Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1247
Hoje: 07/01/2009

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

CF – 2008 E A BIOÉTICA
A CF - 2008 reflete um tema que preocupa não só a Igreja, que tem a missão de defender a vida, mas toda a pessoa de sã consciência, que norteia a sua vida em princípios e valores, baseada na dignidade da pessoa, bem como no micro e macrocosmos que constituem o ninho da vida.
Daí, emerge também o movimento “ecológico”, que hoje faz parte da consciência coletiva da humanidade como um “todo”. Por quê? Houve um despertar, que não basta defender a vida humana e esquecer daquilo que a cerca. Portanto, é necessário repensar a vida em todas as suas dimensões para a sobrevivência da humanidade. O desenvolvimento tecnológico é algo que colocou o ser humano num patamar privilegiado dentre as demais criaturas. Por outro lado, também criou determinados problemas, que exigem critérios racionais e objetivos para solucioná-los. Ora, isso nos mostra que a vida, hoje, é tão complexa, que não pode ser resolvida de qualquer maneira. A superficialidade de nosso mundo, bombardeada por tantas informações e pouco conhecimento, esse, por sua vez, exige método de análise e nos induz a um sério risco de soluções “imediatistas”, que sempre têm um preço extremamente alto.
COMO E QUANDO SURGIU O VOCÁBULO “BIOÉTICA”?
Em 1970, o grande oncólogo norteamericano Van Rensselaer Potter, publicou um artigo. Nesse, pela primeira vez, teria usado o neologismo “bioética”, que poderíamos traduzir por: ética da vida. O termo teve uma boa aceitação no público científico e, naturalmente, fez sucesso. Esse escritor diagnosticou em seus textos, o perigo à sobrevivência de todo o ecossistema, pois o saber científico e o saber humanista estavam sendo conduzidos de forma errônea, ou seja, havia uma nítida separação de ambos os saberes. Ora, isso era e é extremamente grave. A partir dessa constatação, Potter propõe, como solução, uma “ponte” entre as culturas científicas e a humanístico-moral. O que significa isso? Unir “ética” e “biologia”. Vejamos o que nos diz Potter: “(...) é preciso elaborar uma ciência da sobrevivência”. Em outras palavras, significa que não basta o instinto de sobrevivência. Caro leitor! Quando olhamos a realidade em que vivemos hoje, encontramos sentido nessa preocupação, pois caminhamos perigosamente em cima de um fio de navalha. Portanto, é um grito de alarme! O grande especialista em bioética, que trabalha no Vaticano, Mons.Elio Sgreccia, diz: “(...) as descobertas no campo da Engenharia genética com a espantosa possibilidade de construir armas biológicas e de alterar o próprio estatuto das formas de vida, das espécies e dos indivíduos fazem com que esse alarme obtenha uma grande ressonância e dê início a um movimento de idéias e temores de tipo ‘catastrófico’”. (cf.Sgreccia, Elio – Fundamentos e Ética biomédica – Loyola – SP – 1996 – p.25). E continua Sgreccia: “(...) essa nova reflexão deve se ocupar de todas as intervenções na biosfera e não apenas das intervenções sobre o homem. (...) há uma concepção mais ampla em relação à ética médica tradicional” (cf.ibidem).
A IGREJA CATÓLICA, EM SUA POSTURA, É “CONSERVADORA”?
Se por “conservadora” significa a defesa da vida e a fidelidade ao mestre Jesus Cristo, então, sim. Os cristãos não devem estar preocupados com aplausos, mas, sim, comprometidos com a VERDADE. O afrouxamento dos princípios e valores, na vivência da sociedade, fez a Igreja retomar o tema: “VIDA”, agradando ou não. As soluções fáceis, propostas em geral por grandes grupos econômicos, que lançam no mercado produtos de todo gênero, pressionam para que tudo seja liberado, em nome de uma liberdade que não deixa de ser uma “gaiola”, que a médio e longo prazo aprisionará muitos incautos. Entretanto, os mesmos grupos lavarão as mãos, como Pilatos, ante as conseqüências desastrosas. Caro leitor! É preciso precaução ante as novidades e os modismos.
A ESPIRITUALIDADE QUARESMAL: EM QUE CONSISTE?
Com certeza, sabemos que o grande Mistério Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo é o cerne de toda a teologia Cristã. Portanto, é tempo de conversão. Converter-se não é mudar de religião, mas, sim, sintonizar a vida nos princípios traçados por Cristo. Cabe-nos, neste tempo, revisar a vida em geral. Quais os valores que são importantes para mim? Se sendo cristão, por opção e convicção, estou em sintonia com os mesmos? Vejamos o que nos diz o texto base CF: “Quando cresce no cristão a consciência de pertencer a Cristo, em razão da gratuidade e alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo” (cf.op.cit- At.1,8 – Documento de Aparecida).
Caro leitor! Pense e reflita.
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
Paróquia N.Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Vigário Auxiliar
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha

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