A TRILOGIA DOS BASTIDORES DA EUTANÁSIA.
SAÚDE - "CUSTO-BENEFÍCIO".
Caro leitor! No artigo de 28/03/2008, próximo passado, convidei o leitor a refletir sobre a "Eutanásia", como paradoxo de dignidade, no ato de morrer. Hoje iniciamos a análise, com cuidado e objetividade, de um dos fundamentos que subjazem os defensores da eutanásia: o "custo-benefício". A ética sempre é luta pela vida. Essa sempre tem um início, um meio e um declínio. É preciso respeitar este princípio. Por outro lado, a sociedade ocidental, nos últimos anos, teve um significativo avanço na área tecnológica, e, especialmente, na medicina. A Europa e os EUA produzem reflexos determinantes nos países emergentes, como é o caso do Brasil. Ora, esse desenvolvimento criou um entusiasmo a partir dos anos 70.
Esse fator levou muitos países a oferecerem "serviços sociais", "assistência à saúde", o mais possível à gratuidade e com um olhar aos mais pobres e necessitados. Sem dúvida, isso também conduziu a uma conseqüência inevitável: o aumento das despesas públicas.
A economia, bem como outros setores, nunca tem um crescimento infinito, por isso, chegou a um impasse com a diminuição do crescimento do produto interno bruto (PIB) e da renda "per capita". Outro fator importante, dentro desse contexto, foi a mudança demográfica, realizada a partir de campanhas acirradas de controle da natalidade, principalmente nos países emergentes, que fez com que houvesse um progressivo envelhecimento da população e, com isso, o aparecimento de várias doenças, com olhar de destaque às enfermidades crônicas e degenerativas, ao aparecimento de novas formas de doenças, muitas vezes, devido a uma vida desregulada, na qual a população se "jogou" no tudo vale, balançada pela "mass media", como a toxicomania, o alcoolismo, a AIDS e etc, que, com certeza, aumentaram as despesas com a saúde para o Estado. Por outro lado, a perda dos limites, princípios e valores, conduziram a sociedade contemporânea a uma estrada sem saída. A partir daí, surgem os aventureiros de soluções mágicas, que, através dos "atalhos", querem resolver os impasses, sem critério algum, buscando no imediatismo circunstancial, apenas a eficácia da economia. A Igreja Católica sempre fez uma crítica ferrenha a esse critério e, assim, é tachada como conservadora. Será? Qualquer ser humano, independente de credo, mas que tem retidão de intenção, sabe que a mesma, quando coloca restrições, em posturas que não dignificam e não constroem sadiamente a humanidade, faz porque está fundamentada em questões que colocam em risco a vida da mesma, a médio e a longo prazo. Não interessam os modismos imediatistas e as soluções paliativas do "aqui e agora", mas atitudes e respostas que dão consistência para um futuro feliz e sadio às gerações do futuro.
ÉTICA, ECONOMIA E A SAÚDE.
Como dito anteriormente: a ética sempre é a defesa da vida. Ora, aquilo que estamos presenciando é ela, de ponta cabeça, ou seja, o homem está a serviço da economia e não a economia a serviço do homem. É uma tragédia! A economia precisa se dar conta, de que não é, de forma alguma, uma ciência autônoma em sentido absoluto, e, se assim fosse, o valor "homem" se definiria como "capital humano". Esse é o conceito norteamericano de tendência pragmática e economicista. Tudo gira em torno da relação custos/benefícios. É preciso dar um basta a essa "heresia", que tanto mal está fazendo à humanidade.
PANO DE FUNDO DO PROBLEMÁ CUSTOS/BENEFÍCIOS
Caro leitor! Os últimos Papas da Igreja, bem como as diversas Conferências episcopais dos países, têm publicado muitos documentos, alertando sobre o fortalecimento da instituição "família". Isso, pela consciência que os mesmos têm, das conseqüências no afrouxamento dos princípios e valores, que precisam passar pela mesma para solidificar um desenvolvimento harmônico à humanidade. Nesse papel, a Igreja, muitas vezes, é tachada de "retrógrada". A verdade é que os "estadistas", que precisam responder aos sérios problemas sociais, precisam correr atrás do prejuízo, e pior, muitos, ainda querem dar soluções, por "atalhos fáceis", sem medir as conseqüências. Entretanto, as autoridades sérias se perguntam: Como harmonizar economia e saúde sem ferir a ética? O que é prioridade em saúde pública em meio a tantos problemas de natureza sanitária? O Estado deve ou não arcar com as despesas de saúde, que surgiram por culpa das pessoas? E quanto aos laboratórios, que estão apenas preocupados com a corrida pelos lucros dos produtos que lançam no mercado! Produtos, aliás, que incentivam a promiscuidade e o vale tudo. Não é por nada, que se chama de "Farmácia e drogaria". E o papel da mídia, com seu poder de fogo, facilitam, pela propaganda, o uso de tais produtos! Tudo isso é o atestado de óbito dos valores morais e da moralidade. Que tragédia! Como sonhar com um mundo novo e brilhante para as novas gerações?
RAÍZES DAS DESPESAS PARA OS COFRES PÚBLICOS
1) A decadência os valores morais, que trouxeram mudanças de costumes, como: o aborto, a contracepção, a droga, o alcoolismo, o sexualismo e etc. 2) O relativismo: "tudo vale". 3) O consumismo desmedido. 4) A falta de programas sérios de saúde pública nas famílias, nas escolas e em institutos de educação. 5) A falta de uma educação voltada às "virtudes", pois sem essas, será insustentável, também, sob o ponto de vista econômico, a saúde. Enfim, necessitamos de uma reeducação geral.
Pe. Ari Antônio da Silva - Capelão do OASIS Santa Ângela - Canela - RS
Doutor em Filosofia - UPSA - Salamanca - Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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