Jornal de Canela

ANO XXV - EDIÇÃO Nº 1274
Hoje: 03/09/2010

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Seção: Especial

CASO QUE CHOCOU CANELA

Bebê dado como morto chora e se mexe no próprio velório

Imagem da notícia: CASO QUE CHOCOU CANELA - Bebê dado como morto chora e se mexe no próprio velório Tudo começou às 4h da manhã de terça-feira (2), quando estourou a bolsa de Jéssica Velho da Silva. Como a moça sentia muitas dores, os familiares esperaram algum tempo, para só então às 10h encaminhar Jéssica ao Hospital de Caridade de Canela (HCC).
Chegando ao HCC, a moça já se encontrava em trabalho de parto, mas a sala de cirurgia estava sendo utilizada, e por isso não foi possível começar o procedimento de cesariana. Então o jeito seria fazer parto normal, mas não havia a dilatação necessária para ser feito este procedimento, e então a moça foi posta em um quarto com soro, para aguardar. Ainda no quarto, segundo Jonas, os funcionários do hospital mandavam ela fazer forças para tentar realizar o parto normal.
Segundo o pai do menino Braian Velho Padilha, Jonas Misael Herold Padilha, Jéssica foi tratada mal pelo HCC. Ao invés de tentarem fazer algum procedimento ou então transferir a paciente para outro hospital, deixaram-na em um quarto com soro.
O atendimento ocorreu apenas às 20h30min, de terça-feira, mais de 16 horas depois do início do trabalho de parto. Segundo testemunhas, o bebê nasceu por volta das 22h.
Ao ouvir um pequeno choro vindo da sala de cirurgia, a família ficou aliviada, pois Braian estaria bem. Só que nenhum médico, ou enfermeira saiu da sala para dar a notícia. Isso veio a ocorrer só por volta das 23h30min, quando foi dada a notícia de falecimento da criança.
Logo, membros da família foram providenciar a capela para fazer o velório do pequeno Braian.
Ao ser avisada a funerária enviou uma funcionária ao hospital para fazer o procedimento.
Chegando ao local, Giovana Bohrer dos Santos, funcionária da funerária foi diretamente ao necrotério para pegar o pequeno Braian. Quando chegou ao necrotério a moça escutou um suspiro, vindo de um gemido, que saia da criança. Logo, Giovana foi entrou novamente no Hospital, e disse que o bebê estava vivo, mas lhe explicaram que por tentarem reanimar o menino, foi colocado oxigênio, e por isso seus pulmões poderiam ainda ter ar, o que causaria os suspiros.
Depois desta situação, Giovana voltou ao necrotério, tentou sentir o pulso do bebê e seus batimentos, mas não os sentiu. Mas com aquela situação não realizou o tamponamento e nem lacrou o caixão, apenas colocou a tampa em cima, e encaminhou o bebê até a capela.
Seguidamente durante o velório se escutava o barulho de suspiros vindo do caixão, mas a agente funerária explicou a mesma coisa que ouviu no Hospital, que aquilo era normal porque ainda havia ar nos pulmões.
Muito tempo se passou, mais de duas horas, e o barulho vindo do caixão começou a aumentar, sendo que podia ser ouvido do lado de fora da capela, segundo familiares.
Neste momento, dois funcionários da Associação Cristã de Moços (ACM), responsáveis pelas capelas da cidade, estavam chegando ao local, e foram chamados pela família que alegava estar acontecendo algo de anormal. Um dos funcionários destampou o caixão, e verificou que o bebê estava quente, que mexia seus pés e mãos, e ainda suspirava. No momento em que houve esta constatação, o pai da criança foi chamado e o caixão foi levado para o Hospital. Chegando ao hospital a família entregou o caixão ao médico plantonista, e a criança logo foi levada para o berçário.
Após alguns minutos o médico retornou, alertando a família de que a criança apresentava sintomas vitais, mas que a situação era muito grave.
Imediatamente a Dra Luciana Laranjeira, que estava cuidando do caso, pegou o bebê e o pôs na incubadora, para tentar salvar a vida do pequeno Braian. Este acontecimento ocorreu por volta das três horas da manhã.
Mais de três horas depois, por volta das 6h, veio a notícia de que o bebê não resistiu e veio a óbito.
FAMÍLIA AGRADECE A MÉDICA
A família do bebê Braian faz um agradecimento especial à médica pediatra Dr. Luciana Laranjeira, que em todos os momentos se fez presente no caso e tentou reanimar a criança até o último momento, mesmo após o bebê ter voltado da capela.
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Delegado Lima falou sobre o caso

