Jornal de Canela

ANO XXV - EDIÇÃO Nº 1278
Hoje: 21/11/2008

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Seção: Fé, Diálogo & Conhecimento

Fé, Ddiálogo & Conhecimento

A MISSIONARIEDADE DO EMPRESÁRIO CRISTÃO NA TRANSFORMAÇÃO DE UMA ECONOMIA SEM ROSTO.

Caro leitor! O mês de outubro tradicionalmente é focalizado como o tempo de volver o olhar para as Missões, assim como a importância do Rosário na espiritualidade do cristão, sendo uma grande alavanca no crescimento da fé, salientando a figura de Maria em todo o processo da evangelização, como a Estrela indicadora da mesma. Entretanto, durante esse período de 06 a 26/10, estará acontecendo em Roma o Sínodo dos Bispos sobre a importância da Palavra de Deus, tema abordado em artigos já publicados nessa coluna. Nesse contexto que gostaria de refletir o papel que o Empresário Cristão deve atuar, não apenas como um empreendedor no mercado, gerando riqueza para a economia do país, mas tendo a profunda consciência de que em suas mãos, muitos dependem do seu sucesso ou fracasso para viver dignamente.
Contudo, esse sucesso não poderá ter como critério as frias regras do mercado, mas a preocupação de conjugar lucro, crescimento, capacidade para competir seus produtos em qualquer mercado, seja nacional ou internacional, tendo sempre vista, que a economia não é um fim em si mesma, mas deve convergir para o bem comum de uma nação e principalmente colaborar na promoção da dignidade humana, pois, afinal, o homem é a imagem e semelhança de Deus (cf.Gn.1,27). É a partir desse pressuposto que o Empresário Cristão passa a ser um missionário extremamente importante na transformação do mundo do trabalho e da economia. Ser um gerador de riquezas sem esquecer de que o fim de tudo é o homem e a grandeza de Deus, que nos deu a inteligência, o discernimento, a vontade e a capacidade de embelezar sempre mais a obra da Criação. Por isso a Empresa do futuro é aquela que saberá conjugar: produtividade, riqueza, honestidade administrativa, valorização do elemento humano, como sendo o mais precioso dentro da empresa. Essa é a possibilidade de perpetuação para o futuro e tarefa do Empresário que assumiu em sua vida, os valores cristãos.
COMO VIVER A ESPIRITUALIDADE NO MUNDO DO TRABALHO?
Caro leitor! Com certeza, um dos maiores desafios a um Empresário Cristão, é conjugar na sua organização, bem como na sua conduta, critérios e valores cristãos, sem abdicar daquilo que é próprio da organização que visa lucro para crescer, capital de giro para manter o dinamismo de uma economia enxuta e eficiente, humana, mas competitiva na produtividade e na qualidade dos produtos da empresa, sem faltar com o respeito e a dignidade do maior elemento que a torna grande, potente e respeitada no mercado: A valorização da pessoa e sua dignidade.
O SEGREDO PARA SER UMA GRANDE EMPRESA INOVANDO.
Caro leitor! O pivô da evolução contínua em qualquer organização que queira entrar no cenário do destaque seja, econômico, social ou político reside naquilo que podemos chamar de: PESSOA como o ápice da pirâmide. Podemos afirmar sem medo que o novo capital das empresas é o fator humano. Gestar uma organização hoje, sem levar em conta esse parâmetro, com certeza, é iniciar um empreendimento já morto na sua origem. Por quê? Ora, nesse jogo existe uma palavra mágica e poderosa que se chama confiança da parte do empreendedor em relação ao seu colaborador e vice-versa. Essa virtude possui alavancas que geram na organização empresarial, dinamismo, maturidade, honestidade, valorização, cooperação e amabilidade. Pois dentro desse contexto que o efeito qualitativo, dá expressivos saltos no crescimento saudável de qualquer organização. Daí a necessidade de preparar gestores com um perfil aberto, determinado, humano com objetivos claros.
A MÍSTICA DO GESTOR EMPRESARIAL COMO DESAFIO.
Caro leitor! Uma das tarefas mais complexas é saber administrar, em meio aos conflitos, o avanço e o desenvolvimento da sociedade, bem como, as necessidades humanas, elemento chave dentro de uma organização de qualquer natureza. Ora, isso requer uma mística, equilíbrio e maturidade. Vejamos: Quem se dedica honestamente à tarefa de administrar aprende rapidamente a abandonar a tendência de moralizar tudo e todos (cf. Grün, Anselm – Vida pessoal e profissional – Vozes – 2007 – p.). Ora, isso se torna um desafio espiritual, porque induz o gestor à oração, ao silêncio e à meditação. Para ter estrutura e equilíbrio não é suficiente lidar com habilidade números, planilhas, mas ter tempo para se recolher. Essa postura irá evitar o estresse, o cansaço, a irritabilidade, estremecer as relações interpessoais seja da organização ou da própria família. Ele terá que ser ele, sem deixar de ver os outros. É nesse quadro que o cristão inserido no comando de uma organização terá sucesso e seja um luzeiro para os seus e os outros. Anselm Grün diz: (...) a tarefa de direção obriga-me a trabalhar constantemente comigo mesmo, para criar autodomínio em lugar de ser dominado pelas emoções. E continua: (...) os frutos não são metas a serem buscadas, mas desafios que me põem a caminhar em sua direção. Jamais poderei dizer a mim mesmo: agora estás indo bem no comando; agora és um gestor maduro, bem assentado em ti mesmo. Todo o dia estou confrontado com meu lado escuro e com minhas fraquezas (cf.ibidem p.151). Caro leitor! Você, como Empresário Cristão, é desafiado a exercer a missionariedade dentro de sua organização. Pense e reflita!

Paróquia Nª. Srª. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br

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