O município de Canela completa 63 anos de emancipação política hoje, 28. Um grande show será apresentado para toda a comunidade, com acesso gratuito. A partir das 19h, haverá apresentações do “Canela Apresenta” nos jardins da Igreja Matriz.
Para marcar a data, a Academia de Dança Neusa Martinotto realizará o espetáculo “Canela por muitas Razões”, a partir das 21h, também nos jardins da Igreja Matriz. Após haverá uma benção ecumênica e show pirotécnico.
SESSÃO SOLENE
A Câmara Municipal de Vereadores realiza hoje, 28, sessão solene dos 63 anos da emancipação político-administrativa de Canela, lembrando também os 59 anos da instauração do Poder Legislativo. O ato inicia às 19 horas e acontece na Sala das Sessões Cyro Soares Sander. Na ocasião, haverá inauguração de duas galerias: a das legislaturas e a dos presidentes.
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O nome da cidade provém de uma árvore, chamada de Canela, então localizada não longe do local onde está atualmente a praça central da cidade, a Praça João Corrêa. Esta caneleira servia de ponto de encontro e pousada aos tropeiros.
O Coronel João Corrêa Ferreira da Silva foi o desbravador do povoado. Construiu uma estrada de ferro, iniciando a obra por volta de 1913, sendo esta concluída em 1925, ligando Canela a Taquara.
Em 1913, foi criada a “Companhia Florestal Riograndense”. Esta Companhia comprava pinheiros e terras nas redondezas do Caracol. Para exploração desses pinheiros, foram instaladas cinco serrarias. Foi contratado por esta Companhia o Sr. Helmut Schmitt, prático em locação de estradas e instalações de serrarias, que, por conta da Companhia Florestal, mandou construir diversas estradas, desde a localidade do Caracol até o Banhado Grande, Esteinho, Ferradura, Tubiana, etc.
Em 2 de março de 1926, Canela foi catalogada pela Lei Municipal nº 302 como sexto distrito de Taquara. O movimento emancipacionista tomou maior vulto a partir de 1942. Em 28 de dezembro de 1944, pela Lei Estadual nº 717, foi criado o município de Canela, tendo sido instalado a 1º de janeiro de 1945, sendo nomeado como primeiro prefeito o Sr. Nelson Schneider.
Fonte: Site www.canelaturismo.com.br
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1ª Legislatura:
1948/1951
Emílio Dienstmann (PSD); Nagibe Galdino da Rosa (PSD); Julio Travi (PSD); Arnaldo Oppitz (PSD); Claudino Bertoluci (PSD); Altenor Teles de Souza (PTB); Otaviano do Amaral (PTB).
2ª Legislatura:
1952/1955
Plinio Sady Feix (PTB); Benito Bertoluci (PTB); Altenor Teles de Souza (PTB); Francisco Albuquerque Montenegro (PTB); Danton Corrêa da Silva (PSD); Arnaldo Oppitz (PSD); Bertoldo Oppitz (PSD)
3ª Legislatura:
1956/1959
Julio César Corrêa (PTB); Enor Alves da Silva (PTB); Otavelino Zeni (PTB); Pedro Sander (PSD); Cody Albuquerque de Souza (PL); João Wender (PL); Bertoldo Oppitz (PL)
4ª Legislatura:
1960/1963
Pedro Sander (PSD); Bertoldo Oppitz (PSD); Lodovico Inocente Corso (PSP); João Felipe Bohrer (PTB); Otemar Medeiros (PTB); Dante Canani (PTB); Francisco Albuquerque (PTB)
5ª Legislatura:
1964/1968
Ernesto Comellate (PTB); João Felipe Bohrer (PTB); Gilberto Azevedo Souza (PTB); Bertoldo Oppitz (PSD); Rui Viana Rocha (UDN); Kurt Beno Saul (PSD); Adelar Angelo Corso (PL)
6ª Legislatura:
1969/1972
Passam a existir apenas dois partidos - MDB e Arena
Ernesto Comellate (MDB); Idalino Angelo Piva (MDB); Telmo da Silva Pereira (MDB); Ciro Soares Sander (Arena); Rui Viana Rocha (Arena);
Kurt Beno Saul (Arena); Arnaldo Oppitz (Arena)
7ª Legislatura:
1973/1976
Alcidis Rizzi (MDB); Jorge Luiz da Silva (MDB); Jair da Silva Veiga (MDB); Jeferson Valentino Negreli (MDB); Genes da Silva Veiga (MDB);
Rui Viana Rocha (Arena); José Domingos Prates Batista (Arena); Severino Inocente Zini (Arena); Rubem Ari Oppitz(Arena).
