Nós - parte I
Dominar a arte de fazer nós, ou pelo menos saber fazer alguns nós, é imprescindível à pesca. É como amarrar os cadarços. Muitos me perguntam quais os principais nós que devemos dominar para pescar? Depende do tipo de pesca, mas alguns são úteis para várias tarefas, entre eles, o nó de cirurgião, o nó de sangue, o albright e o sistema de nó único. A função determina qual nó utilizar. União de linhas de mesma bitola, de bitolas diferentes, fixação de um terminal, nós que devem passar pelas passadeiras, prender iscas, presilhas, distorcedores, moscas fixas ou móveis, chumbadas ou empatar anzóis. Isso me remete à quando comecei a atar nós. Deveria contar 6 ou 7 anos. Pescava com meu irmão em uma praia deserta, o verão todo. Um dia surgiu mais um pescador para freqüentava aquele areal ao norte de Quintão.
Não lembro seu nome, mas recordo bem que era grande, militar aposentado, paciente e que tinha cabelos brancos. Olhávamo-lo com receio. Achávamos que a praia era toda nossa e ele era um invasor em nosso território. Mas ao ir para casa fazer as refeições, pois passávamos o dia pescando, o cumprimentávamos. A conversa surgiu naturalmente com o tempo. Ele usava uma carretilha Penn Reels e um sistema complicadíssimo para nós, com pernadas e rabichos articulados, com engates rápidos e outras coisas que nunca havíamos visto. Sei que nos interessamos pelo sistema dele e quisemos aprender. Hoje sei que era um grande pescador e detinha técnicas oriundas dos competidores à moda uruguaia.
O primeiro passo foi nos ensinar a fazer os nós. O primeiro foi o nó de sangue. Atou da maneira clássica, recordo que me mostrou duas vezes, em dois dias distintos até que eu o aprendesse. Esse nó mudou minha vida. Aprendi a adaptá-lo às montagens variadas e usando apenas ele é possível montar todo o sistema de pesca com iscas naturais. Anos mais tarde ensinei esse nó simples a um amigo sueco, atado à minha maneira e ele repetiu meus pensamentos: esse nó mudou minha vida, em um português arrevesado.
Então, cedo descobri a utilidade dos nós na pesca, mas, apenas aos 20 anos me caiu nas mãos um livro justo sobre o tema: o Guia de Nós para a Pesca. Fantástico, com passo a passo ilustrado. Estudei cada nó do guia. Aprendi. Dei utilidades. E nunca mais vi outra cópia do livro. Estava esgotado quando o comprei. Ao menos até esta semana, quando o encontrei sendo reeditado e de pronto comprei um lote para a loja. Marcante também foi ter pescado no clube Marlin Negro, aprendendo muito com os competidores mais acostumados à lida e as emergências da pesca.
Antes de sair atando nós, é importante conhecer alguns princípios: 1. Selecionar criteriosamente o nó. 2. As linhas têm lado certo para se cruzarem, assim como as voltas e expirais e cuidado para não torcer as linhas paralelas ou duplas. 3. Bons nós tem boa aparência. 4. Encostar o nó. 5. Antes de apertar, lubrificar com saliva. 6. Apertar o nó com uma única pressão: lenta, firme e contínua. 7. Testar o nó 2 ou 3 vezes. 8. Evite poupar linha. 9. Use o cortador de unha para aparar as pontas e nunca queime a linha. 10. Use um pano, couro ou borracha para dar o aperto final à linha.
Importante também é saber a nomenclatura envolvida na confecção dos nós: 1.Ponta da linha: parte em que o nó é atado e sobra para ser cortada. 2. Linha principal: parte maior da linha leader ou linha mestre madre que vai ao carretel, carretilha ou molinete. 3. Círculo: curva ou arco feito com a linha sem ser fechado por um nó. 4. Linha dupla: similar ao círculo, mas com duas partes da linha usadas juntas ao invés de separadas. 5. Voltas: corresponde a um giro completo da linha sobre outra linha ou objeto. 6. Laço: Nó corredio que faz com que o círculo se feche em torno de um objeto. 7. Meia-volta: nó usado como parte de outros nós, se apertado forma o nó cego ou nó górdio, isto é, um nó impossível de desatar.
É um dos nós que mais enfraquecem a linha de pesca. 8. Alça: curva feita com a linha de pesca e fechada por nó.
Os nós possuem resistências maiores ou menores, medida em porcentagem de ruptura, de acordo com a tabela Herter. Dada a vastidão do assunto, abordarei casos específicos nas próximas colunas. Pesque e solte!
home | topo
© 2005/2010 - Todos os direitos reservados - Empresa Jornalística Nova Época
Quem somos - Fale conosco - Publicidade