Jornal de Canela

ANO XXV - EDIÇÃO Nº 1317
Hoje: 09/09/2010

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Seção: Evolução - Uma Palavra Sobre Tecnologia

Márcio Cavalli

CLASSIPEÃO
Verdade clássica: a maioria dos homens não tira as mulheres para dançar. Pode não ser um todos os ambientes, mas nos gaúchos elas ficam a ver navios, “se coçando” de vontade de arrastar o pé numa vaneira ou num chamamé. Parte da homarada vaga pelo salão ou se pendura no balcão da canha. Se por timidez ou preferência, não se sabe. Mas o fato é sério e ainda tem quem confirme não ser novidade dos novos tempos. Pior engano é pensar que tal solidão nos salões é uma sina para mulheres de 40, 50 anos. Pois pasme: até jovens estudantes de magistério queixam-se da falta de pretendentes para realizar um curso de dança! E depois de ver meninos “picarem a mula” em uma atividade escolar para não dançar com as colegas, não é de se duvidar que a ausência de parceria não é fato somente quando tratamos de relacionamento sério. Analisando as circunstâncias, além da timidez, há outro problema: homens não admitem, diante das mulheres, desconhecer algo porque cresceram devendo saber de tudo, a ponto de dar segurança a elas. É o caso do macho no volante, ante a afirmação da companheira: “Acho que estamos perdidos”. Pronto! É o estopim para ferir o orgulho. E a comparação vale para a dança, que agrega casais de todo tipo. Há os com homens que deixam esse instinto de lado e colocam-se em pé de igualdade com suas parceiras; os que vão à primeira aula emburrados (depois saem amando dançar) e os que não perdem a essência do orgulho com frases do tipo: “Eu já sei dançar, só vim pra acompanhar a mulher”. Como já escrevi, as produções deste espaço resultam de situações vividas e refletidas. Assim, depois de conversas pelas ruas, na escola, scraps no Orkut, papos no MSN e até SMS (apelos da mulherada por um parceiro somente para dançar), poderíamos lançar um classificados de peão – o classipeão: “Mulher solteira, 30 anos, loira, procura homem para dançar. Pelo-amor-de-Deus, só dançar! Que mal há nisso?” Porém, nada se compara ao apelo da minha amiga Kuka, que da tribuna da Câmara já lançou a campanha “Procura-se um peão” por causa da escassez. E ainda tem gente que diz que complicadas são as mulheres. Mas, em se tratando de dançar, os homens ganham disparado.
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