Jornal de Canela

ANO XXV - EDIÇÃO Nº 1278
Hoje: 21/11/2008

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Seção: Guia de Pesca

Guia de Pesca

Biólogo Gustavo De Marchi (gustavo@d-zone.com.br)

Imagem da notícia: Guia de Pesca  - Biólogo Gustavo De Marchi  (gustavo@d-zone.com.br) A pesca com Float Tube
Estamos na primavera e os black basses, que muitos conhecem como truta verde, se tornam mais ativos. Tenho falado da pesca de bass com mosca ou com minhocas de silicone, mas a forma pela qual tenho predileção para pescá-los é com iscas artificiais do tipo plugue, que imitam peixes e embarcado em meu Float Tube.
O Float Tube,é uma bóia de vestir impulsionado por pés-de-pato, falando sinteticamente, mas ao mesmo tempo é uma poltrona de navegar, além de ser um colete de pesca, pois podemos armazenar muitas caixas com iscas e inclusive caixas térmicas, carregar barracas e equipamentos mais pesados. Sou um entusiasta desta embarcação, que custa a metade do preço de um caiaque de pesca e é infinitamente mais seguro. Quem não conhece sempre me pergunta: mas e o frio? Nada de frio, se usa um wader, ou um long, de neoprene e pronto. Estes dias, numa manhã ensolarada, saímos para pescar no açude da ARPIA em Tainhas. Um pesqueiro muito bem consolidado em termos de estrutura para pesca. Enrolamo-nos para sair e acabamos por chegar por volta das 13h. Após lauto almoço no café do amigo Mauro, partimos para nosso destino. O dia anterior, em dois pesqueiros diferentes, havia, em termos de pesca, sido pouco produtivo, por isso escolhi um lago grande que pudesse pescar embarcado, para este dia. Montamos as tralhas, separamos as iscas e, com o mini compressor, enchi o float tube.
Começamos a pescar e em poucos minutos, no meio do lago tomei uma bela batida num plugue da Storm, infalível para águas de 2 ou 3 metros de profundidade. O peixe mandando para baixo e eu tentado trazer ele pra cima, uma guerra incrível. Era um bass grande, briguento e, como os outros 17 que se sucederam nas cercanias do lado leste da ilha, com muita vontade de atacar.
O Anderson fazia a pesca nas margens, desembarcado, eu inspecionava cada grota da ilha, embarcado e com mais possibilidades de acesso. Quando está dando peixe em um lugar, geralmente não queremos trocar por outro. Mas com muita força de vontade consegui me escapar da tentação e naveguei circundando a ilha. Peguei mais uns belos basses e dei a volta entrando no canal que liga com a segunda metade do açude. Deixei a corrente me levar, pois ventava muito e fui pescando, a deriva. Pesquei alguns basses num colchão de plantas aquáticas que existe no terço oeste desta parte do lago. Basses grandes, mandadores de linha... estava pescando há uma hora e havia pego uma média de um bass a cada 5 minutos.
A pressão estava em 921mb, estável, perfeito para o bass. Utilizava neste momento uma Duel Magnetic, persistindo nos plugues de meia-água, e tendo ótimas ações. A cada 3 basses embarcados eu perdia um. Para resolver isso mudei o trabalho da vara no pulo do peixe. O ideal para isso, na pesca com float tube, seria uma vara mais curta e de ação mais rápida.
Mas fui me adaptando e o resultado foi muito produtivo. No entanto, o Anderson, na margem, mesmo bem posicionado, havia pegado poucos peixes. O convenci a dar uma volta de float tube para testar a diferença. E ele ficou impressionado, em 15 minutos pegou mais peixes que a tarde toda pescando na margem. Isto ocorre por que o float não soa como um elemento estranho aos peixes e muitas vezes os capturamos logo abaixo de nós. Não faz o barulho costumeiro das lanchas, quando a marola bate no casco. Mas o principal é o posicionamento na pesca embarcada, pois os predadores tendem a ficar voltados para a margem esperando um peixe menor sair desta zona procurando mais profundidade, nesta hora ele ataca, se lançarmos a isca da margem para o centro do lago, o que ocorre na pesca desembarcada, muitas vezes não há cancha para o peixe assimilar a informação, tomar a decisão e perseguir a isca. E por fim, a pesca com float tube é confortável, é uma poltrona gostosa dentro da água, pescamos como se estivéssemos assistindo TV, sem nunca largar o equipamento da mão, ou seja, é uma navegação free hande, pois em qualquer outro tipo de embarcação, não se usa os pés para o deslocamento, mas os braços, para manejar motores, remos, lemes ou timões. Pesque e solte!
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