8ª Legislatura:
1977/1982
Ernesto Comellate (MDB); Ari Broilo (MDB); Renato Vargas Prux (MDB); Norberto Nós (MDB); Lorival Bazzan (MDB); Roberto Oliveira (Arena); Edie Paulo Raymundo (Arena); Reomildo Domingos Weirich (Arena); Darci Calzetta (Arena)
9ª Legislatura:
1983/1988
11 vereadores - Liberada a criação de novos partidos
Armando Licks (PDT); Lorival Bazzan (PDT); Neri Antônio de Oliveira (PDT); Darci Thomazi (PDS); Rubem Ari Oppitz (PDS); Eno Weber (PDS); Osmar Müller (PDS); João Maria da Silva (PMDB); José Ademir Tegner (PMDB); Paulo Roberto Negrelli (PMDB); Cláudio Roberto Teles de Souza (PMDB).
10ª Legislatura:
1989/1992
Ernesto Comellate (PDT); Valtuir José Bock (PDT); Neri Antonio de Oliveira (PDT); Adelcinio Cristofoli (PDT); Humberto Heidrich (PDT); José Ademir Tegner (PMDB); Paulo Roberto Negrelli (PMDB); Cláudio Hoff (PMDB); Inácio de Oliveira (PMDB); Olicio Port (PDS); Osmar Müller (PDS).
11ª Legislatura:
1993/1996
Antônio Natal de Castilhos (PDT); Gilberto Augusto da Silva (PDT); José Fagundes (PDT); Paulo Nestor Tomasini (PDT); Jacinto Dilceu Dalateia (PMD); João Leopoldo Debastiani (PMDB); Olicio Port (PDS);
José Moacir Cardoso da Silva (PDS); Darci Calzetta (PFL)
12ª Legislatura:
1997/2000
Paulo Nestor Tomasini (PDT); Berenice Felippetti (PDT); José Fagundes (PDT); Manoel Archimimo Licks (PPB); Gilberto Augusto da Silva (PDT); Olicio Port (PPB); Erena Thomas (PMDB); Feliciano Foss (PPB); Julio Vaccari (PMDB)
13ª Legislatura: 2001/2004 – 11 vereadores
Manoel Archimimo Licks (PPB); Olicio Port (PPB); Feliciano Foss (PPB); Eno Weber (PPB); Jean Spall (PDT); Paulo Roberto Negrelli (PDT); Antônio Natal de Castilhos (PDT); Gelton Matos da Silva (PDT); Julio César Vaccari (PMDB); Geraldo Hoff de Andrade (PMDB); Edmur de Camargo Pinto (PSDB)
14ª Legislatura: 2005/2008
Fernando Valle (PP); Idemar Silvano De Nardi (PDT); Geraldo Hoff de Andrade (PTB); Paulo Roberto Negrelli (PDT); André Secco (PSDB); Jean Carlo Monteiro Spall (PMDB); Gilnei Calzetta (PP); Ademar Savi (PMDB); Lorival Bazan (PDT).
