A ORGANIZAÇÃO EMPRESARIAL DO FUTURO.
Caro leitor! A sociedade contemporânea passa por uma das maiores transformações dos últimos tempos. O impacto é tão grande que tem tomado de surpresa muitas organizações, seja de natureza econômica, social, familiar e até na dimensão religiosa. Os sinais palpáveis desta transformação se fazem sentir em todos os meandros da sociedade. Frente aos diversos setores, quero me deter nas organizações empresariais, que, normalmente, são as primeiras a sentirem qualquer alteração no tocante às mudanças, pois “respinga” na saúde econômica da empresa.
QUESTIONAMENTO DA CONCEPÇÃO TRADICIONAL
DE EMPRESA.
Os ventos atuais, em relação à sociedade como um todo, começam, cada vez mais, a colocar em choque o perfil tradicional de qualquer empresa ou organização que se debruça sobre si mesma e seus interesses. Nesse sentido, pode-se dizer que o processo de globalização, por mais ambíguo que seja, traz, no seu bojo, aspectos interessantes. Por quê? É impossível, nos dias atuais, querer fechar os olhos para a realidade, sem ser interpelado pela mesma. O que caracteriza a concepção tradicional de uma Empresa cuja filosofia gesta em torno de si? Vejamos: 1. A busca da maximização de lucros com a minimização de custos. 2. A indiferença frente aos aspectos sociais e políticos, a não ser que esses lhes dêem alguma vantagem à empresa. 3. A pessoa, dentro desse contexto, não passa de uma engrenagem na máquina da maximização dos lucros, como sendo uma peça da produção. A partir dessa lógica, a pessoa é “meio” e não “fim”. Ora, essa organização tem vida curta e os dias contados, graças a Deus!
EMERGE UM NOVO CONCEITO DE ECONOMIA
NAS EMPRESAS.
Grandes economistas, cada vez mais, têm presente que é necessário repensar a economia, situando-a no contexto da sociedade como um todo. Não é mais possível criar riquezas, sem a participação de todos no usufruto das mesmas. O homem foi criado por Deus para ser feliz. Como explicar uma sociedade com tanta desigualdade, fome, exclusão, exploração, medo e violência? Acabo de ler o livro do economista Gilson Karkotli, doutor em gestão de negócios, especialista em Marketing na Universidade Católica de Los Angeles (EUA). Na apresentação do livro “Responsabilidade Social Empresarial” – Vozes – 2006, vemos o seguinte: “A responsabilidade social não é filosofia, técnica, modismo, gestão ou ideologia, mas sim uma estratégia empreendedora que transforma uma organização, tornando-a competitiva, dinâmica, transparente, humana, ética e, assim, a sua ‘imagem de marca’ se solidifica e aprimora-se o retorno financeiro em lucratividade assim como no mercado de capitais”. E continua: “Por fim, a essas vantagens alia-se o lucro social, contribuindo pela melhoria na qualidade de vida de todos”.
OS NOVOS EMPREENDEDORES E A ECONOMIA.
“As verdadeiras descobertas não consistem em divisar novas terras, mas ver com novos olhos” (cf. Marcel Prost). Caro leitor! Em meio a um fogo cruzado, nas áreas ideológica, econômica e social, penso que os novos empresários e economistas que, em número expressivo, anualmente, saem das universidades, são desafiados a dar um passo em direção ao desconhecido, mas confiantes no “Espírito da verdade”, que é Deus. Pena! Muitos intencionalmente, têm boa vontade, pensam em acertar o passo, mas prescindem da transcendência. Vejamos: “(...) o capital por si só não produz resultados, pois sem os recursos da natureza e sem a inteligência e o trabalho do homem a empresa é improdutiva” (cf. ibidem p. 28). Aqui, o autor nos faz refletir a importância do ser humano no contexto da empresa, ou seja, ele é mais que uma peça de produção, pois participa, de forma consciente e responsável, do desenvolvimento da mesma. Diz, ainda, o autor: “uma organização, para desenvolver a gestão da responsabilidade social, deverá, em primeiro lugar, transformar sua cultura organizacional para uma cultura humanista”. (cf. ibidem p. 30). Eis o desafio para muitos empresários que “pararam” no tempo. A nova sociedade não pode ter como fundamento o materialismo e o relativismo para edificar um mundo mais justo, mas deve fazer correto uso da inteligência que Deus lhe deu. Portanto, na edificação da mesma é preciso um fundamento sólido e não um simples desenvolvimento tecnológico. Deus é a rocha firme sobre a qual edificaremos o mundo do futuro e para as gerações vindouras.
O QUE A IGREJA TEM A DIZER AO HOMEM
CONTEMPORÂNEO?
Cato leitor! No dia 07(sete) de Janeiro, próximo passado, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, ao se encontrar com o “Corpo Diplomático”, acreditado junto à Santa Sé, fez um discurso a todos. Vejamos algumas idéias para nossa reflexão: Para ter justiça e paz não se pode excluir Deus do horizonte do homem e da história. A segurança e a estabilidade do mundo permanecem frágeis. Portanto, diz o Papa: “A liberdade humana não é absoluta, mas se trata de um bem partilhado, cuja responsabilidade incide sobre todos. A ordem e o direito só pode ser uma força de paz eficaz se os fundamentos permanecerem solidamente ancorados no direito natural, doado pelo Criador. Portanto nunca se pode excluir Deus do horizonte do homem e da história. O nome de Deus é um nome de Justiça; representa um apelo urgente à paz.” (Fonte: L’Osservatore Romano – 12/01/2008 – p. 7). Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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