O ANO SACERDOTAL -
A NECESSIDADE DA MÍSTICA DO SACERDOTE NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Caro leitor! O Papa Bento XVI no dia 19/06 próximo passado, abriu o “Ano Sacerdotal”. Passados mais de 40 anos do Concílio Vaticano II, com todas as transformações eclesiais, sociais, políticas e econômicas, percebe-se que a sociedade como um todo vive um período difícil, pluralista com dimensões que exigem, principalmente da parte dos cristãos, em especial dos católicos, com particular acento os sacerdotes, um apurado senso de discernimento desses novos tempos, mas, além disso, das incertezas frente à própria essência da fé cristã. O avanço da ciência com todas suas vantagens trouxeram também no seu bojo, elementos nocivos não só à fé cristã, mas em relação à própria sobrevivência da sociedade como um todo. Correntes ideológicas, algumas em particular, sem nenhum escrúpulo, desencadearam uma avalanche negativa de contra valores de toda a espécie. Diante disso, grande parte de nosso povo está despreparado, até porque, o próprio sistema educacional está literalmente falido diante de seu papel de formar cidadãos idôneos e responsáveis, pois o interesse principal está voltado para a economia e do bem-estar como critério último do agir humano. Talvez alguns possam achar que é uma afirmação ousada e atrevida, mas pergunto: O que está atraindo as atenções na atualidade? A economia como um critério absoluto e parece que diante dela, o mundo se curva e se desintegra quando está sintonizado com esse critério.
CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE PÓS-MODERNA
Os desafios que o mundo atual está colocando diante da Igreja e dos seus sacerdotes são tão provocantes, que, se não houver uma formação mais incisiva, séria e diferenciada com os candidatos do comum de nosso sistema educacional atual, com certeza, colocará em risco a identidade da fé cristã, bem como a identidade sacerdotal, pois, esses, devem fazer a diferença e dar sabor a um mundo que navega no grande oceano das incertezas em todas as dimensões. Essa é a razão porque sempre tenho certo receio na questão da inculturação da fé. É necessária? Sim, mas o processo exige cristãos e principalmente, presbíteros muito bem preparados, mas não nas escolas que em geral nossos seminaristas freqüentam. É preciso uma complementação muito firme para que lacunas comprometedoras não sejam impecilho para um maduro e firme discernimento do que é a “Verdade”, e do que é modismo mesclado de ideologias que são diametralmente opostas à fé cristã. Cito algumas características que podem servir de alerta no processo de discernimento. Em primeiro lugar a sociedade pós-moderna é “secularista e laicista, relativista e indiferente em relação à religião, isso torna mais penoso e exigente o trabalho e a vida dos sacerdotes”. (cf. Documento do 12º Encontro Nacional dos Presbíteros. 2008. “Ser Presbítero”. Cardeal Cláudio Hummes. p.17). Outro desafio é a falta de recursos e condições materiais para uma boa infra-estrutura pastoral. Também o ativismo proselitista dos neo-pentecostais. Acresce ainda, o destaque da mídia quando um sacerdote comete algum desvio, a mesma sempre, tenta difamar a Igreja e os sacerdotes. Esses e tantos outros são sérios desafios.
O SACERDOTE DEVE SER LUZEIRO NO NEVOEIRO DAS INCERTEZAS E FAZER A DIFERENÇA
A linguagem hoje é “globalização”. Partindo desse pressuposto estamos todos no mesmo barco em alto mar sob ondas gigantes de incertezas, ideologias contraditórias entre si, contra-valores e uma certa tendência coletiva de autodestruição. Tudo isso reflete a perda do sentido da vida, que é Deus. Pois é nesse momento que o sacerdote, especialmente, sem excluir os leigos, religiosos, religiosas, consagrados (as), deve em primeiro lugar antes de falar e agir, fazer uma profunda experiência de Deus. O mundo surpreendentemente espera de nós sacerdotes, uma âncora que os conduza novamente para o porto seguro que é Deus. Isso só é possível quando somos homens de profunda oração, pois, afinal, essa nos eleva para dentro de Deus, o que significa a máxima dignidade da pessoa, ou seja, crescer na oração para além de si e fundir-se com Deus. Como? O Documento de Aparecida recomenda a “lectio divina”, a leitura orante da bíblia, a liturgia das horas, pois quando bem praticada conduz ao encontro com Jesus Mestre. São quatro momentos: leitura, meditação, oração e contemplação. O lugar privilegiado é a celebração da Eucaristia, sem esquecer o sacramento da penitência. “Quem reza difunde um odor agradável, odor de amor e de paz” (cf. Os padres do Deserto. Grün, Anselm. Vozes. 2009). O povo sente, percebe e busca no sacerdote fiel e idôneo a âncora que lhe dá sentido, pois, ele próprio se encontra com Deus. No artigo de hoje quero desafiar os jovens que queiram fazer a experiência de Deus e ser âncora para o mundo perdido no nevoeiro das incertezas e ideologias pós-modernas que pouco ou nada respondem para a realização das pessoas. Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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