Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1242
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Seção: Tradição e Folclore

Tradição e Folclore

Nossa culinária em 1821
Saint-Hilaire, sem sombras de dúvidas, tem sido entre os cientistas estrangeiros o mais lido. Seus “diários”, são ricos e fartos de informações, objeto hoje de pesquisas em sociologia, etnografia, geografia e história do Brasil meridional.
Em suas anotações de viagens, o botânico francês Auguste Saint-Hilaire por essas plagas testemunhou hábitos e costumes do habitante do Rio Grande do Sul em pleno século 19. Nada passava despercebido pelos seus olhos: a topografia, o clima, a fauna, a flora, o habitante, a faina diária, o lazer, etc.
E como não poderia deixar de ser, deteve-se no que diz respeito à culinária bem como aos hábitos alimentares da província daqueles anos...
Fazenda do Deumário, 16 de fevereiro, 3 léguas – “Após ter atravessado desertos, acha-se grande satisfação em percorrer uma região onde alguns sinais de trabalho e de indústria anunciam a presença do homem. Tal o prazer que experimentei pouco a pouco, à medida que me distanciei do Ibicuí.
Vi ainda hoje o local de um rodeio. Gado manso pascentando aqui e acolá. 3 léguas da do Salto. A região continua plana e coberta de pastagens onde se vêem alguns capões.
Ainda hoje fui tão bem recebido quanto ontem. Ao chegar fizeram-me tomar mate; logo após almoçamos carne cozida e frutas. À tarde jantamos bem, sendo servidos vários pratos de carne, feijão arroz, abóbora, pêssegos, figos, melões e melancias. Não faltou o vinho e havia à mesa pão, biscoitos e farinha de mandioca. O arroz fora colhido na região, assim como o trigo que servira ao fabrico do pão e dos biscoitos”.
Homem de visão para a época, ele previu o desenvolvimento da enologia no Rio Grande do Sul, ao observar um ou outro “curioso” fabricando uma bebida apreciada pelos negros e classes menos favorecidas, que preferiam um vinho de baixa qualidade à cachaça da região. Assim, aconselhou os governantes ao incremento da viticultura.
Saint-Hilaire, tendo por objetivo maior coletar dados para estudos sobre plantas e animais, revelou-se um grande conhecedor e divulgador dos hábitos do Rio Grande do Sul... a nossa terra!
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