A CONSCIÊNCIA ENTORPECIDA PELO ATIVISMO DA SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA É UM DESAFIO PARA O CRISTÃO NESSE TEMPO DO ADVENTO. 12/12/2008
Caro leitor! Um dos maiores desafios para a Igreja hoje, com certeza, tanto aos bispos, sacerdotes, agentes de pastoral, é o excesso de atividades em prejuízo do próprio processo da evangelização. Curiosamente, o papa Bento XVI, na reza do Ângelus no domingo passado (30/11/08), diante de milhares de peregrinos na Praça de São Pedro, convidou a todos, nesse tempo de Advento, para refletir, exatamente, sobre a “dimensão do tempo”. Vejamos as palavras do Santo Padre: “O ritmo da vida cotidiana tem se tornado frenético”. Falta-nos tempo. Nós temos sempre pouco tempo, especialmente para o Senhor. Às vezes, não sabemos ou não queremos encontrá-lo. Nas mudanças, Deus tem tempo para nós. Dá-nos seu tempo porque tem entrado na história com sua palavra e suas obras de salvação, para abri-la à eternidade e fazê-la história da Aliança”. Ora, é interessante parar e analisar. Quanto tempo nos dedicamos à Lectio Divina, à oração, à meditação e à contemplação? Às vezes perdemos muito tempo em planejamentos, estudar estratégias pastorais, excessos de ritos na liturgia; nos preocupamos com a perfeição no cumprimento de leis e esquecemos da essência do evangelho, ou seja, o tempo para nós e o “IRMÃO”, que aguarda uma palavra, um consolo, uma orientação, um sorriso e um tempo para ele. A indiferença de ver o rosto do outro é dar as costas para não ver o rosto de Deus que se faz presente no irmão sofredor.
De acordo com Bento XVI, “O tempo é em si mesmo um sinal fundamental do amor de Deus: um presente que o ser humano pode valorizar, ou ao contrário, estragar; acolher seu significado, ou descuidar com superficialidade”.
ADVENTO: TEMPO DE REACENDER A FÉ,
O TESTEMUNHO E A SOLIDARIEDADE
Ser discípulo de Cristo não se trata apenas de crença teórica sem vínculo concreto. Jesus ao longo de seu ministério sempre deixou bem claro aos seus discípulos que não podemos nos deixar envolver só com o fazer, mas precisamos de momentos de encontro pessoal no silêncio com o Pai. Contudo, o testemunho de ser solidário é algo que sempre se fez presente na vida de Jesus. Nesse momento, o Brasil está chocado com a tragédia de nossos irmãos catarinenses pela enchente que abateu aquele estado. E de modo especial, em algumas cidades que arrasou quase tudo. O arcebispo de Curitiba, dom Moacyr José Vitti, fez a seguinte afirmação: “A flagelação sensibiliza, mas a solidariedade também comove”. E continua o arcebispo: “O coração aberto dos paranaenses e brasileiros vai amenizar os prejuízos e tornar o Natal um pouco mais feliz para centenas de milhares de pessoas atingidas”. Na mesma linha, o arcebispo de Campinas (SP), disse: “Não podemos, neste momento, nos omitir frente ao sofrimento de tantos irmãos e irmãs”. Caro leitor! Ser cristão é assumir na concretude histórica um papel ativo lá onde há necessidade de fazer a experiência de Deus, seja na alegria e/ou no sofrimento, pois nossa marca é viver sempre incondicionalmente o “AMOR-GRATUIDADE”.
“ELE NÃO ERA A LUZ, MAS VEIO PARA DAR
TESTEMUNHO DA LUZ”(cf. Jo 1,8).
Curiosamente, a luz que João Batista aponta está no mundo, mas lamentavelmente o mundo não quer conhecer. Às vezes nos dá a impressão de que muitos gostam viver na escuridão. Por quê? Nesse final de semana, a liturgia nos fala da alegria por causa de Deus, escondido, mas próximo. Mas o que significa alegria hoje para muitos contemporâneos? Festa de Reveillon em hotel de cinco estrelas? Festinhas íntimas em boates? Bebedeiras? Essas não são as alegrias que plenificam o coração humano, pois são passageiras, quando não trazem no depois, tristeza e dissabores. O domingo da alegria, como é chamado esse terceiro do Advento, é por causa da proximidade do Senhor. A alegria deve ser aquela de sabermos aceitos por Deus. É possível que tal alegria não convença a todos, até porque não dá publicidade! No entanto faço minhas as palavras do meu ex-professor de Bíblia e Exegese, dr. pe. Johan Konings SJ: “Se não formos capazes de participar dessa alegria, esticando o pescoço no alegre desejo de ver aquele que está discretamente presente no meio de nós, alguma coisa não está certa”. O nosso compromisso como cristão é sermos uma testemunha da alegria, pois temos consciência que Deus está no nosso meio e precisamos anunciar aos quatro cantos da terra, com alegria e entusiasmo que a vida tem um sentido, e esse, é Cristo, a explicitação do Pai. Natal é um fato histórico e real, ou seja, Deus que entra na história humana apontando o caminho da verdadeira esperança.
Caro leitor, pense e reflita!
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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