Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1261
Hoje: 02/12/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Diálogo & Conhecimento

EMPRESAS, EMPRESÁRIOS E COMUNIDADE.
Caro leitor! É indiscutível o cenário do mundo atual no tocante ao desenvolvimento nos diversos setores referentes à sociedade como um todo. O avanço tecnológico se concretiza não só a nível científico, mas se alarga para uma consciência coletiva, em setores que tradicionalmente vivia à margem e isolada. Por outro lado, as máquinas de ponta, principalmente em países subdesenvolvidos e emergentes, até pouco tempo eram usadas por diversas empresas, que treinavam, para não dizer "adestravam" pessoas que aprendiam a manejar, sem compreendê-las em sua essência. Ora, esse fenômeno reducionista fazia da "pessoa" nada mais que um "robô" humano produtor útil, que podemos chamar de "escravidão cibernética". Do ponto de vista antropológico, é uma tragédia. Contudo, parece que há uma reação positiva, quando se percebe uma maior abertura para o processo educacional do país que, paulatinamente, procura suprir essa defasagem triste e melancólica que, até então, fazia parte de nossa realidade. Surgem, aqui e ali, grupos conscientes que pressionam seus responsáveis para a mudança desse desvio social e cultural, a fim de devolverem às pessoas a dignidade, bem como sua identidade e darem um basta a essa cruel realidade. Ora, isso vai alterando, de maneira indireta, o procedimento das empresas na condução de seus negócios, ou seja, não apenas na perspectiva da lucratividade, mas a inserção no interagir num contexto mais amplo que a simples organização, seja de qual for a sua natureza.
A SUSTENTABILIADE DE UMA ORGANIZAÇÃO EMPRESARIAL NUM MERCADO COMPLEXO E COMPETITIVO.
O grande desafio, hoje, para a saúde de uma organização empresarial, no ponto de vista econômico, é a mudança de mentalidade, mais criatividade e autonomia e, a partir daí, encontrarão soluções que, com certeza, vão depender muito mais do empresariado do que propriamente do governo. Vejamos: "(...) de nada adianta os empresários cruzarem os braços esperando que o governo faça o que eles podem executar, seguramente de maneira mais eficiente e criativa" (cf. Karkotli, Gilson - Responsabilidade social empresarial - Vozes - p.51).
E continua o autor: "As empresas têm de se adaptar às novas realidades, globalização, novos valores pessoais, novos paradigmas, portanto, assumir um papel mais amplo, que transcenda ao de sua vocação básica de geração de riquezas, voltando-se cada vez mais para o social, ou seja, o investimento social" (cf.ibidem). Caro leitor! Quando se aborda a questão da responsabilidade social de uma empresa em nossos dias, temos que ter a clara consciência de que a sustentabilidade dos negócios da mesma tem que passar necessariamente por um projeto de responsabilidade social corporativa. Não há outro caminho! Ou os novos empreendedores devem assumir esta bandeira ou, caso contrário, irão caminhar à "falência", o que não deixa de ser uma tragédia social e não apenas da empresa.
Para o empresariado que está emergindo em nosso país, pode-se dizer que esta postura é: "MATURIDADE" e "MAIORIDADE". Portanto, é necessário conduzir o processo de mudança nas empresas de tal maneira, que as preocupações sejam focadas não apenas no desempenho econômico, mas na conduta ética dos negócios, ou, como diz o economista karkotli: integrar a disciplina do negócio na sua cadeia de valor e elaboração de balanços ditos "sociais" ou de "sustentabilidade".
O LUGAR DA "PESSOA" NUMA EMPRESA HOJE.
A grandeza de qualquer organização que se preza, sem dúvida, terá que ter presente à "individuação" do ser humano, respeitando sua dignidade, identidade e autonomia. A saúde econômica de uma empresa está centrada na maneira como valoriza seu funcionário. Esse, não é apenas uma peça que produz riqueza, mas um colaborador que edifica o "NOME" e a "MARCA" da empresa. Por outro lado, esse tratamento deve se estender "aos consumidores, fornecedores, comunidade e meio ambiente" (cf.op.cit.Karkotli e Aragão - 2004).
A "MARCA" DO PRODUTO NUM MERCADO PLURAL E COMPETITIVO.
Caro leitor! Karkotli, em seu livro, faz uma afirmação muito interessante. Vejamos: "(...) A "marca" é o maior patrimônio que uma empresa pode ter e ela se fortalece se houver um conceito amplo de responsabilidade social" (cf.ibidem- p.58). Ora, o que significa isso? Com certeza, está ligada à imagem que o consumidor tem de determinada organização. Nós precisamos, cada vez mais, ter consciência de que, ao tomarmos conhecimento que determinada empresa, seus produtos são fruto de mão de obra escrava, infantil e etc., temos não só o direito, mas a obrigação de boicotar tais produtos. Não se compra enquanto não há uma mudança de postura. Essa é a atitude que a sociedade deve ter para se criar uma cultura e um desenvolvimento justo e fraterno, com acento na dignidade do ser humano feito à "imagem e semelhança de Deus" (cf.Gn.1,27). Nos Estados Unidos e na Europa, 80% dos consumidores preferem comprar produtos de empresas socialmente responsáveis. E nós?!! Caro leitor! Como cristãos, penso que a exigência em relação à lealdade, honestidade, justiça não poderá ficar nunca em segundo plano. Pelo contrário, precisamos trabalhar para que, em nosso país, haja justiça, trabalho, educação, saúde, transporte para todos. Pois as riquezas estão aí, para que todos, como irmãos, possamos usufruí-las. Deus nos criou para sermos irmãos uns dos outros e felizes. Pense e reflita!
Pe. Ari Antônio da Silva - Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia - UPSA - Salamanca - Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br

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