Fonte: Livro da Câmara Municipal de Vereadores de Canela, monografia histórica de Maria Aparecida Wolf Cardoso
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1948/1951
Prefeito – Danton Corrêa da Silva (PSD)
Vice – Pedro Sander (PSD)
1952/1955
Prefeito – João Alfredo Corrêa Pinto (PTB)
Vice – Dante Bertolucci (PSD/UDN/PL)
1956/1959
Prefeito – Severino Travi (PTB)
Vice – Pedro Paulo Corrêa Pinto (PTB)
1960/1963
Prefeito – Danton Corrêa da Silva (PSD/UDN/PL)
Vice – João Wender (PSD/UDN/PL)
1964/1968
Prefeito – Henrique Adolfo Spindler (PSD/UDN/PL)
Vice – Günther Siegfried Schlieper (PTB)
1969/1972
Prefeito – Bertoldo Oppitz (Arena)
Vice – João Carlos Wender (Arena)
1973/1976
Prefeito – Ernani da Silva Reis (MDB)
Vice – Ernesto Comellate (MDB)
1977/1982
Prefeito – Günther S. Schlieper (MDB)
Vice – Benito Bertolucci (MDB)
1983/1988
Prefeito – Ernani da Silva Reis (PMDB)
Vice – Jorge Luiz da Silva (PMDB)
1989/1992
Prefeito – José Vellinho Pinto (PDT)
Vice – Darci Thomazi (PDT)
1993/1996
Prefeito - Günther S. Schlieper (PMDB)
Vice – Jorge Brusius (PMDB)
1997/2000
Prefeito – José Vellinho Pinto (PDT) – 8.103 votos
Vice – Darci Thomazi (PDT)
2001/2004
Prefeito – José Vellinho Pinto (PDT)
Vice – Paulo Nestor Tomasini (PDT)
2005/2008
Prefeito – Cléo Port (PP)
Vice – Carmem Seibt de Moraes (PP)
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São 63 anos que Canela vem contando sua história de
independência e buscando ao longo dos anos, manter suas tradições, suas raízes. Nascemos de uma busca por um lugar onde famílias colonizadoras pudessem se instalar plantar e criar seus filhos. Mesmo direcionado para uma nova linha de desenvolvimento, ainda é isto que queremos! Queremos um lugar ideal para viver e criar nossos filhos. Canela é a cidade ideal para isso! Nascido e criado em Canela, sei que a base mais sólida para uma formação é a família. Fui criado nas raízes de Canela e precisamos manter estas tradições familiares que torna a cidade mais acolhedora e encantadora, para nós e visitantes.
A cidade se tornou referencia de turismo ao longo dos anos, aliado ao bom atendimento e a natureza. E isso, temos pela nossa consciência de preservar, manter e organizar. Quem destrói a natureza, destrói um pedaço de Canela, um pedaço de cada família que aqui vive.
O que precisamos é que cada cidadão faça a sua parte pela cidade, ao invés de criticá-la, ajude a, colaborando com Canela, e mantendo vivo o orgulho por nossa cidade.
Canela é a cidade do futuro, projetada para crescer. A história de nossa cidade mostra isso ao longo dos anos. Mesmo com percalços pelo caminho, a cidade, se desenvolve de forma ordenada e consciente. Temos na comunidade a confiança para que Canela a cada dia se torne a cidade dos sonhos de cada um. Pois com a conscientização é que iremos mantê-la bonita, limpa, preservada e organizada. Vivemos hoje sob a benção de sermos os moradores de Canela, pois quem mora aqui é responsável diretamente sobre ela. Não é uma pessoa que faz, mas sim a ação de todos e assim manteremos o desenvolvimento e uma cidade feita para amar.
Cléo Port
Prefeito de Canela
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A Associação Comercial e In-
dustrial de Canela (ACIC) iniciou os trabalhos na cidade como filial da associação de Taquara, em 1942. Sendo liderada por João Kessler Coelho, teve como primeiros associados os seguintes empresários: André Frederico Heiwich, Irmãos Travi, Baldoíno Bohrer, Bertholdo Oppitz, Armazém Saueressig, Nagibe G. da Rosa, Moinho Pilate, a significativa agência Chevrolet, a agência Internacional e a agência Ford, A primeira sede situava-se na casa do secretário que ocupava o cargo na época, onde hoje está localizada a loja Ferragem Piva.
Fizeram parte da primeira diretoria: Ambrósio Maggi (presidente), Emílio Dienstmann (1° vice), João Baldasso (2° visse), Nagibe da Rosa (1° secretário), Claudino Bertolucci (2° secretário), Adarcy Travi (1° tesoureiro), Pedro Oscar Selbach (2° tesoureiro), Eduardo Gans (1° bibliotecário), João Kessler (consultor jurídico). Como conselheiros fiscais contou com Danton Corrêa da Silva, Carlos Walter Rocke, Basílio Travi, Patrício Zini, Constantino Fernandes Raymundo, Silvino Rafael Zanatta e W. Rinaldo Dieterich. Dentre as primeiras melhorias que a Associação levantou, algumas merecem destaque. A solicitação ao Banco do Brasil para o atendimento da Carteira de Exportação e Importação, buscando resolver a situação de falta de crédito enfrentada pelos empresários da região, teve importante participação na fundação da Associação Rural de Canela, trouxe para o município o Instituto Nacional do Pinheiro Floresta Nacional do IBAMA e a sede do SESI.
