Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1243
Hoje: 03/12/2008

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Seção: Tradição e Folclore

Tradição e Folclore

Quaresma e Tradição

Está aí, batendo à nossa porta, mais uma quaresma, período que antecede a Páscoa, sempre muito observada pelos tradicionalistas onde, ainda nos dias de hoje, encontramos principalmente entre a gente do meio rural, uma grande preocupação nos aspectos religiosos, com suas prescrições e proscrições, nesse período que culmina com a Semana Santa, encerrando no Domingo de Páscoa.
Tanto a Tradição quanto o Folclore rio-grandenses nos ensinaram e nos legaram valores culturais, muitos deles esquecidos, principalmente pelos Centros de Tradições de hoje.
Um desses valores (talvez um dos mais importantes da tradição gaúcha) é justamente sobre a Quaresma, quando aprendemos que não se deve dançar nesse período (estando aí uma das finalidades do carnaval, que é a despedida das festas profanas e sua interrupção por 40 dias). Mas o que vemos hoje em dia são os nossos Centros de Tradições abrirem suas portas para festas, fandangos, bailes, bailantas e bailões, esquecendo-se do maior dos objetivos e da maior das suas responsabilidades: preservar e divulgar as verdadeiras tradições gaúchas. Nós tradicionalistas, guardiões dessas sagradas tradições fazemos pouco causo para essa história, esquecendo o legado que nos foi transmitido de geração a geração por nossos antepassados.
Além de CTGs, já vi baile até em salão paroquial durante a quaresma (ainda não vi, durante a Semana Santa!) Até quando veremos essas manifestações contrárias aos nossos usos e costumes?
Acredito ser uma espécie de “síndrome de perda de identidade” que começa com o abandono desses hábitos, precedido pelo abandono de valores como o compromisso pela palavra empenhada, o fio de bigode e o respeito aos mais velhos, quando se dizia abênção, minha mãe; abênção, meu pai.
Fica o alerta aos patrões de CTGs, ao Movimento Tradicionalista Gaúcho, ao Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e a Igreja.
Como não podemos acabar com essa prática, fica neste humilde espaço o protesto e o alerta como o atento quero-quero: vamos valorizar nossos usos e costumes e a nossa cultura. Vamos enfim, preservar as verdadeiras e caras tradições do Rio Grande do Sul... a nossa terra!
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