O ABSURDO DA METAFÍSICA DA TOTALIDADE E A NEGAÇÃO DA ANTROPOLOGIA DA SINGULARIDADE.
Caro leitor! O modismo da transformação pessoal defendido pelos adeptos da Nova Era e cultivado através de terapias de grupos e etc., frisa a anulação do “EU” para absolutizar o “holismo pensante” como um “TODO” indissociável. Para conduzir a esse poço sem fundo, impreterivelmente é usado expressões em forma de “máximas lapidares” como: “mudemos nossas mentalidades”, “aprendamos a visão global”, “adotemos o novo paradigma”.
O processo é levado até as últimas conseqüências ao ponto de afirmar: Deve-se ser holístico até no “sentir”. Há poucos dias um empresário bem sucedido me procurou para trocar idéias sobre questões que o afligiam nas suas relações de amizade dos grupos que participa. Dizia ele: “Sinto que o grupo que freqüento está cada vez mais me cerceando por eu ‘ser eu’. Isso me angustia. Estou perdendo a capacidade de decidir e comecei a ser excluído do grupo por discordar do mesmo. Será que eu estou errado? Percebo algo estranho, pois sou forçado a pensar o que o grupo pensa”. Caro leitor! Após um longo diálogo, mostrei a ele o quanto estava sendo vítima desta “metafísica da totalidade”, bem como o risco de perder o chão da vida e o equilíbrio. Ele se assustou e exclamou: “Essa é a sensação que tenho”.
TORNAR-SE UM HOMEM SEM FRONTEIRAS? E A MINHA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL?
Caro leitor! Não há dúvida que em nosso mundo globalizado há uma meia verdade em ser um homem sem fronteiras, até porque, a rapidez da comunicação permite o encurtamento das distâncias, seja de natureza geográfica ou cultural. Por outro lado, é necessário estarmos atentos, pois nos bastidores desse processo esconde-se um veneno letal, com o argumento da “transformação pessoal”. Isso é a profissão de fé preconizada pela Nova Era, ou seja, o “OTIMISMO”. Esse é ingênuo, irreal, frente à realidade da vida. Para tanto, usam técnicas e terapias, grupos de estudos, com “máximas lapidares” em forma de mantras.
Vejamos: “atualize o seu eu”, “utilize seu poder criador”, “liberte o poder de sua imaginação”, “pense de forma positiva”, “alargue sua consciência”. Esse é o método chamado de “holotrópico”, ou seja, processo para dissolver a consciência no “Todo”. Curiosamente, temos autores famosos atrás desse pensamento. Vejamos: Allan Watts, Paul Tillich, Rolo May, Carlos Castaneda, Maslow, Carl Rogers. Com certeza esses autores tinham outro objetivo, ou seja, fazer as pessoas desenvolver o grande potencial humano. Por outro, os adeptos da Nova Era se apossaram desse pensamento e radicalizaram levando a conseqüências extremas, pois o objetivo deles é a criação de um homem novo. No processo de transformação do homem, incentivam o afrouxamento dos valores morais, libertação total sem limite e de maneira especial a libertação da consciência. Para atingir esse objetivo eles “pressupõem exercícios de meditação, mas um tipo de meditação que não visa a reflexão racional, pois de acordo com o filósofo Michel Lacroix, não se trata de elaborar um saber (...) mas criar o vazio em si mesmo” (cf.ibidem p.45). É importante dar-nos conta de que as técnicas de alteração da consciência são, no fundo, sucedâneas da “droga”. Quando eles afirmam a questão do alargamento da consciência, essa e a droga têm em comum a sensação extática de uma comunhão com a realidade, o sentimento oceânico, a plenitude, a inefabilidade, a modificação da percepção do tempo, a despersonalização, a euforia e a supressão dos interditos” (cf.ibidem p.47).
A NOVA ERA E A DROGA.
A geração dos anos 60, no movimento da contracultura exaltava drogas como: marijuana, LSD, plantas alucinógenas, como meios de provocar êxtase e as “experiências culminantes”. Lacroix faz uma afirmação que considero grave e preocupante: “A Nova Era é o espelho das nossas sociedades, onde a cultura da droga se expande à mesma velocidade que a cultura do “EU” e do desenvolvimento pessoal” (cf.ibidem p.48).
O ABSURDO DE FUNDIR A CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL NO TODO
Essa postura é um contra senso descomunal. Estamos ainda em tempo para refletir, analisar e reagir a comportamentos que a cada dia que passa está tomando corpo. Observem algumas coisas. 1- as pessoas não têm mais a liberdade de serem elas, pois devem pensar como todos e perdem a autonomia que faz parte da dignidade humana. 2- o Todo significa também que Deus deixa de ser transcendente e exterior para fundir no homem, pois de acordo com eles, há uma comunicação fácil com Deus e formam um só com Ele. Por isso a máxima: “Lembrem-se de que são Deus”. Ora, essa transformação pessoal, termina na apoteose pela divinização do homem. Absurdo e ridículo. 3- a palavra finitude nunca é pronunciada pelos adeptos da Nova Era, mas há uma exaltação à glória do homem. Ora, a Teologia cristã é muito clara, quando afirma: Nós participamos da divindade de Cristo pela sua Encarnação na história humana, mas nunca há uma identificação com Deus, tornando-se um com Ele. Caro leitor! Comece a desconfiar de grupos intimistas que se proliferam, dia após dia, entre nós.
(continua no próximo número).
Paróquia N. Sra. de Lourdes - Canela - RS
Pe. Ari Antônio da Silva - Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia - UPSA - Salamanca - Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.caatedraldepedra.com.br
home | topo
© 2005/2009 - Todos os direitos reservados - Empresa Jornalística Nova Época
Quem somos - Fale conosco - Publicidade