Atualmente a diretoria é comandada por André Stopassola e localiza-se na Avenida Júlio de Castilhos, 328. Oferece aos seus associados atividades como consultorias, convênios e filiações, além da infra-estrutura da entidade, que possui sala de treinamento.
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A Madeireira Agrícola, uma das maiores fábricas que já existiu em Canela, começou como cooperativa e depois virou uma grande empresa canelense, até ser vendida, no ano de 1972, para três outras fábricas de fora da cidade.
A equipe do Jornal de Canela esteve conversando com Antônio Lemos Gil, que foi funcionário da Madeireira durante 22 anos. Em entrevista ao Jornal, Gil contou toda a sua trajetória dentro da empresa, até a venda. Começou como auxiliar de escritório e, no decorrer dos anos, fez a contabilidade da fábrica, foi diretor comercial e, logo após, se tornou diretor industrial. Na época, a madeireira contava com 200 sócios e
tinha de 80 e 95 empregados. Situava-se onde se encontra o Banrisul atualmente. Possuía filiais em outras cidades como Lajes e Porto Alegre. Seu principal trabalho era exportação de madeira para a Argentina.
Além das filiais, a empresa possuía uma fazenda na cidade de Bom Jesus da Serra, com plantações de araucárias e ilhotes. A venda da madeireira ocorreu no dia 31 de janeiro de 1972, por 20 milhões de cruzeiros, a moeda da época.
Quando realizada a negociação, a empresa possuía mais de 145 mil pinheiros de estoque e mais uma área de reflorestamento de 500 hectares. Após a venda, Antônio ganhou uma procuração dos novos donos para continuar comandando a empresa.
A empresa ainda possuía uma mecânica própria para cuidar dos veículos e das máquinas, que se situava onde hoje é o Açougue e Mercearia Gallas.
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Nos dias de hoje a Rádio Clube de Canela conta com 26 funcionários e tem sua programação dirigida às classes C, D e E. A programação AM da empresa, 1320 KHZ, ganhou nestes anos o Mérito da ACIC, com 88% de aprovação, feito de muito orgulho para o proprietário da Rádio, Pedro Dias.
Dias ressalta que o ponto forte da programação da AM é o jornalismo, onde se destaca o programa Jornal Regional, apresentado pelo próprio Pedro Dias, das 7h às 8h e das 18h às 19h, com as principais noticias da internet. Outro programa apresentado por Pedro é o Balanço Geral, todos os sábados, das 10 às 11h.
Já a FM, 88.5 MHZ, dirige sua programação às classes A e B, tendo como principal programação músicas dos anos 60 e 70. Das 11h às 12h, ocorre o programa Turismo e Negócios. A FM também foi premiada com o Prêmio Mérito ACIC, com mais de 69% de aceitação. A programação da FM é ao vivo, das 6h às 24h.
As duas emissoras estão 100% informatizadas e já estão adaptadas para a digitalização do rádio. Atualmente, a rádio é administrada por pai, filha, genro e neto. Neste ano, a rádio bateu recorde de audiência e faturamento. Na Festa da Música de 2007, a rádio arrecadou 12 toneladas de alimentos não perecíveis para doação.
A emissora FM da rádio está disponível na internet, e no mês de outubro teve mais de 25 mil acessos.
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Como várias cidades do “Brasil Meridional”, Canela, no Rio Grande do Sul, também tem suas origens relacionadas com o “Ciclo do Tropeirismo”, ao qual, além da figura do tropeiro, incluímos também a do carreteiro, pois ambos, por meio de seus legados sócio-econômico-culturais, contribuíram para caracterizar uma das cidades turísticas mais conhecidas do Brasil.
Diante dessa realidade e não havendo um estudo local mais acurado sobre o tema, nos propomos a iniciar a coleta de dados e informações. À medida que tentamos ordenar as informações e reconstruir parte dessa história, nos deparamos com “encruzilhadas” apontando vários caminhos.
O presente texto nada mais é do que uma síntese preliminar do resultado desse estudo, que devido a sua amplitude não está concluso.
