Jornal de Canela

ANO XXIII - EDIÇÃO Nº 1271
Hoje: 14/03/2010

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Seção: Especial

Bebê de nove meses morre após passar por uma cirurgia de correção de uretra

Imagem da notícia: Bebê de nove meses morre após passar por uma cirurgia de correção de uretra Erro médico ou fatalidade?
Revolta, indignação, desespero, saudade, dor e sofrimento. Faltam adjetivos para expressar o sentimento de perda de João Fernando Neto, Daniela Alves e de toda a família Neto após a morte do pequeno Pietro, de apenas nove meses. O bebê passou por uma cirurgia de correção de uretra. No entanto, o que era para ser um procedimento médico simples, terminou em tragédia familiar às vésperas do Dia dos Pais. Meu filho entrou na sala de operações às 16h e foi entregue morto às 2h da manhã, conta o pai, João Fernando Neto.
Na tarde de quinta-feira, dia 7, o menino deu entrada no Pronto Atendimento da Unimed.
Depois de anunciar o fim da cirurgia, os familiares notaram um corre-corre na sala de operações. Informaram que estava tudo bem, mas não entendia o motivo da tensão. Se estava tudo bem, por que a correria? Só disseram que era o procedimento normal, afirma o pai.
Segundo ele, a cirurgia estava marcada para as 15h. Porém, a médica e a anestesista chegaram uma hora mais tarde. Estava preocupado com meu filho desde o primeiro momento. Fiquei espiando a cirurgia por uma fresta na porta, que nem deve existir mais. Vi que a médica tirou a luva e começou a massagear o peito do meu filho. Depois, o batimento cardíaco normalizou e ela voltou ao procedimento, conta João Fernando. Perguntei como tudo tinha transcorrido. Ela respondeu que tudo estava perfeito, que estavam esperando ele acordar, mas o clima era nervoso, completa.

NOVE HORAS DE ANGÚSTIA
Segundo a família Neto, ninguém na Unimed prestou informações concretas sobre a saúde do bebê. Depois de confirmar o sucesso do procedimento, também conforme a família, os profissionais voltaram atrás com a notícia de que o quadro era instável. Elas estavam pálidas. Só disseram que não sabiam o que havia acontecido e resumiram: - Ele não está bem! Estamos tentando resolver, conta a avó da criança, Maria de Lurdes Tomazi.
Maria de Lurdes destaca, ainda, que buscou informações com outros médicos que estavam na Unimed. O médico de plantão não me deu atenção. Continuou sentado, olhando televisão.
Depois, foi para a sala de operações e não voltou. O outro médico fechou a porta e ficou trancado na sua sala, frisa. O movimento nos corredores era constante. Tinha até uma viatura da Brigada Militar no local, mas não tinha ninguém para ser atendido. Depois, anunciaram que o bebê precisava ser transferido para Porto Alegre, afirma a avó. Sem notícias e temendo pelo pior, os familiares acionaram o pediatra da criança. Pedi que ele me trouxesse alguma informação. O doutor entrou na sala e não saiu mais. Ficamos desesperados, diz Lurdes.
Com as complicações, a equipe médica optou pela remoção da criança para Porto Alegre. O helicóptero da empresa foi acionado. No entanto, chegou tarde demais ao Pronto Atendimento. O piloto saiu xingando a equipe. Ele disse que não tinha condições de pousar no local porque não tinha iluminação. Só duas lâmpadas estavam funcionando. Temos testemunhas para tudo que estamos dizendo, afirma o avô do menino, João Luís Neto.
Depois de receber a notícia do óbito, o tio da criança ficou revoltado e teve que ser controlado, após causar estragos na recepção da Unimed. Com o anúncio da morte, ele ficou descontrolado, conta João Luís.
Segundo a mãe do bebê, foi o médico de confiança da família quem deu a notícia do óbito. Só tenho a agradecer a ele, que saiu de casa para prestar atendimento. Se não fosse o nosso médico, que nem era da equipe, iríamos demorar ainda mais para ter a informação, afirma Daniela.

DOCUMENTOS
Conforme a mãe da vítima, os exames médicos não foram entregues pela Unimed para a família. Inconformada, Daniela destaca que o diagnóstico da morte foi insuficiência respiratória, mas indaga: Ninguém sabe responder o que causou a insuficiência respiratória. Não sabemos quais as circunstâncias da morte. Estão escondendo informações. Onde está o prontuário médico? Não há razão para mandar o material para Taquara, lamenta a mãe.
Vamos procurar as autoridades. Esperamos até o meio-dia de ontem e não nos entregaram nenhum exame que explicasse a causa da morte do meu filho, completa o pai. Sabemos que não tem volta. Nada vai trazer meu neto, mas não queremos que outras famílias passem o que estamos passando, conclui a avó.
O Jornal de Gramado omitiu o nome dos profissionais envolvidos por não existir denúncia oficial a respeito do caso.

Unimed: Nenhum erro foi apurado até o momento
A Unimed fez um pronunciamento nesta semana através do departamento jurídico.
O advogado Fábio Brack destaca que a empresa aceita a posição da família e a comoção pela perda de um ente querido, mas adianta que todos os procedimentos médicos foram realizados de maneira correta. Até agora, todos os procedimentos apurados estavam dentro da normalidade, afirma.
No que diz respeito ao atendimento prestado à família da vítima, Fábio frisa que todos os documentos solicitados foram entregues, entre eles, os prontuários e exames.
O advogado diz não ter conhecimento de que a Brigada Militar tenha sido acionada antes do anúncio do óbito.
Os policiais foram chamados para atender ocorrência de dano, causado por uma familiar da vítima, que depredou computador e vidros do PA, diz ele, lembrando ainda que um funcionário de plantão teve um olho atingido por estilhaços de vidro.
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