Em matéria de religião ou religiosidade, todos nós temos apenas uma pergunta a nos fazer, se acreditamos ou não na existência de Deus. Uma vez que admitimos que Deus existe, por uma simples questão de lógica, chegamos à conclusão de que a Divindade é perfeita e reúne todas as qualidades em seu grau máximo. Portanto, não é dogma ou questão de fé afirmar que Deus é bom, justo e misericordioso, mas é sim, uma simples constatação a que nossa razão nos leva.
Em nossa jornada terrestre observamos à nossa volta pessoas que nos parecem desfavorecidas da sorte, que nascem em famílias desestruturadas emocionalmente, em situações de vulnerabilidade econômica ou social, com deficiências físicas ou mentais e uma infinidade de outras dificuldades. Enquanto isto, outras crianças nascem na fartura material, ou em famílias amorosas, com saúde perfeita e todas as circunstâncias da vida parecem favorece-las. Observamos também pessoas que apesar de não possuírem qualidades morais elevadas parecem sempre “se dar bem” na vida, enquanto pessoas dignas e honestas parecem marcar passo.
Como conciliar estes fatos com a existência de um Deus justo, bom e misericordioso? Se admitíssemos que vivemos apenas uma vez, como explicar a justiça divina, como explicar a diferença entre “os aparentemente favorecidos e desfavorecidos da sorte”? Poderíamos admitir um Deus justo que faz diferença entre seus filhos?
A reencarnação é a chave para entender estas diferenças e compreender a justiça, a bondade e a misericórdia de Deus. Sabendo que não nascemos no momento da concepção deste corpo que usamos hoje, que já vivemos diversas experiências antes da atual e que continuaremos a nossa evolução após a morte física, compreendemos que nossa “vida” atual nada mais é apenas mais um capítulo de nossa evolução.
Se algumas situações nos parecem injustas é porque as julgamos levando em conta apenas a existência presente. Hoje, alguns de nós vivemos a experiência da pobreza enquanto outros vivem a riqueza, uns nascem em famílias estruturadas e amorosas e outros não, uns nascem em culturas e comunidades ordeiras e pacatas e outros nascem em ambientes menos favorecidos. Com a reencarnação, temos a certeza de que tais condições são transitórias e momentâneas e todos nós experimentaremos as diversas experiências que se fazem necessárias para nossa evolução.
A justiça de Deus então fica mais clara aos nossos olhos quando compreendemos que pela lei de causa e efeito, vivemos hoje aquilo que plantamos ontem e que estamos passando pelas situações que nos propiciam as oportunidades mais adequadas para as nossas necessidades evolutivas. A bondade e a misericórdia de Deus também ficam evidentes, pois temos a certeza de que por mais que sejamos imperfeitos e erremos em nossas vidas, a Divindade sempre nos fornece uma nova chance, uma nova encarnação, para reparar nossos erros e refazer nossos caminhos.
A benção que a reencarnação representa fica evidente nas palavras de Emmanuel na psicografia de Francisco Cândido Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
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