AS SUTILEZAS OBSCURAS PRESENTES NOS
BASTIDORES DO PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO.
Caro leitor! Já pensou porque, nos currículos escolares, desapareceu a disciplina de “filosofia”, introduzindo os jovens ao pensar? Por que na reforma do ensino dos anos 60, simplesmente se ignorou a formação humana e todo o ensino médio se voltou à economia? Assim, outros questionamentos poderiam ser levantados nesta área! Ora, o “pensar” faz parte da essência humana. Passaram-se, desde então, quase meio século e os efeitos começaram a se tornar uma realidade que passou a provocar o desatino numa geração em geral despreparada para enfrentar a complexidade dos novos problemas emergentes, provenientes do avanço tecnológico, exatamente pela falta de compreensão epistemológica do mesmo. Caro leitor! A ausência da filosofia na formação de nossa juventude tem colocado grande parte de nossa liderança juvenil num patamar de superficialidade, a ponto de confundir conceitos como sinônimos, ou seja, “informação” e “conhecimento”. De acordo com o pensador Robert Kurz, temos muita informação e pouco conhecimento, pois, esse, exige método, análise e reflexão, aliás, ferramenta dada pela filosofia. Daí, inferimos que temas extremamente sérios, nos quais se colocam em jogo a sobrevivência da humanidade e a dignidade da pessoa humana, passam a ser tratados com leviandade por aqueles que deveriam dar um suporte sólido, baseado não em sentimentalismos, emoções e modismos, mas, sim, buscando soluções simplistas, cujo pano de fundo sempre gira em torno do mercado. Que tragédia! Falta um bom embasamento filosófico, teológico e ético. Pergunto: os que estão votando leis a favor ou contra o aborto, a eutanásia, as células-tronco têm a suficiente clareza científica, ética e filosófica para tal? Lembremos que nem tudo que é possível fazer do ponto de vista científico é ético. O que se passa nos “porões” da política e da economia frente a esses problemas? Votos? A AMBILAVÊNCIA DA CONTRACULTURA DOS ANOS 60.
Ironicamente, a história que é feita pelo homem, enquanto inserido na temporalidade, mostra, para quem tem visão crítica, ante o decurso da mesma, fatos curiosos. Vejamos alguns deles: 1. As ideologias estão doentes e as idéias revolucionárias perderam todo o seu crédito na atualidade. 2. O racionalismo tecnocrático mostrou seus limites. 3. O ideal socialista ruiu. 4. O liberalismo não oferece uma visão coerente do homem e do seu destino e muito menos o neoliberalismo. 5. A teoria laicizada da providência herdada do século das luzes, ou da conhecida “filosofia do progresso” também criou o caos e a frustração. Tudo fez com que, no início do séc. XXI, tivéssemos uma grande incógnita e um desafio sério aos cristãos do nosso tempo, já apontado na Encíclica “Spe Salvi”, de Bento XVI, ou seja, a perda do sentido e da identidade. O grande filósofo Michel Lacroix, ante todas essas questões e nesse vazio filosófico da atual sociedade, nos adverte do grande perigo que está pesando sobre o indivíduo e sobre a sociedade, ou seja, uma ideologia da totalidade que corre o risco de se tornar uma ideologia totalitária. Portanto, a expressão “unir tudo para diluir” pode estar por trás dessa tendência.
A AUSÊNCIA DE IDENTIDADE = O VENENO INVISÍVEL.
Caro leitor! Quando aponto a falta de introduzir às novas gerações na arte de pensar com lógica e coerência, não se trata apenas de uma simples crítica ao sistema educacional atual, mas da capacitação de discernir o que está no invólucro do pensamento atual, com conseqüências a médio, e longo prazo, desastrosas. Vejamos o que nos alerta o filósofo Michel Lacroix: 1. A sutileza ideológica da metafísica da unidade, a mudança do paradigma, o alargamento da consciência e a transformação. Essa visão mostra o caráter totalizante da representação do mundo que permeia a idéia daqueles que se chamam adeptos da “Nova Era”, aliás, essa forma de pensar atrai muitos “ditos” intelectuais sem que façam um ajuste crítico. 2. Lacroix nos faz ver o quanto são sérias as ameaças sobre o indivíduo e sobre a sociedade. Que, sorrateiramente, veicula uma ideologia oposta à cultura, nos séculos, construída. Ora, esse pensamento é diametralmente antagônico a toda herança cultural ocidental, ou seja, coloca tudo, como se fosse um “entulho” a ser jogado fora. Curiosamente, não nos damos conta de que junto a esse mesmo vai também nossa “identidade”.
O HOMEM OCIDENTAL FASCINADO PELAS
CULTURAS ORIENTAIS.
Penso que nem tudo o que a “Nova Era” critica está fora da lógica, entretanto, necessitamos de discernimento. É aí, caro leitor, que sinto a necessidade da formação filosófica, ou seja, da arte de pensar de forma lógica, sistemática e crítica. Por quê? Não podemos fazer um discurso fechado sobre nós mesmos, pois isso nos conduz à esterilidade cultural. A riqueza da cultura oriental é indiscutível. Ex.: a medicina alternativa, as terapias e etc. O perigo se encontra no momento que esse pensamento se torna uma ideologia fechada em uma visão de mundo totalizante, onde o ser humano e a transcendência se diluem num todo que, na prática, pode ser dito como a perda da identidade do “EU”. Do ponto de vista teológico, incorremos num erro mais grosseiro ainda, ou seja, Deus sendo confundido com o imanente, com isso, o homem tendo a petulância de se auto proclamar “deus”. Isso é um absurdo para qualquer pessoa de bom senso. (continua no próximo número).
Caro leitor! Pense e reflita. – Paróquia N.Sra.de Lourdes- Canela- RS
Padre Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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