Imagem da notícia: Delegado Lima falou sobre o caso O Delegado Luiz Rogério Carvalho de Lima comentou na tarde de ontem, 4, sobre o caso do bebê Braian.
Segundo o Delegado o atestado que saiu do Hospital de Caridade de Canela, não constatava em nenhum momento vida no bebê. Sendo que não existe um segundo laudo.
Como diz o Delegado, a Polícia não tem como emitir um pré-julgamento, pois a principal prova seria se houve ou não respiração na criança após o parto.
Nesta quinta-feira (4), o Delegado pediu a exumação do corpo, que já foi enviado ao IML de Caxias do Sul. O resultado da autopsia deve sair provavelmente na segunda-feira.
O processo do inquérito será feito da seguinte forma: primeiros serão recolhidos os depoimentos de familiares e testemunhas, e só depois as pessoas do Hospital que foram envolvidas no caso. Os depoimentos já começaram ontem.
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Posicionamento do Hospital de Caridade

Imagem da notícia: Posicionamento do Hospital de Caridade Em contato com o Administrador do Hospital de Caridade de Canela, José Machado, obtivemos a informação de que o HCC ofereceu o atendimento necessário para o caso.
Segundo Machado, em torno das 10 horas de terça-feira, a jovem Jéssica Velho da Silva, foi encaminhada a maternidade e logo a enfermeira e o médico Pedro Henrique Dias fizeram toda a avaliação necessária. O atendimento foi imediato, mas a criança nasceu com parada cardio-respiratória, conforme laudo médico.
De acordo com Machado o ocorrido realmente é uma fatalidade, mas estão sendo tomadas todas as providências necessárias. Uma comissão liderada pelo Diretor Técnico, Dr. Talles, está analisando o caso e logo que informações precisas sejam concluídas, um comunicado oficial será repassado a comunidade e interessados., finaliza o administrador.
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NOTA DE ESCLARECIMENTO

Tendo em vista o infortúnio ocorrido no dia 2 de setembro com o falecimento da criança B. V. P., vimos, por meio deste, prestar esclarecimentos à comunidade.
A mãe Jéssica Velho da Silva deu entrada no hospital às 10h40min do dia 2 de setembro, em trabalho de parto. Teve dez atendimentos incluindo avaliações médicas e exames, e às 22h9min nasceu de parto normal a criança do sexo masculino sem sinais vitais tendo sido realizados os procedimentos necessários para reanimação, a criança permaneceu sem reação.
O ato foi acompanhado por médico obstetra, pediatra, enfermeira e técnica em enfermagem tendo recebido medicamentos, berço aquecido, cuidados precípuos para o melhor atendimento possível, contudo, foi constatado o óbito de acordo com os protocolos médicos. Por motivos que estão sendo apurados inclusive pelas autoridades policiais, durante o velório na madrugada do dia 3, os familiares da criança suspeitaram que ele estava emitindo sons. Às 3h53min a criança deu entrada novamente no hospital tendo sido retomados os procedimentos de ressuscitação, porém, sem êxito.
Lamentamos profundamente pelo ocorrido, porém, até que se apurem os fatos não podem as pessoas emitir juízo a respeito, pois inclusive existem casos semelhantes na literatura médica. O Hospital instaurou Comissão de Sindicância para apurar internamente o ocorrido e a Sociedade de Pediatria inclusive já apoiou os procedimentos adotados pela médica.
Por fim, o Hospital de Caridade de Canela e seu corpo clínico se solidarizam e agradecem a colaboração e apoio dos familiares.
Hospital de Caridade de Canela
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