Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1246
Hoje: 07/01/2009

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

O DESEJO DE VIDA: O FASCÍNIO DO SER HUMANO
A Igreja, neste tempo quaresmal, nos convida a voltar o olhar para este anseio, ou seja: “A VIDA”. A CF-2008, por uma feliz opção, aborda, com uma riqueza de elementos, este tema: “Escolhe, pois, a vida” (cf.Dt.30,19). A capa do texto traz o semblante sorridente de um idoso, mostrando alegria, serenidade e paz. Ao lado, está uma linda criança, que sempre é um presente de Deus e que nos deve lembrar a inocência, a pureza e a vida, em todas as dimensões. Por que a Igreja, neste ano de 2008, volta a insistir no tema “vida”? É mero acaso? Já em outras campanhas, foi abordado este assunto. Há algo que, novamente, está exigindo que se reflita, com seriedade, tal assunto? Sem dúvida. Percebe-se que o avanço da tecnologia, a ânsia de viver mais e de forma confortável, têm nos induzido a alguns contrastes e desvios. São os atalhos fáceis que o homem e a mulher contemporâneos lançam mão, como o imediatismo, para resolver problemas complexos e delicados. Com tal postura, contraditoriamente, esses vão em contramão à “vida”. Dessa maneira aplaudem acaloradamente uma “cultura de morte” (cf.João Paulo II). A ausência dos valores e virtudes, na formação de nossas crianças e jovens, que carecem dos elementos para uma “consciência sadia e criativa”, se torna fácil pelo atalho, como solução para os problemas. Então se aceita, como normal, a prática do aborto, da eutanásia, da morte voluntária e assistida, o suicídio, o homicídio, o despudor; haja visto o carnaval, onde, de forma irresponsável, se distribuem camisinhas, pílulas do dia seguinte e etc. Daí, para a promiscuidade total em nome da liberdade, é um passo. Tudo é encarado como normal. Caro leitor! O que podemos esperar de uma sociedade com estes parâmetros e critérios? Pior: atrás disso tudo está, a todo o vapor, a economia de mercado. Essa inverte o princípio da etica, ou seja, quando deveria estar a serviço do homem e da mulher, é o contrário, o ser humano está a serviço da economia e então passa a ser “mercadoria”. Ridículo! Com certeza é o caminho triste que conduz ao penhasco abismal da morte.
A FÉ CRISTÃ, COMO CONSCIÊNCIA CRÍTICA DA SOCIEDADE.
A Igreja não quer se colocar como dona absoluta da verdade, mas sim, manter fidelidade ao mestre Jesus Cristo que diz: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. Defender a vida é ser coerente com essa verdade. O cristão não pode se iludir e embriagar-se com os “modismos” da atualidade, pois, em seus contornos, estão embebecidos pelo subjetivismo, pelo relativismo e pela vida fácil, centrada nos atalhos, pois esses, na subjacência, dão consistência à ética hedonista. Ora, essa é uma opção que conduz, inpreterivelmente, ao caminho da morte. É a contradição e a negação do desejo de vida traçado no coração humano. O texto da CF-2008, nos diz que precisamos desenvolver uma espiritualidade da vida. Vejamos: “(...) desenvolver a espiritualidade da vida é crescer na fé, que se manifesta no amor a Deus e aos irmãos, respeitando a sacralidade de cada pessoa, imagem e semelhança de Deus e habitação da Trindade” (cf.ibidem p.100 nº259).
CF – 2008 E A ENCÍCLICA “SPE SALVI”, DE BENTO XVI.
Caro leitor! Ao ler o texto base da CF-2008 e o tema abordado pela Encíclica “Spe Salvi”, de Bento XVI, nota-se que há um denominador comum, ou seja, a tônica sempre é “vida”, “esperança”, “fé”, “sentido” e etc. O texto base da CF diz: “(...) todo o trabalho de conscientização e ação em defesa da vida humana deve ser pautado por uma antropologia que não reduza a pessoa a aspectos meramente biológicos, psicológicos e sociais, mas que contemple aquela dimensão especificamente humana que caracteriza a pessoa como um ser-que-decide e como um ser responsável” (cf.ibidem – p.101 nº260). Ora, no capítulo IV da Encíclica, o Papa cita o filósofo Francis Bacon, quando, esse faz uma correlação entre ciência e prática. O Papa, aplicando essa correlação à teologia, mostra que: “(...) o domínio sobre a criação, dado ao homem por Deus e perdido no pecado original, ficaria restabelecido”. Ora, isso conduz a uma crise de fé e uma crise na esperança cristã. A partir da ótica de Bacon, a esperança ganha uma nova forma, ou seja, a “‘fé’ no progresso”, surge aí o reino do homem. Fica claro o emergir de uma ideologia extremamente horizontalista. Bento XVI interpreta Bacon, a partir de seu pensamento, expondo este paradigma como sendo a “recuperação do paraíso perdido na descoberta da ciência”. Sem dúvida, é o prescindir do Criador, para afirmar a supremacia do homem. Ridículo! Essa tendência é notória na contemporaneidade que se expressa nos princípios da “Nova Era”, que é um grande desafio aos cristãos de hoje, pois esta corrente, qual veneno de uma víbora mortífera, procura transmutar os valores e símbolos cristãos, mesclando-a com teorias esotéricas e estranhas crenças. Caro leitor! Sinta-se desafiado a conhecer, em profundidade, a verdade sobre CRISTO, a IGREJA e o HOMEM, mas à luz da “sã teologia”. Pense e reflita.
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
Paróquia N.Sra.de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Vigário auxiliar
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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