Dicionário Gauchesco
Pode-se dizer que o dialeto gaúcho é único e um dos mais ricos do Brasil. Fecundo em termos e modismos, nosso regionalismo é digno de constar nos mais afamados compêndios. É simples, e ao mesmo tempo erudito. Uma fonte inesgotável de pesquisa da maneira de viver de um povo e seu meio ambiente: o pampa.
Alguns termos:
Errar pealo: sair-se mal em uma investida. Não obter vantagem em algo que julgava fácil.
Cogote: pescoço do animal. Estende-se às pessoas.
Bolada: oportunidade de ganhar alguma coisa. Ganho avultado no jogo. Lucro obtido sem se esperar.
Lichiguana: espécie de abelha ou marimbondo que produz mel de sabor muito agradável. Dotada de ferrão, defende com bravura sua colméia. Frio. Em dias de baixa temperatura, diz-se “está de tirar lichiguana”.
De arriba: de graça, gratuitamente.
De orelha em pé: prestando atenção.
Acolherar: unir dois animais, não muito juntos, que lhes permita a liberdade de movimentos individual.
Maula: covarde, ruim.
Lindura: beleza.
Maneado: em sentido figurado, pessoa embaraçada, sem iniciativa.
Saludo: saudação, cumprimento (influência espanhola de fronteira).
Carancho: ave de rapina, carniceira. “Cada carancho, em seu rancho”, isto é, cada qual, em sua casa.
Polca-mancada: antiga polca, dançada principalmente no campo, acompanhada de cantigas como essa...
“A mancada está doente, / muito mal para morrer;
não há galinha nem frango, / para a mancada comer”.
Essas expressões, com muita propriedade, mostram o viver simples e único do povo do interior do Rio Grande do Sul... a nossa terra.
Amigo Sérgio “Gaudério” Barbosa (conhecedor destas expressões e de tudo que se refere ao Rio Grande): eu e a Solange estamos aguardando uma visita (o rancho não tem tramela e o cachorro é capado!!!). Aí, poderemos desfiar causos sobre essa nossa tão bela história e, de lambuja, tomar uns copos de leite, enquanto mexemos com as panelas...
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