Canela está situada na Encosta Inferior do Nordeste, na extremidade sul da Serra Geral. Com os municípios de Nova Petrópolis, Gramado e São Francisco de Paula, compõe a Região das Hortênsias, berço do pólo turístico da Serra Gaúcha.
Com a abertura da “Estrada do Certão” ou “Estrada das Tropas” , na primeira metade do séc. XVIII, os Campos de Cima de Serra começam a ser cruzados por tropas buscando caminhos que ligavam o sul ao sudeste brasileiro. É nesse período que se inicia o povoamento desses campos, através das concessões de sesmarias. Provavelmente, foi no final do século XVIII que cruzaram os primeiros tropeiros por Canela, na busca de encurtar distâncias e encontrar o caminho das tropas.
Um campestre de boa aguada e pastagem abundante, cercado por banhados que serviam de contenção natural às tropas, fizeram do lugar parada obrigatória para sesteadas e pousos de tropeiros. Em virtude da presença marcante nas matas circundares de caneleiras, da família das Lauráceas, o local passou a ser conhecido como “Campestre Canela”. A primeira referência escrita com essa denominação é encontrada no documento datado de 30 de abril de 1821, o qual confere a Joaquim da Silva Esteves a propriedade das terras do “Campestre Canella”.
Com o povoamento do vale do rio Paranhana por imigrantes alemães e seus descendentes, nos anos seguintes ao do início da colonização – 1824 - faz surgir naquelas paragens os primeiros matadouros da região. É nesse período que se intensifica a passagem de tropas de gado vacum por Canela, que dos Campos de Cima da Serra seguiam em direção a localidade de Mundo Novo e arredores para abastecerem de carne as colônias teuto-brasileiras.
Da segunda década até o final do século XIX, moraram no “Campestre Canella”, respectivamente, as famílias de Joaquim da Silva Esteves, Wilhelm Wasum (Guilherme Wasem), Joaquim Gabriel de Souza e Ignácio Saturnino de Moraes.
Iniciado o século XX, João Corrêa Ferreira da Silva compra terras no “Campestre” e traça as primeiras ruas, quadras e lotes, fazendo surgir o embrião da futura vila do 6° Distrito de Taquara, hoje Canela.
O caminho que as tropas percorriam no “Campestre Canella” hoje integra algumas das principais ruas da cidade, em especial parte do trajeto formado pelos seguintes logradouros: rua João Pessoa, avenida Júlio de Castilhos, rua Osvaldo Aranha (trecho urbano canelense da RS 235), rua José Luiz Corrêa Pinto (acesso ao Condomínio Laje de Pedra, passando em frente ao Palácio das Hortênsias - sede de Veraneio do Governo do Estado) e rua Vinte Oito (acesso ao loteamento Reserva Natural da Serra, do Grupo Maiojama). O caminho seguia em direção ao Vale do Quilombo, alcançando o Rio Paranhana.
Esse mesmo trajeto (da Rua Vinte Oito em direção ao município de Três Coroas) foi utilizado por João Corrêa Ferreira da Silva para abrir a primeira “estrada de rodagem” ligando Taquara a Canela, inaugurada em 1903 por Borges de Medeiros, então Presidente do Estado do Rio Grande do Sul. Ainda hoje, em algumas cartas do Município de Canela e em plantas de loteamentos daquele local, pode ser encontrada a denominação “Antiga Estrada das Tropas”.
O vai-vem das tropas gerou grande interesse econômico de imigrantes e descendentes de alemães e italianos pela região, fazendo surgir potreiros de aluguéis para tropas e pensões para tropeiros, além de ferrarias e casas de comércio de secos e molhados.
As tropas se constituíam principalmente de gado vacum, geralmente em torno de cinqüenta a cem reses; excepcionalmente ultrapassavam estas quantias. Vinham do interior de São Francisco de Paula, principalmente das localidades de Lajeado Grande, Lava-pés, Muniz, Juá, Cadeinha, Pai Bitu e Salto, entre outras.
Havia também tropas de mulas arreadas, responsáveis pelo transporte de várias mercadorias destinadas ao abastecimento da vila e fazendas da região. Há registros de porcos nos meses sucessivos aos da safra do pinhão, utilizado na engorda destes animais que eram criados soltos nas matas.
