Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1247
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Seção: Tradição e Folclore

Tradição e Folclore

Pedro Malasartes
Com certeza não há canto do Brasil que não se fale nas histórias do Pedro Malasartes. Aliás, a bem que se diga, pelo número delas, o certo seria dizer “As aventuras do Pedro Malasartes”, que povoaram por várias décadas a infância de milhões de pessoas.
Alguém lembra dessa?
Pedro Malasartes condenado à morte
Tantas e tais fizera Malasartes na terra em que vivia, que o rei deliberou mandar prendê-lo para ser lançado ao rio, dentro de um saco. Quando menos esperava, sua majestade encontra o malandro a conversar sossegadamente com uma das princesas, no próprio palácio. Mandou-o agarrar e metê-lo no saco, dando ordem para que o fossem deitar ao rio no mesmo instante.
Os soldados carregaram o fardo e lá se foram. De caminho, lembraram-se de beber uma pinga numa venda da estrada, largando a carga no lugar. Enquanto isso, Malasartes gritava dentro do saco: “não quero casar com a filha do rei! Não quero casar”. Passava por ali um boiadeiro com sua boiada e perguntou a Pedro que história era aquela de casar com a filha do rei. O patife explicou que queriam casá-lo à força com a princesa, por isso o levavam preso no saco. O boiadeiro ficou com água na boca e prontificou-se a substituir o preso para ir ser marido da filha do rei. Soltou Malasartes, entrou para o saco em lugar deste, e o maroto lá se foi com a boiada do homem em troca do casamento.
Quando os soldados voltaram apegar a carga, o boiadeiro começou a gritar lá dentro: “eu quero casar com a filha do rei, eu quero!”. Responderam os soldados: “pois sim, vais casar mesmo...”. E foram jogá-lo no rio.
Malasartes tratou logo de vender a boiada de vender a boiada e, em seguida, foi para casa, mandando abrir uma passagem subterrânea de lá até a cadeia, deixando porém uma paredinha de terra a separar o túnel da prisão. Depois comprou uma sanfona e foi fazer serenata em frente ao palácio real, tocando e cantando com grande rumor. O rei mandou-o trancafiar de novo.
Metido na prisão, Malasartes derrubou a taipa que deixara na boca do túnel e por ali se escafedeu, muito no seu sossego...
Amadeu Amaral, em seu livro Tradições Populares, muito bem descreve as peripécias do Pedro Malasartes que, como bem sabemos, é muito comum aqui no Rio Grande do Sul... a nossa terra!
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