Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1249
Hoje: 20/11/2008

Álbum de fotos do Jornal de Canela

Faça a sua busca

O que você procura:

Enquete

Você é a favor ou contra do trânsito de ônibus pelo centro da cidade?
Sou a favor
Sou contra

Cadastre-se

Seu nome:
Seu email:

Indique o site

Gostou do site? Indique aos seus amigos!

Publicidade

Saiba como assinar!

Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

CF – 2008: ÉTICA, BIOÉTICA E EUTANÁSIA.
A abordagem de temas como a eutanásia, o aborto, a eugenia e outros ligados ao problema da vida, que é um valor inalienável, nos desafiam a fazer uma leitura desta realidade, dentro de um paradigma bem mais profundo. Por quê? Aquilo que se vive no presente da contemporaneidade, estampa a ausência de um parâmetro que é a razão última da questão: a perda do “sentido existencial do ser humano”. Sem dúvida alguma, esse, caracterizado por sérios desvios de natureza ideológica, política e econômica, tem desembocado em alguns absurdos que nos assustam.
A SECULARIZAÇÃO DO PENSAMENTO E DA VIDA.
 A mentalidade dessacralizada da vida torna o homem e a mulher contemporâneos incapazes de lidar com o sofrimento e com a morte, e, muito menos, ver um sentido nesses. Por isso, como não há critério algum para administrar, procura-se, de alguma forma, antecipar e fugir do seu choque frontal com a “MORTE”. A auto suficiência do homem e da mulher, que querem prescindir Daquele que os criou, infelizmente, possibilita uma postura covarde e vergonhosa. Vejamos: “(...) A eutanásia, como fuga da dor e da agonia, acontece primeiro no espírito e depois na sociedade e no direito.” (cf. Sgreccia, Elio – p.607). O homem e a mulher, de fé, agem exatamente em sentido contrário, ou seja: “(...) A morte para o homem e a mulher de fé, indica sua contingência e sua dependência primária de Deus, pondo a vida nas mãos de Deus num ato de total obediência” (cf.ibidem). Curiosamente, a “eutanásia” une-se, quase como um imperativo, no processo de secularização que permeia nossa sociedade. Podemos dizer que esta conduta expõe, com clareza, a insistência do homem e da mulher de reivindicar a si a “autonomia absoluta”, frente à vida. Entretanto, como diz Martim Heidegger: “O homem nasce para a morte”. Pois, essa, é a única certeza absoluta e também o trágico dilema paradoxal que precisamos enfrentar.
 A CEGUEIRA DO CIENTISMO HUMANISTA.
 Essa parte do princípio de que os valores éticos pertencem ao mundo mítico e imaginário. Defende o “acaso” da criação do universo, e nessa perspectiva, frisa que o homem é árbitro de si mesmo e nega qualquer referência que não seja a ciência, e, a partir dela, além de ser a única guia, aliás, aqui, fica clara a influência do iluminismo, quando a razão científica se arvora em árbitro de si própria e, portanto, determina o seu próprio destino. De acordo com esta teoria, fica fácil dizer que a eutanásia é um gesto humanitário. A argumentação deste princípio é que a vida perdeu toda a dignidade, beleza, significado e perspectiva de um futuro. A essa altura, pergunto: Será que aqueles defensores desta teoria, ao verem seu pai, mãe, filho e etc, teriam coragem de afirmar que esses não têm mais dignidade?
Duvido! “Pimenta nos olhos dos outros é colírio”!
A CONTRADIÇÃO E O DESCOMPASSO, ENTRE A MEDICINA CONVENCIONAL E SUA HUMANIZAÇÃO
Nesse terceiro ponto do artigo, que não pretende esgotar o assunto, gostaria de citar um dos maiores oncólogos da atualidade, que publicou um livro intitulado: “A eutanásia não é a resposta”. Ele afirma e sugere: “(...) Como alternativa ao crescente movimento a favor da legalização da eutanásia e suicídio dos doentes terminais (...) defende acirradamente o programa dos hospitais de retaguarda (...) defende que a maioria dos doentes terminais receia mais a dor do que a morte e cita casos em que o sofrimento não mitigado em hospitais de tecnologia de ponta, frequentemente agravado por exames de diagnóstico, tentativas fúteis e dolorosas de ressuscitação e sistemas de manutenção das funções vitais, leva os pacientes a solicitarem a eutanásia. Esse oncólogo propõe mudanças de base no nosso sistema de cuidados de saúde, que encorajariam a criação de programas de hospital de retaguarda, em que a morte é considerada uma fase normal de vida a ser atravessada com um mínimo de sofrimento, acompanhado pelo apoio psicológico, na busca de um crescimento espiritual. Ele também defende que a criação de mais hospitais de retaguarda reduziria o elevado custo dos tratamentos dos doentes terminais” (cf.Cundiff, David, Doutor em Medicina, oncologista e médico num hospital de retaguarda na Califórnia. Especialista do sistema dos hospitais de retaguarda, tanto na Europa como nos Estados Unidos).
A POSIÇÃO DA IGREJA CATÓLICA.
A Congregação para a Doutrina da Fé é muita clara: “O Direito à vida continua íntegro num velho, ainda que muito debilitado; um doente incurável, pois, não perdeu a sua dignidade”. O saudoso Papa Paulo VI, ao fazer uso do termo “dignidade”, diz: “Tendo presente o valor de toda pessoa humana, gostaríamos de lembrar que cabe ao médico estar sempre ao serviço da vida e dar-lhe assistência até o fim, sem aceitar jamais a eutanásia, nem renunciar ao dever perfeitamente humano de ajudá-la a realizar com dignidade a sua caminhada terrena”. Caro leitor! É quaresma, precisamos repensar os conceitos dos “modismos” atuais com vigor e determinação, pois, o que perpassa na retaguarda dos bastidores, é apenas uma questão “custo-benefício”, ou seja, a economia. A partir desta lógica, a conclusão é uma: Somos valorizados enquanto produzimos e não enquanto “PESSOAS”. Isso é grave. (após a Páscoa, retomarei o assunto da eutanásia).
Pense e reflita!
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela – Canela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
home | topo


Feed RSS 2.0

© 2005/2008 - Todos os direitos reservados - Empresa Jornalística Nova Época
Quem somos - Fale conosco - Publicidade