Nesse período também é encontrada na região a presença do mascate ou caixeiro viajante, ou ainda denominado de Musterreiter, deixando importantes contribuições de aspectos sócio-econômicos e culturais. Entre eles destacamos a figura do senhor Arno Lau, que acabou fixando residência em Canela.
A chegada do trem em 1924 proporcionou o rápido desenvolvimento local, facilitando principalmente o transporte de carga. A linha férrea Taquara a Canela passava pelas estações de Sander (Três Coroas), Várzea Grande e Gramado.
Além de tropeiros, Canela teve grande fluxo de carreteiros até o início dos anos 50 do século XX. Ficavam a cargo destes o transporte das toras de pinheiros (araucárias) para as serrarias e das tábuas beneficiadas até a Estação Férrea, seguindo de trem ao destino programado.
Havia carretões puxados por mulas e por juntas de bois. Os de mulas chegavam a trabalhar com três ternos e os de bois com até cinco juntas.
As origens da madeira eram as mais variadas, algumas chegando a 80 km de distância de Canela.
Conforme depoimento de um antigo carreteiro, Henrique Terres de Castilhos (1912-1996), que exerceu a atividade nos anos vinte e trinta do século passado, para se percorrer de carreta aproximadamente 40 km, entre uma serraria na localidade de Juá até Canela, carregada com doze dúzias de tábuas verdes e puxada por cinco juntas de bois, levava-se dois dias, sendo que para retornar gastava-se apenas um dia.
O trecho de maior dificuldade nesse percurso era a travessia do rio Santa Cruz e, pelas características do vau, foi batizado de Passo do Inferno. Inicialmente a travessia era feita mais abaixo de onde hoje está situada a ponte. Construído um pontilhão, o madeirame não agüentou as constantes cheias. A solução encontrada foi uma balsa e uma pinguela (ponte pênsil). Somente nos anos 30 do século XX, após a abertura de uma nova estrada, foi construída a atual ponte de ferro.
Com o melhoramento das estradas e o surgimento dos veículos automotores de transportes, foi inevitável o desaparecimento das profissões de tropeiro e de carreteiro. No início da segunda metade do século XX, quase não se via mais suas presenças em Canela. Era o fim de um ciclo para surgimento de outro: o progresso industrial e suas conseqüências.
Há muitas histórias e estórias merecedoras de registro próprio, de estouro de tropas, cercas e muros derrubados, de “cachorros loucos” (que nada mais eram do que cachorros de tropeiros que se perdiam das comitivas e, famintos, ficavam perambulando pelos arredores), de atoleiros, de crianças que eram recolhidas e trancadas em casa, espiando por frestas e janelas as tropas passarem, e outros tantos relatos que permanecem vivos na memória de muitos canelenses.
* Trabalho apresentado no VII SEMINÁRIO NACIONAL DE TROPEIRISMO e IV ENCONTRO DO CONESUL SOBRE TROPEIRISMO, em abril de 2004, em Bom Jesus/RS.
REIS, Antônio Olmiro; VEECK, Marcelo Wasem; e OLIVEIRA, Pedro Antônio de. Canela por muitas razões... Porto Alegre, EST, 2000, p. 121.
BARROSO, Véra Lucia Maciel. “O CAMINHO DO “CERTÃO”: da integração ao isolamento; in BOM JESUS e o tropeirismo no Brasil Meridional, Porto Alegre, EST, 1995, p. 37.
STOLTZ, Roger. Primórdios de Canela – Nascete Turístico do RGS. Canela, 1992, p. 82.
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A idéia da construção de uma fábrica de celulose começou a ganhar moldes no ano de 1937. Nesta época, a cidade Canela ainda era o 6° Distrito de Taquara, conhecida como Estação Canella. Durante a década de trinta, muitas mudanças foram instaladas no município. Em 1930 foi inaugurada a primeira usina hidrelétrica da região, a Usina da Toca. Na inauguração esteve presente o então presidente da república, Getúlio Vargas. Dois anos mais tarde foi inaugurado o primeiro hospital. Em um espaço pequeno, mas com capacidade para suprir as necessidades do local.
No dia 31 de março de 1938 foi feita uma divisão administrativa e judiciária pelo Estado, onde a sede do distrito Canela foi elevada à categoria de vila. Feita a divisão, existiam 235 casas residenciais, 33 casas de negócios, 12 hotéis e pensões e quatro fábricas.
