Jornal de Canela

ANO XXV - EDIÇÃO Nº 1348
Hoje: 03/09/2010

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Seção: Guia de Pesca

Biólogo

Gustavo De Marchi (gustavo@lojadepesca.com.br)

Imagem da notícia: Biólogo - Gustavo De Marchi (gustavo@lojadepesca.com.br) Nano
Imagine a cena: ao abrir a caixa de iscas artificiais, tu chamas pelo nome e tua isca elegida atende, sai de um canto escuro caminhando como um caranguejo e se apresenta para o serviço. Uma isca-robô que pode procurar os lugares mais escuros, as tocas, a sombra nas estruturas, fugir de peixes menores e se deixa atacar apenas pelos grandes predadores carnívoros, além, ela consegue desviar de obstáculos para não ficar presa. Isso só é possível se você for maior de 8 anos, comprometer-se a não engolir as peças menores e tiver uns 15 dólares no bolso, que é o preço atual de um nano-robô da Hexbug (http://www.hexbug.com). Não! Eles não fabricam iscas lá, ao menos, ainda não sabem disso. Mas, o Crab, tem toda a pinta de isca artificial futurista. É um caranguejo que desvia de objetos, atende a sinais sonoros e responde à luz, mede 7 cm de comprimento, como uma isca pequena, e pesa apenas 3 g. Nano é algo de “excessiva pequenez”, do grego quer dizer anão. Refere-se ao tempo e ao espaço, como nanosegundos e nanômetros, um fator de 10-9, ou milésimo de milionésimo ou, ainda, em decimal, 0,000000001, um internauta me proporcionou uma escala dessa grandeza, para que eu contemplasse com a imaginação: uma praia com 1000 km de extensão e um grão de areia de 1 mm, este grão está para esta praia como um nanômetro está para o metro. Talvez seja um exagero? O pior é que há “grandezas menores”, como o yocto. Mas acontece que as “nano coisas”, feitas pelo homem, já existem. Assim como existem praias e nelas grãos de areia. São uma realidade: a nanotecnologia, que permite a construção de materiais a uma escala de 1 nanômetro permite que hajam brinquedos potencialmente utilizáveis na pesca e gostei de notar isso! A nanotecnologia é a capacidade “potencial” de criar com átomos e moléculas. Se, algum dia, esta engenharia molecular tiver esta precisão, o resultado será uma nova revolução industrial, com importantes conseqüências econômicas, sociais, ambientais e, é claro, militares. Mas também ali que está o perigo: o Montador Universal (Nanoassembler), um sistema capaz de construir átomo a átomo qualquer “coisa” concebível pela mente humana. Como esta “mente” pode ser tendenciosa ou doente e consegue dar uma visão nefanda e escatológica sobre tudo, tentando “brincar” de Criador, alguns fantasiam em obter a imortalidade através da regeneração de tecidos vivos “ad aeternum”, outros se pelam de medo, afinal, o tal Nanoassembler poderia se reproduzir descontroladamente e ameaçar vidas humanas de forma semelhante a epidemias, ou poderia colonizar os humanos para obter matéria prima, restando, ao fim, uma massa cinza chamada de “Grey goo”. Essa turma acredita no “Nanoapocalipse” e na ecofagia (leia mais sobre Eric Drexler, e sobre seu livro Engines of Creation, 1986). Por outro lado o Nanoassembler poderia resolver o problema da fome no mundo. Sanduíche e Coca-cola para a turma toda. Báh... Também seria possível fazer cerveja! E talvez uma Harley-Davidson preta fosca. As mulheres reproduziriam bolsas Louis Vuitton em casa, na cor desejada, caramba! Isso para ter idéia das lendas urbanas que podem ameaçar o sucesso de aceitação desta, direi, evolução de processos. Já os realistas estão desenvolvendo tecidos resistentes a manchas e que não amassam, filtros de proteção solar, avanços na medicina e uma nano-cola, que se diz capaz de unir qualquer material a outro. Eu me satisfaço em acreditar que podemos nos valer dessa novidade para pegar peixes de maneiras inusitadas e divertidas, através de uma nova geração de iscas artificiais, que possivelmente será chamada, genericamente, como “nanobaits”. No Youtube há vídeos de um micro-robô que, usando um tecido especial sobe paredes e superfícies lisas, como uma lagartixa. Esse também já entrou na lista das futuras iscas, assim como os “nano insetos”, que vão enlouquecer os puristas do fly. Moscas secas que caminham sobre a água? Já existem!
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