Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1248
Hoje: 06/01/2009

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

CF – 2008: A ÉTICA, A BIOÉTICA E O ABORTO.
Caro leitor! Aproveitando o tema da CF-2008: “Escolhe, pois a vida” (Dt. 30,19), achei por bem aprofundar o tema vida, tomando um dos assuntos mais polêmicos, delicados e discutidos: O Aborto. O referido é uma prática vista já na antiguidade, na idade média, bem como nos tempos atuais. É um paradoxo falar da vida como o maior valor, e, por outro lado, matar impiedosamente uma incipiente vida, que há pouco tempo, seguindo os ditames da natureza, tenta aflorar. Ao longo da história, são muitos os argumentos para justificar tal procedimento. Contudo, será que tais teses são sustentáveis diante do grande dom da “VIDA”? Durante muitos anos, lecionei na Universidade as cadeiras de ética e bioética e continuo ministrando a cadeira de antropologia filosófica. Confesso que a prática do aborto sempre me choca profundamente. Sem dúvida, neste artigo, não pretendo e nem posso esgotar o assunto e a reflexão, mas com certeza, convido o leitor a uma análise crítica sobre esta realidade e solicitar, ao mesmo tempo, que se coloque de lado as emoções, sentimentalismos, ideologias, modismos e fazer da racionalidade o critério de análise.
A VIDA: A REALIDADE BIOLÓGICA E GENÉTICA.
O ponto de partida provém de uma simples pergunta. Quando inicia uma vida?
Biologicamente, “no exato momento da fecundação, ou seja, quando da penetração do espermatozóide no óvulo, ou, no momento que dois gametas se unem, acontece o milagre da vida. É nesse instante que se forma a identidade genética única e as características já estão definidas: cor da pele e dos olhos, estatura, tipo sanguíneo, temperamento e etc. Nem sua mãe poderá mudar a sua ‘ser-pessoa’. Necessita apenas de oxigênio, de alimento e proteção para continuar o seu caminho como qualquer outro ser vivo precisa. Embora esteja na mãe, não é a mãe”. (cf.texto base – CF-2008 nº70 p.34). Caro leitor! Observe, com objetividade, o seguinte: O embrião, na verdade, é um corpo estranho dentro do útero materno, a tal ponto que nem o DNA da mãe confere com o do “feto”. Por quê? Esse, tem 2 (dois) DNA, ou seja, o do pai e o da mãe. Ora, isso nos deixa bem claro que a mãe não tem ligação com o feto. Do contrário, o organismo da mãe expulsaria ou até mataria, por ser um corpo estranho ao seu. Perceba caro leitor, que o ciclo normal do organismo humano é de sempre expelir fora aquilo que não lhe pertence. Por outro lado, o cordão umbilical tem um espaço que se chama parede placentária, o qual filtra tudo o que serve de alimento para o feto. Essa comida é exclusivamente do feto e é essa parede que separa o feto da mãe. Portanto, a mãe é apenas o “CASULO” e nada tem a ver com o embrião que carrega no seu ventre. Ora, isso não diminui a nobreza e a dignidade da mulher, pelo contrário, enobrece, pois, o próprio Deus quis que Jesus Cristo nascesse neste cálice, que é o seio materno e o ninho da vida. Diante dessa realidade biológica, fica explícito que nenhuma mãe tem o direito e o poder, que alguns querem argumentar para se desfazer do feto, pois nela, há uma terceira identidade e personalidade que deve ser respeitada. A agressão a esse, é um crime hediondo contra um ser humano, que além de tudo, é indefeso e extremamente frágil. Quanto ao resto são apenas sentimentalismos, emoções, que jamais justificam tal procedimento. O texto da CF-2008 diz: “Não é possível a fixação posterior em um determinado momento de seu desenvolvimento para definir o início da vida. É impossível negar que, com a união dos 23 cromossomos do pai com os 23 da mãe, surge um NOVO indivíduo da espécie humana a partir de uma combinação qualitativamente nova. Não é um ser ‘ainda morto’ que virá a ser vivo. É um novo indivíduo, que apresenta um padrão genético e molecular distintivo, pertencente à espécie humana e que contém em si próprio todo o futuro de seu crescimento. Não pode, ainda, realizar atos propriamente humanos simplesmente porque ainda não atingiu a maturidade necessária para tal, porém, isso não quer dizer que não seja humano, como continua a ser humano a pessoa durante o sono ou quando está em coma”. (cf.ibidem- p.35).
ÉTICA, MORAL E DIREITO.
Caro leitor! A ética sempre é a diretriz básica, donde a moral formula as regras concretas. Para o cristão, o ponto de partida será sempre uma antropologia que contemple o ser humano em sua dignidade, bem como a valorização de todo o ecossistema e preservá-lo para a sua sobrevivência.  Contudo há muitas morais, tanto quanto são os grupos humanos. Ora, até os presidiários têm a sua moral e quem não a segue paga seu preço. O direito positivo entra na esfera do jurídico e do legal. Com certeza, em nome de uma sociedade dita “evoluída”, muitos irão argumentar que nações altamente desenvolvidas permitem a prática do aborto. Com certeza! Contudo, esse, sob o ponto de vista social pode ser moral, e sob o ponto de vista jurídico, pode ser legal, mas jamais será “ÉTICO”, mesmo que uma nação inteira aprove.
O CRISTÃO E O COMPROMISSO COM A VIDA
Caro leitor! Estamos sendo desafiados, nesta quaresma, a defender uma cultura de vida, se realmente queremos ser autênticos discípulos de Cristo, pois, como cristãos, jamais poderemos ir contra a mesma, seja qual for a circunstância.
Pense e reflita. (continua no próximo número).
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
Paróquia N.Sra. de Lourdes – Canela
Pe. Ari Antônio da Silva – Vigário auxiliar
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha

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