No dia 13 de maio de 1939, Canela recebia a primeira fábrica de celulose ao sulfito da América Latina. Os idealizadores foram Emílio Dienstmann, vindo de Porto Alegre, e seu irmão Willy Dienstmann. O engenheiro alemão Germano Haberland era o técnico encarregado pela montagem da Fábrica de Celulose e Papel Ltda (FACELPA), atualmente conhecida como Trombini Papel e Embalagens S.A, a maior empresa do município de Canela.
Logo no início, a produção da fábrica era destinada apenas à fabricação de celulose ao sulfito, processo obtido através da mistura de determinados produtos químicos. Usava-se cal e enxofre para a produção bisulfito de cálcio, usado para o aquecimento da madeira.
Posteriormente começou a produzir papel, utilizando a própria celulose ao sulfito como matéria-prima. O método consistia em transformar madeira em celulose e celulose em papel.
A instalação da fábrica foi bastante estratégica e o local escolhido foi a baixada, por ser uma área bastante rica em araucárias e ter um riacho próximo para fornecer água para a fábrica.
Parte da celulose produzida era exportada para países da América Latina, além de alguns estados brasileiros. O material produzido era a manilinha, papel utilizado para embrulhar pães.
No início, a Trombini possuía uma usina termoelétrica que gerava eletricidade para a fábrica e boa parte da cidade. Uma das principais preocupações da fábrica foi sempre com o reflorestamento da cidade. Grande parte dos fundos gerados pela empresa foi investida em equipamentos e tecnologia, contribuindo cada vez mais para a modernização da produção.
Em 1973, o Dr. Ildo Meneghetti transferiu para o Grupo Trombini o controle acionário do empreendimento. Três anos mais tarde, a fabricação de celulose, por problemas técnicos e ambientais. A produção voltou-se à fabricação de papéis para produzir caixas de papelão com papéis recicláveis.
A razão social da empresa passou de Fábrica de Celulose e Papel Ltda para Trombini Papéis e Embalagens S.A. Logo após a mudança, pode-se notar que houve uma redução de despesas administrativas e contábeis.
QUADRO ATUAL
Hoje em dia, trabalham na Trombini 170 funcionários. A produção é de 4.000 toneladas por mês, inteiramente transportada para Farroupilha, onde são construídas caixas de papelão. A matéria-prima da empresa é a sucata de papelão, que após um processo reciclável torna-se novamente matéria-prima. A sede em Canela funciona sete dias por semana e 24h por dia.
Os produtos da empresa são comercializados em países do Mercosul e estados da região sul do Brasil.
A Trombini oferece aos seus funcionários plano de saúde, cesta básica, acompanhamento odon-tológico e participação nos lucros da empresa.
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Em comemoração aos 63 anos do município, a equipe do jornal de Canela visitou um dos grandes pesquisadores da cidade, Antonio Olmiro dos Reis. Proprietário da gráfica Ká & Lá, Olmiro nos recebeu gentilmente, mostrando todo seu arquivo histórico fotográfico e compartilhando as diversas histórias de Canela. Armazenadas em ordem cronológica, o arquivo começa com a origem da cidade, cita os inúmeros eventos de música, concursos de beleza, tradicionalistas e os já conhecidos eventos de Natal e de Páscoa; assim como os acontecimentos marcantes ao longo dos 63 anos de Canela. O arquivo contém diversas fotos raras, na maioria originais.
Durante a visita, Olmiro citou os planos para o próximo ano, que é realizar a construção do Centro de Memória do Trabalho de Canela, que será localizado no sótão da Casa Auxiliadora, onde poderá mostrar amplamente suas relíquias históricas. Esta realização é um sonho antigo, mas ainda não pode ser realizado por falta de verba.
No próximo ano, Antonio Olmiro dos Reis completará 40 anos como pesquisador e colecionador, ou seja, desde 1968 vem contribuindo de forma voluntária para a história de Canela.
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Em 1953, foi iniciada a construção da atual Igreja Matriz, sendo no dia 1º de dezembro deste mesmo ano foi lançada a pedra fundamental, na presença do Reverendíssimo Sr. Arcebispo Cardeal, Dom Vicente Scheerer, do Governador do Estado, dos paraninfos e de grande número de autoridades e fiéis.
