O FUNDAMENTO DO PENSAR CONTEMPORÂNEO.
Caro leitor! Revisar a caminhada histórica pessoal e comunitária, sempre é sinal de sabedoria, prudência e humildade. Por quê? É a postura de alguém que cresce, mas ajustando a caminhada feita. É um gesto de grandeza. Partindo desse pressuposto, perguntamos: em que direção e donde emerge a base do pensamento atual? Entretanto, não devemos ser ingênuos de pensar que a mudança é imediata, pois é fruto de um longo processo de fatos que vão tomando características fortes, no dinamismo da vida e vão se transformando, abrindo novos paradigmas, sejam positivos ou não. Ora, como o homem é um ser pensante, é através da ciência, com seus diversos segmentos, que aos poucos, se alteram comportamentos, bem como as culturas.
QUAIS AS CARACTERÍSTICAS MARCANTES DE NOVOS TEMPOS QUE EMERGIA NA DÉCADA DOS ANOS 60?
1. A reação pela libertação do excessivo peso das organizações modernas, do controle social e pela busca da autonomia dos indivíduos. 2. A rejeição dos princípios da modernidade, dos valores moralistas da sociedade de consumo, que se opunha aos valores do ser. Portanto, se reivindicava a liberdade. 3. Buscava-se nova aliança nas relações interpessoais. 4. A ânsia por paz, fraternidade e amor. 5. A acusação à ciência e à tecnologia de agredirem a natureza.
OS SINAIS E SINTOMAS DE UMA NOVA ETAPA NO PENSAMENTO DA ATUALIDADE.
Surpreendentemente, o entusiasmo da era industrial com seus avanços significativos, na década dos anos 60 (sessenta) entra numa fase de cansaço, desilusão e frustração. Justamente nesse período, de forma mais clara, surge o movimento da “contracultura”, até então vigente. Essa, marcada por fortes traços materialistas e desumanos. Sintetizando o comentário do filósofo Michel Lacroix a esse respeito, inferimos o seguinte: 1. A contracultura volta-se a uma mística no sentido oposto ao racionalismo da civilização racionalista, técnica e secularizada, que se encontrava no apogeu. Curiosamente, há um retorno ao religioso, mas de forma exótica. Poderia se dizer de uma maneira “eclética”, normalmente animada por “gurus” orientais. 2. Alguns jovens ficaram conhecidos como “hippies”, que se organizavam em comunidades, levando uma vida austera. 3. Na correnteza dessa prática, a “droga” desempenhou um papel importante, pois pretendia através da mesma, explorar estados psíquicos limites, desenvolver a criatividade. A droga foi incitada por um professor de Psicologia de Harvard aos seus alunos. Desde então, os artistas começaram a pintar, com a ajuda de alucinógeno que deu origem a chamada “arte psicodélica” caracterizada por motivos coloridos e fantasmagóricos. Ora, toda essa iconografia difundida hoje pelos adeptos da Nova Era, aparece em camisetas, rock roll, broches, colares, fitas e etc. 4. Há também uma concepção animista da “Terra mãe”, que chamam de “Gaia” (vem da cultura grega= deusa terra). 5. Outra característica, é que se tornou uma comunidade política que, inicialmente, se colocou à margem da democracia, criando assim um regime “teocrático”.
PARA ONDE VAMOS? O QUE ESTÁ POR TRÁS DE TUDO.
Caro leitor! Vivemos num tempo obscuro e confuso. Esse pensamento se apresenta como um verdadeiro laboratório ideológico para as mais variadas seitas, assim como a conhecida “seita transcendental”. Curioso é que, na sua origem, a “Nova Era” nasceu contra o materialismo e a civilização do ter, hoje representa um mercado rentável. Basta observar institutos de formação para desenvolvimento pessoal, de terapias, de análise de si mesmo, de experiência de grupo, de aprendizagem, de meditação coletiva que oferecem, aos indivíduos, a possibilidade de realizar sua transformação pessoal. (fonte: A ideologia da Nova Era - Michel Lacroix).
OS SÉRIOS PROBLEMAS DE NATUREZA FILOSÓFICA, ANTROPOLÓGICA E TEOLÓGICA NA SUBJACÊNCIA.
A reflexão dos adeptos da Nova Era em relação à “Gaia” (terra mãe), de um lado, levanta questões pertinentes, como a agressão à natureza, a poluição, o desmatamento e etc., em nome do “progresso”. Entretanto, a hermenêutica da mesma, conduz a uma teoria finalista. Daqui surge o “holismo” = tudo. De acordo com o pensador Michel Lacroix, isso leva ao seguinte: “A unidade é a única realidade e a diversidade é a sua manifestação aparente” (cf.ibidem p.35). Ora, essa visão se opõe à abordagem analítica do mundo. Isso conduz o homem a não sentir inquietação, porque sabe que apenas se trata de aparência das coisas. A diversidade tem apenas um caráter superficial. Por outro, há um sério e grasso erro antropológico, ou seja, o homem não se considera mais como um ser separado dos seus semelhantes. A unidade metafísica se ergue como evidência. A natureza de cada um deixa de lhe ser estranha, pois os homens formam um só. Outro problema é o de natureza teológica. Vejamos: “(...) O conceito de Deus altera-se porque o divino perde o seu caráter de realidade separada e transcendente: Deus confunde-se, então com o homem. A alteridade cede lugar ao fundível. A solidão não existe mais. O passado e o futuro se encontram. A própria morte é vencida” (cf.ibidem p.35). E continua: “esta concepção holística inscreve-se, evidentemente na continuidade da tradição esotérica. O tema do Uno e do Todo é uma herança da gnose, da filosofia oriental e da mística”. (continua...).
Paróquia N.Sra. de Lourdes - Canela - RS
Padre Ari Antônio da Silva - Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia - UPSA - Salamanca - Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
home | topo
© 2005/2008 - Todos os direitos reservados - Empresa Jornalística Nova Época
Quem somos - Fale conosco - Publicidade