A EUCARISTIA E A FAMÍLIA CRISTÃ
Caro leitor! Estamos ainda dentro da oitava de Natal, respirando a alegria da solenidade do nascimento do Messias, o Salvador da humanidade. Sem sombra de dúvida, nesta solenidade aparece com grande destaque a inserção de Deus na história humana, dentro de uma “FAMÍLIA”. Com certeza, esse fato não se trata de mera causalidade, mas focaliza a importância da família como núcleo básico de uma sociedade sadia, onde os seus membros nos primórdios de sua existência, devem experimentar e aprender os princípios e os valores, que fortalecerão as futuras relações interpessoais. Ao lançarmos o olhar para a atual sociedade, percebemos traços estranhos na consciência social: medos, inseguranças, desânimos, stress e a falta de direção. Ora, isso tem uma raiz, ou seja, a família passa por uma crise de identidade e princípios. O saudoso e querido Papa João Paulo II, na Encíclica sobre a família, disse entre tantas coisas, duas frases lapidares em relação à mesma: “A família é o grande santuário da vida” e “A família é a grande escola de sociabilidade da sociedade”. Toda a experiência vivida na fase da “anomia” que vai do 0(zero ano) aos 06(seis anos) de idade, marca a criança para toda a vida.
A FAMÍLIA EM TRANSFORMAÇÃO
Nas últimas décadas, percebe-se uma mudança extremamente rápida, acelerada pelos meios de comunicação social no que toca às diversas organizações da sociedade, ou seja, tanto a nível político, social, econômico ou religioso. É claro, que essa realidade tem atingido a família na sua essência. O modelo de família patriarcal e matriarcal, simplesmente na cultura ocidental, desapareceu por completo. Por outro lado, os valores e contra-valores, navegam sem rumo em alto mar, muitas vezes empolgados no balanço do “tudo vale”, que por sua vez deixam as pessoas desconcertadas e indefesas. Portanto, está mais que na hora de reagirmos e tomarmos novamente o pulso do barco, chamado “FAMÍLIA”, para remar a um porto seguro, tendo em vista o futuro da humanidade. Somente através do reforço da família, como instituição, bem alicerçada em autênticos valores, podemos vislumbrar um mundo de esperança e de amor. A família de Nazaré: Jesus, Maria e José continuam a ser no mundo de hoje o modelo de vida familiar.
A FAMÍLIA E OS LIMITES
O escritor Jan-Uwe Rogge, publicou um livro intitulado: “Crianças necessitam de limites”. Desta obra, selecionei alguns tópicos importantes:
1-os pais devem traçar limites claros para os filhos, do contrário terão surpresas desagradáveis.2-colocar limites significa considerar e respeitar a personalidade do outro.3-criar limites é sempre um sinal de amor.4-filhos que não recebem limites sentem-se forçados a exibir comportamentos cada vez mais chamativos no intuito de experimentar os limites.5-a firmeza cria limites e onde se encontram ausentes impera a insegurança.6-pais que não criam regras passam a serem tiranizados pelas crianças.7-os filhos hoje sabem muito bem como persuadir os pais.8-quem ignora e faz pouco caso das constantes transgressões da criança, reforça não apenas uma postura e um comportamento de auto-estima, como um sentimento de consideração e respeito mútuo.9-os filhos sabem como fazer os pais se sentirem culpados.10-a psicologia do desenvolvimento afirma ser principalmente o pai que estabelece limites. Esse, muitas vezes, recusa essa tarefa. Quando o Pai desiste de sua função, os filhos acabam não encontrando a sua própria identidade. 11-filhos sem pai, não raro, se tornam criminosos, já que nunca experimentaram os limites.
Caro leitor! O psiquiatra Horst Petri diz: “(...) muitos dos meninos
que não tiveram pai possuem forte tendência para transgredir limites e comportamentos agressivos, que não raro, sob a influência do meio ambiente não favorável, podem resultar em abandono e criminalidade”.
A ESPIRITUALIDADE DA FAMÍLIA HOJE
Caro leitor! Observe a importância da família no processo saudável de seu crescimento. Deus, ao entrar na história humana, quis fazer parte de uma família, pois é neste ninho que as crianças aprendem a amar, a respeitar, a obedecer, a ter limites. A família contemporânea deve aproveitar o valor da autonomia frisado pela cultura de hoje e evangelizar os filhos através da experiência de Deus dentro do lar. Terá que estar atenta para que a autonomia não se transforme em independência. Dentro desta nova visão, os valores da fé podem ser cultivados e lembrar a família que ela é “Igreja doméstica” e que o centro dela se encontra nos sacramentos, de modo especial: a “Eucaristia”. Bento XVI diz: “A Igreja vive da Eucaristia” e pode-se acentuar que isso vale para a família. A Eucaristia une, personaliza, harmoniza e equilibra as energias do ser humano.
Caro leitor! Pense e reflita!
Pe. Ari Antônio da Silva
Doutor em Filosofia e Vigário da Paróquia de Canela - RS
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