No mês de abril, foi lançada a campanha das cadernetas para conseguir fundos para a construção. A aceitação foi boa e o povo colaborou. No final do primeiro mês já havia 72 inscritos. Foram anos de luta pela falta de verba e, por diversas vezes, a obra foi paralisada.
Com o início das romarias em Honra a Nossa Senhora do Caravaggio se contou com mais recursos. Em 1964, foram concluídas as paredes e já revestidas, e também foi demolida a antiga e velha igreja. Nessa época, as missas eram rezadas nos colégios.
Em 1973, as romarias estavam bem mais divulgadas e a arrecadação cada vez maior. Com isso, foi rápido o acabamento da Matriz. Em 1987 foram realizados os últimos acabamentos.
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A atual Paróquia Nossa Senhora de Lourdes foi criada no dia 30 de dezembro de 1937 pelo decreto episcopal assinado por Dom João Becker, desmembrando-se assim dos municípios de Taquara e Gramado. O primeiro pároco João Alberto Hickmann tomou posse em janeiro de 1938.
JOÃO MARCHESI
Um dos padres que marcaram fortemente a sua passagem por Canela foi João Marchesi, que em alguns dias na paróquia já havia conquistado a comunidade pelo seu carisma e perseverança.
Ele chegou a Canela no dia 31 de dezembro de 1944 com 41 anos de idade e 16 de sacerdócio. Sempre carismático e conquistando a união do povo canelense o Padre João Marchesi foi nomeado Cônego em 1956. Em 1977, com 73 anos de idade, Marchesi é nomeado diretor das obras da Matriz assumindo a paróquia o Padre Américo Cemin. Cônego João Marchesi faleceu em 15 de junho de 1977.
IRMÃS BERNARDINAS
Por convite do Padre Alberto Hickmann as irmãs Bernardinas vieram para Canela em junho de 1941 para iniciar os preparativos da instalação do colégio. Em 1942 o ano letivo iniciou com 75 alunos. O colégio foi adquirido pela paróquia em 1978 passando a funcionar como Centro Pastoral, onde aconteciam reuniões a catequese, além reuniões a catequese, além da localização da secretaria paroquial.
Atualmente, como Casa Auxiliadora, estão instaladas salas comerciais. Um salão onde funciona as Cáritas Paroquial. A secretaria paroquial e as salas de catequese estão localizadas junto à Casa Paroquial.
CARAVÁGGIO
A tradicional festa em Honra a Nossa Senhora do Caravaggio, tem em suas atividades de maior vulto as romarias. Ela acontece todos os anos no mês de maio e conta com a participação de milhares de fiéis, que com muita fé acompanham a imagem da Igreja até o Santuário no Saiqui, em romaria a pé e motorizada.
A primeira romaria aconteceu pela primeira vez em 26 de maio de 1961 sob a coordenação dos festeiros Clari Rigotto, Arquimimo Abreu e Argemiro Piccoli.
A imagem de Caravaggio foi doada por Angela Rigotto e o terreno por Theofilo Willrich, Rinaldo e Iolanda Dietrich.
PÁROCOS
A Igreja Nossa Senhora de Lourdes contou com os padres João Aberto Hickmann, João Marchesi, Américo Cemim, Celestino Fitzen, Pedro Stoffel, Paulo Bervian, Lídio Schmeider, Lúcio Forestrs, Nilton Guedes e Edson Batista de Mello, que permanece no cargo.
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Luiz Carlos de Oliveira possui mais de três mil cartões postais, calendários de bolso, folhetinhos de santos, marcadores de páginas e free cards.
O colecionador, que guarda tudo (a maioria catalogada) há mais de 40 anos, começou com cartões sobre o tradicionalismo de Canela, de outros municípios e do Estado. Possui também cartões de países estrangeiros, de paisagens e do escotismo.
Em visita a sua residência, a equipe do Jornal de Canela viajou no tempo, vendo imagens da história de nosso município, como a Igreja Matriz na época de sua construção e os primeiros rodeios crioulos da cidade.
Quem quiser colaborar com doações de cartões podem encaminhá-los para a rua Guilherme Dienstmann, 142, Canela, CEP 95680-000.
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