Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1259
Hoje: 02/12/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

SOLENIDADE DE “CORPUS CHRISTI”. REFLEXÕES DA ENCÍCLICA DE JOÃO PAULO II, SOBRE “A EUCARISTIA”.
Caro leitor! A Encíclica “Ecclesia de Eucaristia” do saudoso Papa João Paulo II, na introdução, faz uma importante afirmação: “A Igreja vive da Eucaristia”, ora, essa expressão manifesta qual é o núcleo central do Mistério da Igreja. É interessante observar que a mesma liga-se àquilo que Jesus, ao subir aos céus, prometeu: “Eu estarei sempre convosco, até o fim dos tempos” (cf. Mt.28,20). Podemos dizer que Jesus quis permanecer conosco, de maneira especial, em duas formas: Pela “Palavra da Escritura” e pela “Sagrada Eucaristia”. Quando falamos “Eucaristia”, ou a “Ceia do Senhor”, não significa apenas uma mera “lembrança”, mas a renovação do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. O sacerdote, através da ordenação sacerdotal, ao receber o sacramento da Ordem, torna presente, sob as espécies de pão e vinho, o “Corpo e o Sangue de Cristo”. Como isso é possível? O Bispo, como sucessor direto dos apóstolos, tem a autêntica sucessão apostólica, e, por isso, pela imposição das mãos sobre o candidato ao presbiterato, dá-lhe o poder de transubstanciar o pão e o vinho em Corpo e Sangue de Cristo. Vejamos o que nos diz o Papa João Paulo II no nº 2 da Encíclica: “Durante o Grande Jubileu do ano 2000, pude celebrar a Eucaristia no Cenáculo de Jerusalém, onde, segundo a tradição, o próprio Cristo a celebrou pela primeira vez. O Cenáculo é o lugar da instituição deste santíssimo sacramento. Foi lá que Jesus tomou o pão em suas mãos, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: ‘Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós’ (cf. Mt.26,26; Lc.22,19; 1Cor.11,24). Depois, tomou nas suas mãos o cálice com vinho e disse-lhes: ‘Tomai, todos, e bebei: Este é o Cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados’ (cf. Mc.14,24; Lc.22,20; 1Cor.11,25). Dou graças ao Senhor Jesus por me ter permitido repetir no mesmo lugar, obedecendo ao seu mandato: ‘Fazei isto em memória de Mim’ (cf. Lc.22,19), as palavras por Ele pronunciadas há dois mil anos”. Caro leitor! A Eucaristia para nós cristãos católicos “é o sacramento por excelência do mistério pascal, colocado no centro da vida eclesial” (cf. ibidem nº 3). É interessante a importância deste augusto sacramento na espiritualidade de nós católicos. O Papa cita uma frase muito expressiva em relação ao mistério eucarístico, a partir de Sto. Inácio de Antioquia.
Vejamos: “(...) o Pão Eucarístico é o ‘remédio da imortalidade, antídoto para não morrer’” (cf. ibidem nº 18).
E A PROCISSÃO DE “CORPUS CHRISTI”?
Caro leitor! Nós, cristãos católicos, não devemos ter receio de proclamar publicamente a beleza e a riqueza deste augusto sacramento, através do qual, na Última Ceia, Jesus prometeu permanecer conosco. A própria Encíclica fala destas manifestações Eucarísticas.
Vejamos: “O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a Missa presença essa que perdura enquanto subsistirem as espécies do pão do vinho resulta da celebração da Eucaristia e destina-se à comunhão, sacramental e espiritual. Compete aos Pastores, inclusive pelo testemunho pessoal, estimular o culto eucarístico, de modo particular as exposições do Santíssimo Sacramento e também as visitas de adoração a Cristo presente sob as espécies eucarísticas” (cf. ibidem nº 25). Precisamos cultivar pessoal e comunitariamente a adoração a Cristo presente na Eucaristia, pois bem como dizia Sto. Afonso Maria de Ligório: “A devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós” (cf. ibidem nº 25).
MARIA E A EUCARISTIA.
Caro leitor! A Encíclica sobre a Eucaristia no Capítulo VI, diz que há uma íntima ligação entre a Igreja e a Eucaristia, bem como com Maria. O Papa diz: “Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com Ele” (cf. ibidem nº 53). No número 57 da referida Encíclica, o Papa diz ainda: “(...) ‘Fazei isto em memória de Mim’ (cf.
Lc.22,19). No ‘memorial’ do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte. Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor.
De fato, entrega-lhe o discípulo predileto e, nele, entrega cada um de nós: ‘Eis aí o teu filho’. E de igual modo diz a cada um de nós também: ‘Eis aí a tua mãe’ (cf. Jo.19,26-27).
(...) Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas. Se Igreja e Eucaristia são um binômio indivisível, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime nas Igrejas do Oriente e do Ocidente a recordação de Maria na celebração eucarística”. E ele continua no número 58: “De fato, como o cântico de Maria, também a Eucaristia é primariamente louvor e ação de graças. Quando exclama: ‘A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador’, Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai ‘por’ Jesus, mas louva-O também ‘em’ Jesus e ‘com’ Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira ‘atitude eucarística’. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat!”.
Caro leitor. Pense e reflita!
Paróquia Nossa Senhora de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão – OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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