-Homem” que veio para elevar a natureza humana, decaída pelo pecado a uma dignidade sem igual.
A FAMÍLIA HUMANA DE JESUS
Antes de falar sobre a família de Jesus, cabe fazer uma observação muito importante relativo à Maria. No artigo anterior, coloquei que Maria ficou grávida por obra do Espírito Santo (cf.Mt.1,18-25). Sim, pois era “(...) indispensável a virgindade de Maria para preparar um óvulo, como cromossomos e genes sem mancha, nem sombra de pecado e sem seqüelas negativas” (cf.Kyrios – Kloppenburg – p.29). Caro leitor! Jesus é Deus que assumiu a natureza humana e não podia ter nada de pecado na sua genética. Quanto à infância de Jesus temos alguns dados importantes: 1-a pobreza em que Jesus nasceu (cf.Mt.2,12). 2-a fuga para o Egito por causa de Herodes que queria matá-lo (cf.Mt.2,13-23). 3-o episódio aos 12 anos quando Maria e José encontraram o menino no templo debatendo com os doutores da Lei. Ora, estes, estavam perplexos com a inteligência e as respostas de Jesus. Onde Jesus tinha aprendido tanto? Após este fato diz a bíblia que Ele “(...) voltou com Maria e José para Nazaré, e era obediente à eles, crescendo em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens”(cf.Lc.2,46-52). “ O crescimento de Jesus se deu em Nazaré, e, nas festas, em Jerusalém, não na Índia, ou no Egito, na Pérsia, na Mesopotâmia, ou em qualquer outro lugar fantasiado por aqueles que desconhecem a natureza inteiramente singular do Logos humanado”(cf.ibidem p.33). Jesus viveu a condição humana como cada um de nós. Uma vida simples, humilde, vida de trabalho manual, religiosa, como os costumes judaicos de sua comunidade. Um fato que chama atenção é que quando Jesus inicia o seu ministério público, ele era conhecido simplesmente como o “filho do carpinteiro”(cf.Mt.13,35).
O CARPINTEIRO, JOSÉ, PAI ADOTIVO DE JESUS.
Seguindo a fonte que me inspira este texto, o evangelista Marcos nos fornece um dado peculiar. Ele chama Jesus “o carpinteiro” filho de Maria (cf.Mc.6,3). É provável que José, falecera e Jesus assumiu a profissão do Pai adotivo. Jesus era o único carpinteiro de Nazaré. Como tal era conhecido. De acordo com esta fonte, talvez tenha ajudado na construção da cidade Séforis, então capital da Galiléia, e que ficava a uma hora de Nazaré e que fora destruída pelos romanos e reconstruída pelos anos 16 ou 17, quando Jesus tinha seus vinte(20) e poucos anos. Lá pode ter tomado conhecimento de usos e costumes da gente da cidade maior, que depois ilustrarão suas parábolas. Lá também terá aprendido um pouco de grego, que lhe permitirá conversar mais tarde, em Jerusalém com Pôncio Pilatos.
OS SINAIS DA DIVINDADE DE JESUS E DO MESSIAS ESPERADO.
Jesus ao entrar na história humana, foi verdadeiramente um ser humano, criatura limitada, cresceu sujeito às limitações do espaço e do tempo, na cultura, na espiritualidade, e, certamente, aprendeu a rezar com Maria. Entretanto é curioso observar, que os parentes, vizinhos, a comunidade em geral percebia algo estranho e diferente neste menino. Veja,caro leitor, o que a bíblia diz em relação à Maria: “(...) sua mãe, conservava as “maravilhas” do Todo-poderoso” e as meditava em seu coração”(cf.Lc.1,49;2,19;2,51.
Aos doze anos, quando ainda adolescente, Jesus faz a primeira revelação de sua messianidade, quando responde a Maria e José “(...)Eu devo estar naquilo que é de meu Pai (cf.Lc.2,49). Neste texto fica claro o distanciamento gradual dos laços familiares, ou seja, aos poucos vai predominar as relações acima dos laços familiares humanos. Esta é a 1ªmanifestação de sua consciência humana de estar hipostáticamente unido com o “FILHO” da augusta Trindade.(cf.ibidem p.33). Muitos sinais ao longo dos textos bíblicos, manifestam com objetividade, a verdadeira identidade e missão de Jesus.
A SOLENIDADE DO SANTO NATAL
É a grande e carinhosa manifestação de Deus para a humanidade. Deus se dá a conhecer, apesar do ceticismo de tantos. “Em Jesus Cristo a natureza divina e a natureza humana se uniram, sem confusão, sem mutação, sem divisão e sem separação, na única Pessoa do Logos (“união hipostática”).”(cf.ibidem p.50). Caro leitor! O Natal nos faz entrar na lógica de Deus, ou seja, o amor para com a humanidade ao inserir-se na imanência da história, a fim de novamente dar dignidade e nos tornar participantes de sua divindade. Somente um verdadeiro Pai, para ter uma infinita misericórdia e perdão aos “fiascos” de ingratidão e soberba do ser humano. Pense e reflita! É momento de agradecer este presente!
Pe. Ari Antônio da Silva – pearisilva@hot-mail.com
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela – RS

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