MORRER COM DIGNIDADE? SIM! – A EUTANÁSIA
É O PARADOXO DA DIGNIDADE.
Em artigos anteriores, tenho abordado o valor absoluto que precisamos dar à vida. Entretanto, a sociedade contemporânea, com a cega e crescente confiança na ciência, cada vez mais, se distancia da vida, como algo “SAGRADO”. Outro fenômeno marcante é a praticidade da “ética hedonista”. Vejamos o texto da CF-2008: “(...) o desenvolvimento da tecnologia levou a humanidade à tentação da onipotência e, ao mesmo tempo, a ciência e os ‘profissionais da ciência’ a se transformarem no absoluto que norteia as condutas” (cf.texto – CF-2008 – p.15 nº115). E continua o texto: “(...) foi retirada a naturalidade da morte, como se ela tivesse sido expropriada das pessoas”(cf.op.cit.Evaldo Alves D’Assumpção - Bionatologia e Bioética – SP – 2005). Na Encíclica “Spe Salvi”, de Bento XVI, quando aborda a questão da transformação da fé-esperança cristã, no tempo moderno, aliás, com muita propriedade e lucidez histórica, traz à atualidade os “ranços” do século XIX, que não perdeu a fé no progresso como a nova forma da esperança humana. “E continuaram a considerar razão e liberdade como as estrelas-guia a seguir no caminho da esperança”.
Nesse mesmo capítulo, o Santo Padre cita a frustração deixada por Karl Marx, comentada por Lênin, que se deu conta de que, nos escritos do mestre, não se achava qualquer indicação de como proceder depois da fase intermediária. Bento XVI, exímio conhecedor dessa realidade histórica, afirma na Encíclica: “Marx não falhou só ao deixar de realizar os ordenamentos necessários para um mundo novo, mas, afirma o Santo Padre, esqueceu que o homem sempre permanece homem com sua liberdade”. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. O seu verdadeiro erro é o materialismo. “O homem não é só produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições econômicas favoráveis”. O Papa, aqui, não só questiona os rumos dos novos tempos, mas convida os homens e mulheres de boa vontade a dialogar com o cristianismo a concepção de esperança. Caro leitor! Ás vezes parece que a sociedade contemporânea, mesmo tendo passado por situações extremamente trágicas ao longo da história, giram e voltam sempre ao mesmo ponto de partida, ou seja, a tentativa de emancipação do seu Criador. Por outro lado, o resultado é sempre o mesmo: o fracasso e a desilusão.
DIREITO, ECONOMIA E A EUTANÁSIA.
Prescindindo de qualquer concepção, seja de natureza sociológica, filosófica, teológica, ideológica, ou entre outras, a aprovação de uma norma permitindo a prática da eutanásia, é no mínimo uma postura temerária e irresponsável. Vejamos o que nos afirma um especialista, com doutorado em medicina, pela Universidade da Califórnia: “(...) Uma lei que legalizasse a eutanásia poderia ser aplicada abusivamente, daí resultando que muitos seriam mortos contra seu consentimento por outros motivos que não os misericordiosos”. E o autor continua: “(...) Não vejo razões para um médico utilizar uma lei para apressar a morte de um doente terminal que não deseja a eutanásia” (cf. Cundiff, David – A Eutanásia não é a resposta- Instituto Piaget – Lisboa – p.82). Caro leitor! Parece que para muitos falta memória histórica. O mesmo acontece com a “pena de morte”, aplicada em alguns Estados. Quanta injustiça, inocentes, que após anos é comprovada a não-culpabilidade. O risco de erros é alto, imagine abrir uma “fresta”. Coloco três pontos básicos que induz muitos a aprovar tal postura: 1-A questão custo-benefício 2-A dor e o sofrimento descontrolado do doente terminal 3-A redução drástica da sacralidade da vida e a banalização da mesma.(no próximo número vou aprofundar esses pontos).
O QUE LEVA A ALGUÉM SOLICITAR A EUTANÁSIA?
Em geral, não são as pessoas que estão em situações quase irreversíveis ou não, mas na maioria das vezes, são induzidas por agentes externos, como familiares, médicos tendo uma lista de motivos. De acordo com o Dr. Cundiff, experiente profissional na área, vemos: “(...) A dor descontrolada e o sofrimento encabeçam a lista de pedidos de eutanásia” (cf.ibidem p.38). E continua: “(...) A dor domina tudo. Assim, apesar da grande popularidade de livros, artigos, palestras e cursos sobre a morte e o ato de morrer, muitos doentes de câncer e Aids estão muito mais preocupados com a dor e EM VIVER” (cf.ibidem p.130). Por isso precisamos criar consciência que as soluções propostas pelo caminho do “atalho”, que muitos aderem, carecem de uma visão verdadeira de dignidade. Cuidado! defensores da pró-eutanásia. Podeis num futuro breve, ser das vítimas daquilo que hoje defendem. E pior: sem desejarem.
MORRER COM DIGNIDADE É UM DIREITO!
O psiquiatra norte americano Stevens Hayes, deu uma entrevista na revista “veja” e fez uma importante observação: “O sofrimento e a dor fazem parte da essência humana e quanto mais o homem e a mulher lutarem contra essa realidade mais sofrerão”. Caro leitor! A base que sustenta essa assertiva não está vinculada a um desvio comportamental, o “masoquismo”, e sim, na administração da dor. Por trás dessas soluções fáceis, fica patente a perda da mística e da espiritualidade cristã. Pois a filosofia na atualidade baseia-se na ética hedonista. É preciso repensar com maior seriedade essas soluções imediatistas, que no seu bojo traz a “economia e o prazer como verdade última da vida”. É uma tragédia! Caro leitor. Pense e reflita.
Paróquia N.Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe.Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela – Canela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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