Jornal de Canela

ANO XXV - EDIÇÃO Nº 1288
Hoje: 08/09/2010

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Seção: Evolução - Uma Palavra Sobre Tecnologia

A ilusão ética da frágil regularidade

Imagem da notícia: A ilusão ética da frágil regularidade No país do jeitinho e de malandros protagonistas da Lei de Gerson (levar vantagem em tudo), não me venham falar em justiça no futebol - e muito menos no sistema de pontos corridos do Brasileirão. Compensação pela regularidade das equipes? Com os mesmos árbitros escalados para apitar a maioria dos jogos de determinadas equipes e outras coisitas mais? Conta outra...
A fórmula da regularidade é justa, sim. O problema são os protagonistas que em meio à grande massa de gersistas de Terceiro Mundo não têm ética. Ora, se pela televisão certo imperador dos campos já disse ter feito gol com a mão e azar do juiz que não viu, imagine o rola-rola por fora dos campos, nos tapetões e nos bastidores da cartolagem. Inocentes são os crentes na intenção de só promover espetáculos: nós.
E é por meio de seus agentes que o futebol sequer tem vergonha na cara quando também faz mídia para transformar o "Fofômeno" e seus travecos em estrelas de horário nobre. Aí chegam os defensores dos pobrezinhos jogadores profissionais em nome da maioria que não é exemplo nem aqui e nem na China - nem em educação, pois quando abrem a boca saem pérolas do tipo "clássico é clássico e vice-versa".
Pobres inclusive das crianças telespectadoras, expostas a comentaristas a transmitir a elas ranços contra argentinos só por causa de um jogo que não lhes dará um pila na conta bancária quando ficarem adultas. Tudo por conta de uma rivalidade ridícula, incitante de selvagerias aqui e lá. Os hermanos, claro, não são isentos de sua culpa.
Mas vamos somar também os defensores da mala branca e os ocultados pela mala preta para mostrar a fragilidade e a imaturidade do sistema futebolístico, que escancara via personagens a falta de caráter em "incentivar" resultados por meio da bufunfa, ao mesmo tempo em que debocham dos torcedores ao armarem uma farsa - um circo. Crise de ética total.
Aí a falta de moral preocupa porque, na regularidade de um campeonato, a previsão dos resultados pode existir pelo fato de haver mais tempo para arquitetar as artimanhas e, se necessário, desfechar a trama na última cena. Lembram do maior garfo da história do esporte no país? Inter e Corinthians. Assim, qualquer mérito de campeão pode se tornar duvidoso.
Mata-mata já! Nossa sociedade não é discursiva a respeito de valores e ética e faz quebra-quebra por causa de um jogo enquanto no Congresso deitam e rolam. Voltem, senhores do Clube dos 13, ao sistema eliminatório e não-previsível de resultados. Brasileiros são imaturos para dar mérito para a regularidade entortada pelos fatos.
Tudo isso porque vivemos em meio a um contexto social de anulação da ética, já previsto por Rui Barbosa no começo do século XX, quando afirmou que "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto" - e com a bênção de cartolas do nosso futebol.

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