CRIAR CONSCIÊNCIA DE CIDADANIA RESPONSÁVEL É O CAMINHO PARA UMA SOCIEDADE JUSTA E FRATERNA
A tendência do pensamento contemporâneo é desenvolver, crescer em novas tecnologias, no bem-estar para facilitar a vida; essas estão se tornando valores primordiais. Ora, esse princípio é uma meia verdade. Partindo do critério “consciência”, nos deparamos com alguns questionamentos: Que tipo de consciência nós estamos preparando as novas gerações? Qual o conceito de cidadania que nossas crianças e jovens estão tendo? Em que princípio ético e moral estão baseados os mesmos para o amanhã da vida? Ora, quando partimos desses pontos de estrangulamentos, seguem as consequências e conclusões. Todos esses questionamentos revelam a realidade que atualmente nós estamos vivendo. Há hoje, na sociedade, valores invertidos, pois o que norteia o comportamento da mesma não é a solidariedade, a justiça, o bem de todos, mas, sim, a lei do mais forte. É preciso olhar e analisar a questão da formação da consciência das novas gerações, solidificados em valores cristãos, bem como o sentido real de civismo e amor verdadeiro à Pátria.
NÃO HÁ AUTÊNTICA CIDADANIA SEM A
VIRTUDE DA JUSTIÇA
A justiça, não se reduz apenas em dar a cada um o que lhe é devido, mas deve-se ir além disso. Quando a CF-2010 trata da justiça, se trata de algo que vai acima do simples direito. O teólogo Nilo Agostinho, ao falar em cidadania diz: “(...) a cidadania está ligada à consciência e à fruição de direitos, evocando igualmente deveres correspondentes”. (cf. Teologia Moral – Entre o pessoal e o social. Vozes). É a partir desse pressuposto, que se faz necessária uma reeducação da consciência individual e comunitária, tendo presente que consciências bem formadas com critérios objetivos de igualdade de oportunidade para todos, são os paradigmas que constroem a cidadania. Portanto, fica claro que a ética se constrói a partir do interior de cada pessoa, na medida em que ela cultiva valores e princípios. Ora, esses não se impõem por códigos ou leis, mas, nós cristãos, de modo especial os católicos, e as pessoas de boa vontade, somos desafiados no processo da educação de nossas crianças e jovens, através das famílias, e dos educandários a formar consciências sadias, não baseadas na ética hedonista, consumista sem critérios, mas na frugalidade e ao mesmo tempo no usufruto das riquezas e bens baseados na justiça e na caridade. Daí que a CF-2010 insiste na questão da solidariedade e da partilha. Esse se trata de um importante princípio cristão!
O HUMANISMO EXIGE EMPENHO CONCRETO
DOS CRISTÃOS
A CF-2010 nos propõe buscar uma resposta concreta aos problemas da sociedade. Nosso dever é contribuir com atitudes reais e com o questionamento dos rumos os quais a conjuntura político-social-econômica está caminhando. Alguns confundem essa postura das igrejas como ingerência em assuntos que não dizem respeito às mesmas, entretanto, os líderes políticos e os condutores da economia esquecem que não basta criar riquezas, bens, novas tecnologias, mas, sim, oportunizá-las para que todos tenham acesso aos bens. “(...) todos os responsáveis pela promoção social e da coesão sabem muito bem que estas não podem ser obtidas mediante uma simples, embora indispensável, combinação de boas leis, medidas sociais e incentivos. É sempre preciso ir além e ter em consideração o bem integral da pessoa humana nas diversas dimensões, inclusive a espiritual” (cf. L’Osservatore Romano. Fevereiro de 2010. nº7. p.2). Por outro lado, precisamos reconhecer que o sistema financeiro readquiriu certa estabilidade, e até, a retomada econômica em vários setores, o que é positivo, com toda a certeza. Contudo, ainda em muitos outros lugares e países pobres, bem como nos emergentes, o desemprego ainda é uma ferida aberta que precisa ser cicatrizada. A estabilidade da economia e o retorno do crescimento da mesma tem que trazer a tona a abertura de novos postos de trabalho, benefícios como melhoramento na assistência médica, um novo modelo na política educacional dos organismos públicos e também privados. Isso exige um urgente novo planejamento. Nesse sentido, vem o desafio da CF- 2010, que é ecumênica, de mobilizar todas as forças vivas da sociedade, para um macro planejamento, onde organismos não só nacionais, mas internacionais estejam comprometidos.
A INTEGRAÇÃO SOCIAL AUTÊNTICA TEM
EXIGÊNCIAS SÉRIAS
A integração para uma estabilidade no contexto da atual conjuntura político-sócio-econômica nos força a abrir um leque maior do que simples resoluções de natureza técnica. “(...) o desenvolvimento e a integração social não se realizarão apenas mediante soluções tecnológicas, dado que dizem respeito, principalmente, às relações humanas” (cf.ibidem). E continua: “(...) a família é o primeiro contexto no qual as crianças adquirem certas capacidades, comportamentos e virtudes que as preparam como força-trabalho, e, portanto, lhes permite contribuir para o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Isso exige políticas que promovem a família e não se baseiam apenas na redistribuição, mas, sobretudo na justiça e na eficiência, e que assumam a responsabilidade do crescimento econômico e das necessidades das famílias”. A importância da CF-2010 está justamente em alertar, levando todos os cristãos e homens de boa vontade a refletirem como agir ante o complexo contexto e as consequências dessa atual conjuntura. Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
home | topo
© 2005/2010 - Todos os direitos reservados - Empresa Jornalística Nova Época
Quem somos - Fale conosco - Publicidade