Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1255
Hoje: 02/12/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

O MEDO, AS NEUROSES E A SÍNDROME DO PÂNICO.
         Caro leitor! Diariamente, recebo muitas pessoas que buscam ajuda através de aconselhamento, solicitando uma bênção para lhes proporcionar um novo sentido à vida, pois, sentem-se tomados pela angústia, pela ansiedade e pelo medo que vivem no dia a dia. Ora, o medo não é algo novo, pois a humanidade sempre viveu essa realidade. Outro dado importante é que, curiosamente, estamos num dos períodos da história, onde o desenvolvimento tecnológico e o conforto nunca foram tão grandes como hoje. Por outro lado, essa realidade continua ainda mais forte. O psicólogo Wolfgang Schmidbauer fala de “geração do medo”. Daí surge a pergunta: medo de que? O que nos leva a ter medo? O medo tem algo de positivo? Um dos sinais visíveis do medo, na atualidade, é o ativismo em todas as profissões, também entre os religiosos(as), sacerdotes, Bispos, agentes de pastoral e etc, que no fundo não deixa de ser um refúgio daquilo que estão reprimindo. O silêncio e o encontro consigo mesmo, lhes dão a sensação de mal-estar. Usa-se até a expressão: “tempo é dinheiro” e daí a correria até a exaustão, situação que conduz as pessoas para um vale escuro e tenebroso.
O QUE VEM A SER O MEDO?
O medo tem a ver com aperto. Esse fenômeno não só é de natureza externa, mas também interna. “Os gregos chamavam este terror sem fundamento de ‘Panikus’, derivado de ‘Pã’. Esse era o deus grego Pã, protetor da mata e dos pastores. Na figura de um bode, apareceu do nada e causou enorme susto aos humanos. E, assim, muitas vezes é invisível. Por isso, o Pânico é um terror repentino e inexplicável que nos assalta e do qual não nos podemos defender” (cf. Grün, Anselm – Transforme o seu medo – Impulsos espirituais – Vozes – 2008 p.9).
QUAIS OS TIPOS DE MEDO MAIS COMUNS EM NOSSOS DIAS?
Vamos enumerar alguns: claustrofobia (medo de lugares fechados), medo do futuro, medo dos prognósticos políticos e dos analistas econômicos, da criminalidade, do terrorismo, da doença, da velhice, do abandono, de sair de casa, das pessoas e etc. Com certeza, a lista é grande. Esses e outros tendem à síndrome do pânico, depressão, ansiedade e insegurança. O medo surge dentro de nós e nos incute um estado de pavor. Então procuramos fugir, esquecer ou procurar qualquer aventureiro que prometa soluções milagrosas a tudo isso. “Pavor é um medo que paralisa. Vergonha é um medo da perda da honra. Desânimo doentio é medo de agir. Terror é o medo que confunde a própria fala. Tormento é o medo do incerto” (cf.ibidem – op.cit.Granin – p.10).
O MEDO VISTO POR ALGUNS FILÓSOFOS E PSICÓLOGOS.
Curiosamente, esses vêem, no medo, não apenas algo negativo e sim positivo. Afirmam, com todas as letras, que o medo é necessário ao ser humano. Vejamos: “É um sistema de alarme que nos adverte de ameaças” (cf. Heinrich Von Stietencron). Ao comentar esse pensador, Grün diz: “o medo pode mobilizar forças em mim, para que eu reaja de modo mais atento e cuidadoso aos perigos”. Outro: “O medo é a expressão da limitação e transitoriedade, mas também expressão e do desejo” (cf.Ulrich Hommes). Caro leitor! É interessante observar que o autor nos dá o sentido positivo do medo, quando ele aponta a necessidade de aprendermos com o medo, pois ao me reconciliar com o mesmo, acaba por me transformar. O medo nos indica os nossos limites. Segundo Grün, dentro de nós, existe uma tendência ao ilimitado. Por isso, o psicólogo Eugen Drevermann, ao interpretar o relato bíblico da criação, alude que Adão e Eva queriam ser iguais a Deus e de não aceitar a limitação. Pois, hoje, se repete o mesmo pecado de querer ser Deus, aliás, reivindicado pelos adeptos da Nova Era. O psicólogo Willi Butollo diz: “Ir contra os limites do poder próprio causa enorme medo no eu pensante, um medo existencial para a parte de dentro dele que gostaria de considerar-se sem limites, semelhante a Deus” (cf.op.cit. Butollo – p.11). Mas há os medos que perturbam a nossa vida e esse paralisa. Esses impedem uma vida sadia e desse preciso me livrar. “Quando o medo é maior do que o perigo real, ele indica sempre distúrbios neuróticos” (cf.ibidem p.11). Mas é importante frisar que, para se livrar do medo, preciso encará-lo de frente e dialogar com o mesmo. Muitas vezes, são tão fortes que precisam de uma terapia. A espiritualidade bíblica ajuda e nos ensina como lidar com os medos normais. Entretanto, muitos profissionais da saúde adotam terapias que prescindem da transcendência e, esses, não curam ninguém, pois desconhecem uma real e autêntica antropologia. Só com métodos terápicos não há êxito na cura, é preciso ter, no fundamento terapêutico, a dimensão da fé.
JESUS CRISTO: RESPOSTA SEGURA AOS MEDOS DO HOMEM.
Estamos nos preparando para a solenidade da Ascensão e Pentecostes. Todas as leituras da liturgia nos falam dos discursos de despedida de Jesus. Em todas aparecem: “Não tenhais medo” (cf. Mt.10,26-33). Em João, aparece Jesus como o “Caminho”, portanto, não precisamos procurar na gnose, nem na filosofia grega, nem nos cultos esotéricos a resposta segura, pois só Jesus é o “Caminho, a Verdade e a Vida”. Em Jesus é retirado o véu que oculta Deus. Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. De Lourdes – Canela - RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OASIS Santa Ângela – Canela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br

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