Literatura Oral - As Orações
Nossas maiores riquezas, nossos maiores tesouros, estão escondidos dentro de nós mesmos: é a nossa cultura, o nosso conhecimento, as nossas raízes tão puras e portadoras da mais nobre arte.
Doralécio Soares em seu livro Folclore Brasileiro, nos traz o texto abaixo, recolhido no interior de Santa Catarina (ilha).
Oração contra bruxas:
Quando de um casal nascem sete filhas, sem nenhum menino de permeio, a primeira ou a última será, fatalmente, uma bruxa. Para que isso não venha a acontecer, faz-se mister que a mana mais velha seja a madrinha de batismo da mais nova. São apontados como tal, certas mulheres magras, feias, antipáticas, Dizem que têm pacto com o Diabo, lançam maus olhados, acarretam enfermidades com seus bruxedos, etc. Costumam transformar-se em mariposas e penetrar nas casas pelo buraco das fechaduras. Têm o hábito de chupar o sangue das crianças ou mesmo de pessoas adultas, fazendo-as adormecer profundamente. À marca do chupão deixado na pele, chama o vulgo de “melancolia”.
Para que as crianças não batizadas não sejam atacadas por bruxas, deve-se à noite, conservar a luz acesa do quarto. Sabe-se que uma mulher é bruxa quando dá de apertar a mão canhota, esquerda. Para descobrir a bruxa que chupa o sangue da criança e ela logo apareça, soca-se em um pilão a camisa da criança ou da pessoa por ela chupada. Ela logo se apresenta e pede para que não façam aquilo. Existe também uma oração contra elas; quem a possui consegue descobri-la e prendê-la e também não adormece quando ela à noite penetra em casa. A pessoa assim presumida toma, para prendê-la de um tacho ou uma medida de alqueire e logo que a bruxa entra em casa, emborca o tacho ou a medida e ela fica incapaz de sair.
Há ainda outro processo de identificar uma bruxa: vira-se a lingüeta da fechadura de uma canastra. A bruxa, ao entrar em casa, a primeira coisa que faz é pedir para endireitar a lingüeta.
Manifestações que revelam o folclore do Brasil e, em especial, do Rio Grande do Sul... a nossa terra!
home | topo
© 2005/2008 - Todos os direitos reservados - Empresa Jornalística Nova Época
Quem somos - Fale conosco - Publicidade